“Figaro qua, Figaro là, Figaro su, Figaro giù!” — o barbeiro mais famoso da história da ópera já corria feito doido por Sevilha dois séculos atrás, cortando cabelos, escovando bigodes, levando bilhetes de amor, dando conselhos e, se precisasse, arrancando um dente ou costurando um ferimento. Era o faz-tudo do bairro. Agora, dando aquela viajada, imagine Figaro reencarnado em pleno século XXI… mas dentro de uma indústria, usando EPI e segurando um tablet.
Se antes ele era “o homem mais solicitado de Sevilha”, hoje é o mais requisitado da planta. É técnico de manutenção, analista de falhas, psicólogo informal da equipe, orientador de jovens aprendizes, conhecedor profundo de normas da ISO, das NR, do TPM, do 5S, do OEE e até do ABC do PQP!
A verdade é que Figaro nunca deixou de existir. Ele só trocou a navalha por um multímetro, o avental por um colete refletivo e o bigode encerado por um crachá com QR code. Ainda atende todo mundo, ainda tem solução pra tudo, e continua com o mesmo lema: “Pronto pra servir, sempre ocupado, mas nunca indisponível!”
Barbeiro? Quase. Multitarefeiro? Com certeza!
Na ópera de Rossini, Figaro é o fio condutor da confusão: esperto, falante, criativo, sempre com um plano. No chão-de-fábrica, o Figaro moderno é assim também. Sabe onde está cada peça, quem mexeu na bomba hidráulica do setor 5, por que o sensor da esteira dá falso positivo e até quem terminou com quem no RH.
Mas agora ele precisa lidar com coisas que Rossini jamais imaginaria: sensores IoT, dashboards de indicadores, QR codes grudados nas máquinas, softwares preditivos, checklists digitais e aquela bendita atualização do SAP que só dá erro na hora do almoço.
Figaro 4.0 é especialista em TPM, mas também em “TPM emocional”: sabe quem está prestes a explodir, quem está desmotivado e quem só precisa de um café e cinco minutos de conversa pra voltar a funcionar direitinho.
Entre a graxa e a nuvem
Hoje, além de apertar parafuso, Figaro analisa dados. Muitos dados. Mais dados do que um barbeiro jamais sonhou. Cada vibração da máquina é monitorada. Cada parada é registrada. Cada manutenção corretiva é motivo de planilha, gráfico, análise de causa e plano de ação. E se bobear, tudo isso tem que ser falado em inglês técnico.
Mas ele segue firme, destemido, com sua caixa de ferramentas em uma mão e o celular com o app da manutenção na outra. Entre uma troca de rolamento e um diagnóstico de motor, ainda encontra tempo pra ouvir o desabafo do colega do turno da noite, aconselhar o estagiário perdido e lembrar ao gestor que falta graxa no estoque (e bom senso na reunião).
Polivalente é pouco. Figaro é pluri-existencial.
Barbeiro, cirurgião, dentista, psicólogo, conselheiro amoroso, conselheiro profissional, conselheiro… ponto final. Figaro agoar é quase um oráculo com macacão. Numa manhã, ele troca um sensor e evita uma parada milionária. À tarde, dá um jeitinho na empilhadeira “só até chegar a peça”. E no fim do dia, ainda participa de um comitê de melhorias, sugere mudanças na NR-12 e orienta o novo contratado sobre como lidar com o gerente do turno.
Com um sorriso no rosto e uma ironia leve na fala, vai levando o mundo nas costas, sem perder o charme nem a caneta de anotações (que ele prende na orelha como se fosse pente de barbeiro). Se tivesse tempo, escreveria um tratado sobre como manter máquinas e pessoas funcionando em harmonia. Mas como não tem, anota tudo no caderno de manutenção — aquele que todo mundo consulta, mas ninguém sabe onde está.
E no final… aplausos!
Assim como na ópera, a plateia da vida real aplaude Figaro. Nem sempre com flores ou cantos, mas com um “valeu, irmão”, um “se não fosse você hoje…”, ou aquele silêncio respeitoso de quem sabe que, por trás do som da furadeira, tem um ser humano que faz mágica com poucas ferramentas e muito coração.
Rossini talvez se orgulhasse de ver seu personagem transformado em herói fabril. Porque Figaro continua sendo o mesmo: rápido, astuto, cheio de recursos — e absolutamente essencial.
Se você vir alguém correndo pela fábrica, falando com três pessoas ao mesmo tempo, sorrindo enquanto resolve problemas e ainda encontrando um jeito de animar a equipe… pode ter certeza:
É Figaro. De Sevilha para o chão-de-fábrica.
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