Notícias:

NEW

Logo Manutenção.net

Manutenção é Custo ou Investimento?

por admin | 4 mar, 2026 | BLOGS, Paulo Walter | 0 comentários

Logo Manutenção.net

HOME

ARTIGOS

NOTÍCIAS

EVENTOS

PODCAST

POST EM VÍDEOS

BLOGS

REVISTA ONLINE

FALE COM A MANUTENÇÃO.NET

INSCREVA-SE E RECEBA OS BOLETINS

Desenvolvido por 

CityPubli

Manutenção é custo sim. E reconhecer isso é o primeiro passo para a maturidade da gestão de ativos.

Em praticamente todo evento técnico, aula de pós-graduação ou discussão no LinkedIn surge alguém afirmando com convicção: “Manutenção não é custo, é investimento.”

A frase soa bem. É elegante. Parece valorizar a área. A turma guerreira do chão de fábrica enche o peito e repete o mantra.

Mas, do ponto de vista contábil e econômico, ela não é correta.

E aceitar essa realidade não diminui a importância da manutenção — ao contrário, fortalece seu papel estratégico.

Lá na Repblica de Del castilho, onde vivi minha adolescencia, a gente dizia e continua dizendo “aceita que doi menos“. Vamos às explicações.

A verdade contábil: manutenção é OPEX

Nas demonstrações financeiras de qualquer empresa existem duas grandes categorias de aplicação de recursos:

CAPEX (Capital Expenditure)
Investimentos em ativos que ampliam ou criam capacidade produtiva.

Exemplos:

  • compra de máquinas
  • construção de plantas
  • aquisição de equipamentos
  • grandes modernizações tecnológicas

Esses valores entram no ativo da empresa e são depreciados ao longo do tempo.

Já a manutenção, na imensa maioria dos casos, aparece em outra categoria.

OPEX (Operational Expenditure)
Despesas operacionais necessárias para manter a empresa funcionando.

Incluem:

  • mão de obra de manutenção
  • peças de reposição
  • contratos de serviços
  • inspeções e manutenção preventiva
  • manutenção corretiva
  • manutenção preditiva

Esses valores não geram um novo ativo.
Eles mantêm o ativo existente operando.

Portanto, na contabilidade empresarial, manutenção é sim uma despesa operacional.

Anuário 2025 Manutenção

Anuário 2025 Manutenção

O erro conceitual que muitos cometem

Quando alguém diz que “manutenção é investimento”, na maioria das vezes quer comunicar outra ideia:

A manutenção gera retorno econômico indireto.

E isso é verdade. Uma boa manutenção pode:

  • aumentar a disponibilidade operacional
  • melhorar a qualidade do produto
  • reduzir perdas de produção
  • evitar acidentes
  • proteger o meio ambiente
  • prolongar a vida útil dos ativos

Mas isso não muda sua classificação contábil. Na hora de lançar as despesas na gaveta certa das contas contébeis ela continua sendo OPEX.

A pergunta correta não é se manutenção é custo

A pergunta estratégica é outra:

Quanto custa para a empresa quando a manutenção não acontece como deveria?

Essa é a pergunta que separa organizações maduras de organizações reativas.

Quando a manutenção falha, o impacto aparece em vários lugares:

  • parada de produção
  • perdas de qualidade
  • acidentes
  • multas ambientais
  • atrasos logísticos
  • perda de clientes
  • desgaste de imagem

Ou seja:
O verdadeiro custo não é fazer manutenção.
O verdadeiro custo é não fazê-la corretamente.

 

A definitiva classificação estratégica

O papel do ICIO na equação econômica da manutenção

É nesse ponto que entra um conceito que venho desenvolvendo em meus estudos: o ICIO — Índice de Complexidade Industrial e Organizacional.

Empresas possuem diferentes níveis de complexidade:

  • tipo de processo produtivo
  • nível de automação
  • risco operacional
  • impacto ambiental
  • exigências regulatórias
  • cadeia logística
  • interdependência de sistemas

Quanto maior o ICIO, maior o potencial impacto de falhas.

Em organizações de alto ICIO, uma falha pode gerar:

  • milhões em perdas de produção
  • paralisações completas de planta
  • riscos ambientais severos
  • acidentes graves

Nesses ambientes, o custo da não manutenção cresce exponencialmente.

A maturidade da manutenção muda a lógica do custo

Empresas com baixa maturidade de manutenção enxergam apenas uma coisa: o custo direto da manutenção.

Elas analisam:

  • orçamento
  • número de técnicos
  • estoque de peças
  • contratos de serviços

Já organizações com alta maturidade de gestão de ativos enxergam outro quadro. Elas analisam:

  • custo da indisponibilidade
  • custo da falha
  • risco operacional
  • impacto na cadeia de valor
  • custo total do ciclo de vida do ativo

Nesse contexto, a manutenção deixa de ser vista apenas como despesa e passa a ser compreendida como instrumento de proteção econômica do negócio.

A manutenção protege o resultado da empresa

Quando bem estruturada, a manutenção atua como um sistema de proteção do resultado empresarial. Ela protege:

  • a produção
  • a segurança
  • o meio ambiente
  • a confiabilidade operacional
  • a reputação da empresa

Isso explica por que organizações maduras utilizam indicadores como:

  • MTBF
  • MTTR
  • Disponibilidade Operacional
  • OEE
  • Backlog
  • Taxa de manutenção preventiva

Não para justificar orçamento.

Mas para proteger o valor do negócio.

Conclusão: assumir que é custo torna a manutenção mais estratégica

Dizer que manutenção não é custo pode parecer uma forma de valorizar a área. Mas, paradoxalmente, reconhecer que ela é um custo é o que permite gerenciá-la com inteligência.

A verdadeira maturidade acontece quando a organização entende que:

  • manutenção é OPEX
  • falha é perda de valor
  • indisponibilidade é risco econômico

E que o papel da manutenção moderna é simples de definir:

Garantir que o custo da manutenção seja sempre menor do que o custo da falha.

Empresas que compreendem essa equação — especialmente em ambientes de alto ICIO — transformam a manutenção em algo muito maior que um centro de despesas.

Transformam-na em um dos pilares da sustentabilidade operacional e da competitividade empresarial.

Aproveitando que voce chegou até aqui neste meu texto, acesse o link e baixe gratuitamente seu exemplar da edição 2025 do Anuário da Gestão de Ativos no Brasil

 



Patrocínios