– Testes conduzidos junto ao Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Ensaios da Termomecanica comprovam capacidade microbicida das ligas
– Revestimentos de estruturas com este material pode reduzir propagação de vetores de doenças em ambientes com circulação elevada de pessoas
São Paulo, Junho de 2026 – O uso do Cobre como agente antimicrobiano tem uma longa história e ganhou ainda mais tração no contexto da pandemia de COVID-19. Neste cenário, a parceria entre o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Ensaios (CPDE) da Termomecanica e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) culminou num estudo que fortalece a comprovação da capacidade microbicida de ligas de Cobre, promovendo a eliminação de mais de 99 % dos vírus e bactérias aos quais são expostas.
As ligas utilizadas pelo estudo, que mobilizou especialistas do CPDE e o Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas da Unifesp, Campus Diadema, foram fornecidas pela Termomecanica, e a pesquisa também contou com o apoio do programa MAI-DAI, do CNPq, via a atribuição de bolsas em níveis de mestrado, doutorado e iniciação científica, além da unidade CIM-EMBRAPII Unifesp.
A premissa para a execução dos testes foi de que íons de cobre podem interferir nas membranas celulares dos microrganismos, ocasionando, em última instância, a eliminação dos mesmos. Um dos frutos desse projeto foi o artigo científico intitulado “Micro-Addition of Silver to Copper: One Small Step in Composition, a Change for a Giant Leap in Biocidal Activity”, publicado na revista internacional Antibiotics, que se baseia em resultados obtidos após avaliação de ligas de cobre acrescidas por prata.
De acordo com o Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do CPDE, Márcio Rodrigues, diferentes ligas ricas em Cobre foram avaliadas em relação ao potencial microbicida, ou seja, de eliminação de microrganismos. “Durante a pandemia, buscamos opções de materiais que poderiam diminuir ou eliminar carga viral a partir de diferentes compartimentos, incluindo ambientes urbanos, clínicos, industriais e domiciliares. O princípio básico dos estudos foi a condução de um teste de desafio, no qual a liga metálica foi colocada em contato com suspensões microbianas de diferentes patógenos. A partir disso, foi realizada a análise do momento em que ocorre a diminuição ou eliminação da carga dos vetores”, detalha.
Ao longo da pesquisa, foram analisadas bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, além de fungos, representativos de patógenos promotores de doenças a partir do consumo de água ou alimentos contaminados, bem como pela falta de práticas de higiene no preparo e manipulação de materiais. Ainda, avaliou-se a efetividades das ligas sobre vírus, incluindo Influenza e SARS-CoV-2, com o objetivo de mensurar o potencial de diminuição da carga viral em um momento de pandemia.
Como resultado, todas as amostras testadas apresentaram capacidade biocida e eliminaram valores superiores a 99% das bactérias, fungos e vírus após período de exposição de 2 horas.
Recentemente, com o intuito de dar continuidade ao estudo e divulgar o conhecimento desenvolvido durante a pesquisa, foram instalados tubos da liga alpaca composta por cobre, zinco e níquel, nos corrimãos de um ônibus de transporte universitário da Unifesp, no Campus Diadema. A escolha da liga foi baseada na sua capacidade biocida, comprovada em testes laboratoriais e aliada à sua excelente resistência à corrosão, evitando o aparecimento de manchas causadas pela oxidação da superfície do material.
Estes resultados foram obtidos a partir de pesquisas realizados sob co-financiamento UNIFESP, CIM-EMBRAPII e Termomecanica. Segundo Rodrigues, eventuais variações não impactam a função biocida do material “É valido ressaltar que mudanças das características físicas das peças, incluindo alterações de cor, não afetam o desempenho da liga metálica na diminuição ou eliminação da carga microbiana do material”, reforça.
Cobre como agente antimicrobiano
O reconhecimento moderno e formal da ação antimicrobiana do Cobre ganhou força no século XXI. Em 2008, a Environmental Protection Agency (EPA), dos Estados Unidos, registrou oficialmente ligas de Cobre como materiais antimicrobianos capazes de eliminar bactérias em superfícies, um marco relevante para aplicações em hospitais e espaços públicos, por exemplo.
Entretanto, o especialista do CPDE explica que essa capacidade era comumente associada à composição química da liga e não à sua microestrutura, o que foi explorado pela pesquisa. “Neste estudo, o foco foi a alteração da microestrutura do material sem a mudança da composição química para a verificação do comportamento frente ao combate de microrganismos. Os resultados foram muito promissores, indicando que a microestrutura afeta de maneira significativa este comportamento e que esta característica pode ser potencializada com o processamento e tratamento térmico adequado”, reforça.
Rodrigues aponta, ainda, que esta pesquisa pode beneficiar diversos setores da sociedade, especialmente quando aplicada a ambientes de saúde ou públicos com alta concentração de pessoas. “Projetos baseados em superfície com ligas de Cobre podem proporcionar benefícios a diferentes segmentos, principalmente àqueles com elevada circulação de pessoas, como transporte público e escolas, ou que estão mais suscetíveis ao contágio de doenças transmitidas por via aérea, como hospitais, postos de saúde e laboratórios de análises clínicas”, salienta.
Parceria entre Termomecanica e Unifesp
A parceria com a UNIFESP teve início em 2019, com foco na capacidade biocida do Cobre e suas ligas, aprofundando os estudos relacionados ao tema e entendendo os benefícios de utilização de ligas de Cobre em ambientes de alta exposição de microrganismos. Em seguida, outra linha de pesquisa foi desenvolvida, com o objetivo de reaproveitar subprodutos de processos de fabricação. Mais recentemente, em 2024, a parceria rendeu o registro de uma nova patente voltada à economia circular e sustentabilidade.
Para Rodrigues, a parceria entre CPDE, Termomecanica e Unifesp reforça a importância da colaboração entre empresas e academia para o progresso técnico no país. “Do ponto de vista industrial, a aproximação entre empresas e universidades é uma das engrenagens mais importantes para a inovação, pois permite às companhias acesso a conhecimentos de ponta, reduzindo o tempo entre descoberta científica e aplicação prática. Além disso, essa colaboração contribui para disseminar conhecimentos de qualidade, de modo que a sociedade como um todo possa usufruir dessa maior proteção contra microrganismos conferida pela liga de Alpaca”, encerra.
Sobre a Termomecanica
A Termomecanica é líder no setor de transformação de Cobre e suas ligas, em produtos semielaborados e acabados, e atua, desde 2016, na fabricação de produtos em Alumínio. Fundada em 1942 pelo engenheiro Salvador Arena, é altamente capitalizada, com um patrimônio líquido superior a 3,2 bilhões de reais. Comprometida com o desenvolvimento sustentável, mantém programas de modernização e expansão que definem sua tradicional estratégia de reinvestimento de lucros e geração de empregos. A Termomecanica destaca-se no cenário brasileiro, pois parte de seus resultados são direcionados para transformação social por meio da sua controladora, Fundação Salvador Arena.
Uma das maiores indústrias privadas brasileiras, desde 1974 está entre as “Maiores e Melhores” da Revista Exame e, por dois anos (2017 e 2018), em primeiro lugar no ranking “As Melhores da Dinheiro”, no setor Mineração, Siderurgia e Metalurgia.
Sobre a Unifesp
A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) teve origem na Escola Paulista de Medicina, fundada em 1933 e federalizada em 1956. Em 1994, tornou-se universidade federal, inicialmente voltada às áreas da saúde. Ao longo dos anos, expandiu sua estrutura física, atividades de ensino, pesquisa e atendimento à população, destacando-se o Hospital São Paulo, referência nacional em procedimentos de alta complexidade e formação prática de estudantes. A partir de 2005, a Unifesp pôde expandir-se para novos campi em diferentes cidades da Grande São Paulo, Vale do Paraíba e Baixada Santista, incorporando outras áreas do conhecimento além da saúde. Atualmente, possui unidades especializadas em medicina, enfermagem, humanidades, ciências ambientais, engenharias, economia e políticas públicas.
A universidade também fortaleceu a pós-graduação, a pesquisa científica e a internacionalização, tornando-se referência nacional em produtividade acadêmica. O ingresso na maioria dos cursos ocorre pelo SiSU, com base na nota do Enem, aliado a políticas de inclusão social, como cotas e auxílio-permanência. Além da formação acadêmica, a Unifesp desenvolve projetos sociais e programas de extensão voltados à transformação social. Sua gestão é orientada por princípios de transparência, participação democrática, inclusão, sustentabilidade e compromisso com a educação pública, tendo como missão produzir conhecimento e formar profissionais para contribuir com uma sociedade mais justa e sustentável.
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