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MTTR e MTBF: Média ou Mediana?

por admin | 24 dez, 2025 | BLOGS, Paulo Walter | 2 comentários

Recentemente, numa sessão de um de meus trabalhos de consultoria, apresentei ao cliente a oportunidade de “dar um novo olhar” a seus principais indicadores de gestão, já que um dos itens do contrato era exatamente a expectativa de que apresentasse inovações e ou melhorias para sua forma de trabalhar em áreas nevrálgicas como o PCM e a Engenharia de Confiabilidade. Como todo consultor velho de guerra sabe, melhorar o que já está bom é onde mora a expertise. Então a discussão passou a ser sobre o melhor (adequado) uso dos KPI master da empresa: MTBF e MTTR. A oportunidade era ir além.
Trago aqui o que resultou daquele momento da consultoria:
MTTR e MTBF – Média ou Mediana?
Para expressar a “verdade” dos indicadores MTBF (Tempo Médio Entre Falhas) e MTTR (Tempo Médio de Reparo), a análise estatística demonstra que a escolha entre média e mediana depende diretamente da distribuição dos dados e da presença de valores atípicos (outliers ou fora do padrão).
1. Análise Matemática: Média vs. Mediana
  • Média Aritmética (Tradicional): É a soma de todos os tempos dividida pelo número de ocorrências.
    • Vantagem: Considera a magnitude de todos os eventos. É ideal para calcular a disponibilidade total do sistema (Total Uptime / Total Time ou Tempo Fora / Tempo Total).
    • Desvantagem: É extremamente sensível a outliers. Uma única quebra catastrófica que leve 100 horas para consertar pode “puxar” um MTTR de 2 horas para 10 horas, distorcendo a percepção da eficiência da equipe.
  • Mediana: É o valor central que divide a amostra ao meio.
    • Vantagem: É uma medida robusta, ou seja, não é afetada por valores extremos. Representa o comportamento “típico” ou mais provável do ativo.
    • Desvantagem: Despreza a gravidade de falhas raras, mas longas, que podem ser críticas para o negócio.

Veja Também: Analise de Weibull da mecanica dos materiais a Gestao da Manutenção

2. Qual expressa melhor a “Verdade”?

A melhor fórmula depende do objetivo da gestão:

Objetivo da Gestão  Indicador Recomendado Por que?
Planejamento Financeiro e Disponibilidade Média O impacto total no faturamento depende do tempo total parado, não do tempo mediano.
Desempenho da Equipe (Eficiência) Mediana Para avaliar a produtividade dos técnicos, a mediana remove o “ruído” de peças que demoraram a chegar (falhas logísticas) ou quebras atípicas.
Previsão de Confiabilidade Análise de Weibull Especialistas recomendam ir além da média simples, usando métodos como a Distribuição de Weibull para entender padrões de falha (infantil, aleatória ou desgaste).
3. Exemplo Prático 
Imagine 5 falhas com tempos de reparo: 1h, 1.5h, 2h, 1.5h e 24h (esta última devido a falta de peça).
  • Média (MTTR): 6 horas. (Dá a impressão de que a equipe é lenta).
  • Mediana: 1,5 horas. (Mostra que a equipe resolve quase tudo rápido, e o problema real foi a logística da última peça).
Veredito:
Para uma gestão de ativos bacana, atualizada, o ideal é acompanhar ambos:
  1. Use a Média para reportar indicadores de Disponibilidade e Custos à diretoria.
  2. Use a Mediana para a Gestão Operacional, identificando o que é padrão e o que é exceção na manutenção.
  3. Aplique filtros de desvio padrão para identificar se seus dados estão muito dispersos; se o desvio for alto, a média deixa de ser uma “verdade” confiável.

 

Concluindo: Só pra não deixar passar em branco, o cliente, com gestores sempre interessados em aplicar melhorias e inovações na gestão, introduziu em seus instrumentos de análise a abordagem dos Indicadores aplicando as Medianas e também uma abertura para Análise de Weibull para os equipamentos mais críticos.

Aliás, na sequencia, vamos trazer aqui no Blog um pouco mais de conhecimento sobre Analise de Weibull, o que vem a ser, quando vale a pena usar, dificuldades em bem monitorar. Acompanh.

 Nota de Rodapé: Na real, temos que nossas áreas de gestão de ativos, em sua maioria, estão bem longe de trazer para a mesa esse tipo de discussão técnica, muito além da semantica. Somente 37% das empresas brasileiras monitoram o MTBF e 32% acompanham o MTTR. Ou seja, temos muito campo a percorrer e as oportunidades de melhoria são imensas.

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