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A INFORMALIDADE NA MANUTENÇÃO: O INIMIGO INVISÍVEL DA GESTÃO DE ATIVOS

por admin | 24 nov, 2025 | BLOGS, Paulo Walter | 0 comentários

A informalidade na manutenção é tão comum no Brasil que muita gente nem percebe mais o tamanho do risco que está assumindo.

Serviços sendo executados sem Ordem de Serviço, sem registro de horas, sem apontamento de materiais, sem APR, sem LOTO, sem informar a Segurança do Trabalho.
É o famoso “quebra-galho”.
E ele acontece por vários motivos conhecidos:

  • “É rapidinho.”
  • “Deixa comigo, não precisa abrir OS.”
  • “É só um tempinho, não precisa parar a máquina.”
  • “Salvar o pessoal da operação.”
  • “Evitar burocracia.”
  • “Mostrar serviço.”

Mas o fato é: a informalidade é o maior inimigo da Gestão de Ativos Físicos no Brasil.

E digo isso com base em dezenas de auditorias, diagnósticos e benchmarks realizados ao longo de quase 40 anos de atuação em indústrias de todos os portes e setores.


O que a informalidade destrói (e quase ninguém enxerga)

1. Confiabilidade dos Ativos

Sem registro → não há histórico.
Sem histórico → não há análise de falhas.
Sem análise → MTBF e MTTR viram ficção.

2. Segurança Operacional

O maior risco está aqui.
E a maioria dos acidentes graves envolve alguma forma de informalidade.

3. Indicadores (falsos)

A informalidade é o que mais falseia KPI:

  • aparenta backlog baixo,
  • reduz falsamente corretivas,
  • desvia horas,
  • gera “heróis” que apagam incêndios — mas criam outros.

4. Custos

Horas que não aparecem → custo que não aparece.
Material sem apontamento → estoque que “some”.
Corretivas informais → orçamento que nunca fecha.

5. Governança e Compliance

A ISO 55001 e a ISO 19011 deixam claro:
Sem evidência, não existe gestão.


Por que a informalidade acontece?

Porque é rápida.
Porque é cultural.
Porque é aceita.
Porque evita atrito.
Porque o processo formal muitas vezes é ruim, lento ou não funciona.

E porque falta uma palavra-chave:

Responsabilização.


O que mostram os índices do mercado brasileiro?

(com base em pesquisas nacionais, auditorias e dados de campo)

  • 25% a 60% das intervenções nas empresas brasileiras são informais
  • Setor público / infraestrutura: até 85%
  • Horas não registradas: 15% a 40%
  • Materiais não apontados: 10% a 30%
  • Incidentes graves envolvendo informalidade: 70%

Estes números explicam por que tantos indicadores parecem “bons”, mas o chão-de-fábrica vive colapsado.


Como minimizar a informalidade?

1. Simplifique o processo formal

Ordem de Serviço não pode ser um tormento.
Processo ruim gera atalho.

2. Aprimore o PCM

Planejamento fraco → informalidade forte.

3. Responsabilização (com bom senso)

Sem punição irracional, mas com critério.
A Operação também é corresponsável.

4. Auditoria e governança

Sem verificação, não muda nada.

5. Cultura e exemplo da liderança

Disciplina operacional é comportamento.
Comportamento se constrói pela liderança, não pela planilha.


Minha recomendação final

O que não é registrado não existe.
E o que não existe não pode ser gerido.

Todos nós temos histórias de “quebra-galho” na carreira.
Mas, na Gestão Moderna de Ativos, improviso não é virtude — é fragilidade.

Formalizar processos não é burocracia:
é proteger pessoas, ativos, orçamento, indicadores e reputação.


Para reflexão:

Qual percentual de informalidade existe hoje na sua operação?
E quanto isso está custando sem que você perceba?

Se quiser, posso ajudar você a medir, diagnosticar e reestruturar este ponto crítico dentro da sua empresa.

 



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