A escassez de profissionais qualificados tem se tornado um dos principais gargalos da indústria brasileira. Mesmo em um cenário de recuperação econômica e mercado de trabalho aquecido, empresas relatam dificuldade crescente para contratar técnicos, operadores especializados e profissionais com formação em automação, manutenção e processos industriais avançados.
E o impacto vai além da área de recursos humanos, atingindo diretamente os custos operacionais, a segurança das operações e os níveis de produtividade.
Dados recentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que cerca de um quarto das indústrias brasileiras apontam a falta de mão de obra qualificada como um dos principais entraves ao desempenho produtivo. O problema se intensifica em segmentos como mecatrônica, eletromecânica, programação de máquinas e manutenção de equipamentos industriais automatizados.
Na prática, a ausência de profissionais capacitados provoca atrasos na manutenção preventiva, probabilidade maior de acidentes de trabalho, retrabalho, aumento de falhas técnicas, paralisações inesperadas e desperdício de matéria-prima. Para o técnico em mecatrônica e CEO da Erluma Comércio de Máquinas e Manutenção Industrial, Jurandir de Sousa, o problema é estrutural e exige planejamento. “A indústria evoluiu para um nível de automação e digitalização que exige competências muito mais complexas. Hoje é necessário interpretar dados, integrar sistemas, compreender sensores, programação e aplicar manutenção preditiva com precisão”, explica.
Segundo Jurandir, diante da dificuldade para contratar profissionais qualificados, muitas indústrias recorrem a soluções emergenciais, como a realização frequente de horas extras, contratações temporárias e o deslocamento de profissionais menos experientes para funções críticas. Esse tipo de estratégia, embora resolva demandas imediatas, também tende a aumentar o risco de erros operacionais, comprometer a qualidade final dos produtos e gerar custos indiretos.
O cenário é ainda mais desafiador diante da evolução tecnológica das máquinas, o que exige competências digitais e domínio de tecnologias integradas. Nesse ponto, Jurandir de Sousa pontua que a solução passa por investimentos contínuos em capacitação técnica e parcerias entre empresas e instituições de ensino. “Não é apenas responsabilidade do governo ou das escolas técnicas, as empresas também precisam criar programas internos de formação e retenção de talentos”, conclui.
Em suma, a falta de profissionais qualificados deixa de ser apenas uma dificuldade operacional. Indústrias que não buscam soluções para essa lacuna tendem a conviver com custos mais altos, maior vulnerabilidade operacional e menor capacidade de crescimento sustentável.
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