A seleção brasileira de futebol, para surpresa de zero torcedores, foi eliminada da Copa do Mundo antes que a competição esquentasse. Qual a razõão deste fracasso?
Em minha opinião, como em tudo que o ser humano se mete há uma verdade que atravessa milênios: nada substitui o talento.
Tá lá na Bíblia que diante de Golias, David venceu a briga com uma funda e cinco pedras — não porque era maior, mas porque tinha o dom certo, treinado em anos de pastoreio, e a coragem de usá-lo. O talento não pediu licença à estatura.
Pela história da ciência sabemos que Thomas Edison era uma fábrica de inventos, com capital, a imprensa e a máquina comercial mais poderosa de sua época. Nikola Tesla tinha uma mente extraordinária. Na chamada Guerra das Correntes, venceu a corrente alternada de Tesla — e é ela que ilumina o mundo até hoje.
O esporte, a toda hora, nos brinda com demonstrações eloquentes. Berlim, 1936: Hitler preparou os Jogos Olímpicos para exibir a supremacia da sua “raça superior”. Jesse Owens, neto de escravizados, foi lá e conquistou quatro medalhas de ouro diante das tribunas do regime.
E quanto as nossas seleções pentacampeãs?
Em todas as Copas conquistadas, o trabalho de equipe foi fundamental — preparação, tática, entrosamento, disciplina. Mas quem desequilibrou os jogos que valiam o título foram os craques: Pelé em 1958, Garrincha em 1962, o gênio coletivo de 1970, Romário em 1994, Ronaldo em 2002. Times organizados chegam longe; times organizados com craques levantam a taça.
Nas empresas, e na Gestão de Ativos em particular, a lógica é a mesma. Com bons softwares, IIoT bem aplicada e a Inteligência Artificial se antecipa falhas, priorizam-se ordens de serviço, otimizam-se estoques, aceleram-se diagnósticos certeiros. Mas nada, nadinha ainda, substitui o talento dos profissionais em cada nível da hierarquia — o técnico que manja das anomalias que o sensor não capta, o planejador que monta a programação possível, o engenheiro que encontra a causa raiz, o gestor que decide sob pressão. A tecnologia potencializa experts; não os fabrica.
Equipes medíocres não conseguem ser competitivas — com ou sem tecnologia. E os indicadores, sem retórica, mostram onde as diferenças acontecem: disponibilidade, confiabilidade, custos, produtividade e segurança não mentem. O benchmarking é o placar do jogo empresarial, e ele sempre revela quem tem craques em campo e quem apenas completa a escalação.
Todas essas histórias têm algo em comum: David treinou a funda por anos, Tesla dominava a matemática como poucos, Owens e os craques do Brasil lapidaram o dom em milhares de horas de treino. O talento é o que não se substitui — mas é a disciplina que o transforma em resultado.
Identifique os talentos da sua equipe. Desenvolva-os, reconheça-os, remunere-os à altura. Porque no dia da competição — no mercado, como no estádio — quem entra em campo é o talento cultivado. E não chore pelo que deixou ir embora.
Sem talento, babau Nicolau.



