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Para especialista do IEEE, data centers acendem alerta energético e podem impulsionar desenvolvimento de energia nuclear no Brasil

por admin | 28 ago, 2026 | Energia, Inteligência artificial, Tecnologia | 0 comentários

Devido ao boom de data centers de IA no País, Maurício Salles, membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), maior organização profissional técnica do mundo dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade, enxerga potencial crescimento da energia nuclear

Diante de gargalos energéticos observados ao redor do mundo, o Brasil se destaca pela alta  participação de fontes renováveis na matriz elétrica, atraindo investidores e consolidando-se  como destino estratégico para grandes centros de dados. Surge, porém, um dilema: como  expandir essa infraestrutura sem comprometer os compromissos de sustentabilidade do país? O  ambiente favorável a investidores — com prazos de fornecimento relativamente curtos e  possibilidade de redução de juros — impulsionou esse crescimento. No entanto, a operação  desses centros exige volumes inéditos de eletricidade: grandes data centers de treinamento de  IA podem demandar múltiplos gigawatts para funcionar continuamente.

Maurício Salles, membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), maior  organização profissional técnica do mundo dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da  humanidade, destaca a escala do consumo: “Alguns dos maiores data centers de treinamento  de IA discutidos hoje podem exigir vários gigawatts de potência. Para colocar isso em  perspectiva, um data center de 1 GW é comparável à produção de uma grande usina nuclear  convencional.”

Energia nuclear como parceira das renováveis

A energia nuclear, embora seja considerada uma fonte finita por depender de elementos  encontrados na natureza, como o urânio e o tório, independe de condições climáticas e não  emite gases poluentes durante a operação. A proposta não é substituir fontes renováveis como  eólica e solar, mas diversificar a matriz para aumentar a confiabilidade e a estabilidade do  sistema elétrico, uma vez que a geração renovável, especialmente a eólica e a solar, apresenta  variabilidade ao longo do dia, das estações do ano e entre diferentes anos, como observa  Maurício Salles: “Ao contrário das fontes renováveis variáveis, as usinas nucleares podem  fornecer energia firme, confiável e de maneira ininterrupta.”

O Brasil gera cerca de 90% de sua eletricidade a partir de fontes renováveis e limpas,  comparando-se a países como Noruega e Uruguai. Em contrapartida, a geração nuclear  nacional é modesta: existem apenas 2 reatores em operação e 1 em construção, ambos no Rio  de Janeiro, posicionando o país bem atrás de potências em energia nuclear como Estados  Unidos, China e França segundo o World Nuclear Industry Status Report 2025.

Potencial de crescimento de Reatores Modulares de Pequeno Porte

Projetados para serem compactos e capazes de gerar energia conforme a demanda cresce. Os  Reatores Modulares de Pequeno Porte (SMRs) se destacam dentre as inovações com maior  potencial para acompanhar a expansão dos data centers no Brasil. Vantagens apontadas  incluem instalação facilitada por módulos pré-fabricados, avanços em segurança, redução da  dependência de grandes volumes de água para resfriamento e sua potência de 20 MWe até 300  MWe. Maurício complementa: “Alguns SMRs apresentam módulos transportáveis e sistemas  passivos ou alternativas de resfriamento que podem reduzir a dependência de energia elétrica e  de grandes fontes externas de água. Essas características buscam assegurar a remoção do  calor residual mesmo em condições extremas, incorporando lições aprendidas com o acidente

de Fukushima.”

Desafios de infraestrutura e regulação

A expansão da energia nuclear no Brasil enfrenta barreiras relevantes. No aspecto de  infraestrutura, a construção de usinas exige altos investimentos de longo prazo. Além disso,  embora os Reatores Modulares de Pequeno Porte (SMRs) sejam apontados como uma  alternativa promissora para ampliar a geração nuclear, essa tecnologia ainda se encontra em  fase inicial de adoção comercial, com apenas algumas unidades em operação no mundo e  diversos projetos em desenvolvimento. No campo regulatório e de políticas públicas, a lentidão  no licenciamento ambiental cria incertezas que podem afastar investidores. Como ressalta  Maurício Salles: “O desafio vai além da engenharia isolada. A transição energética também é  moldada por prioridades políticas, estruturas de mercado, incentivos regulatórios e pelo  equilíbrio de interesses entre diferentes setores da sociedade.”

A implementação bem-sucedida dependerá, portanto, de alinhamento entre tecnologia,  financiamento, regulação e aceitação social.

Sobre o IEEE

O IEEE é a maior organização profissional técnica do mundo dedicada ao avanço da tecnologia  em benefício da humanidade. Com mais de 420.000 membros em mais de 160 países, o IEEE  promove publicações, conferências, padrões e atividades profissionais reconhecidas por  especialistas. Suas iniciativas são referência para informações confiáveis nas áreas de  engenharia, computação e tecnologia

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