Você já parou para pensar que talvez esteja liderando, neste exato momento, uma equipe formada por profissionais nascidos em cinco décadas diferentes? É isso mesmo. Do baby boomer que chegou à empresa antes da internet (que voce pode ser um deles) até o recém-contratado da geração Z que já nasceu conectado — todos, sob sua responsabilidade, procurando entregar valor à Gestão de Ativos.
Essa convivência geracional, longe de ser um problema, é uma das maiores riquezas (e também um dos maiores desafios) para quem lida com Manutenção Industrial e Predial, Facilities e Engenharia de Ativos. Mas para que esse potencial se converta em resultados continuados, é preciso constantemente rever posturas de liderança, desenvolvimento de carreira (sua e de seu pessoal) e até as definições do que vem a ser um “bom perfil profissional”.
A linha de produção (operação) mudou, e o perfil ideal também
Nas bancadas das oficinas da Manutenção, durante muito tempo, predominou o modelo do profissional “faz-tudo”, valorizado principalmente nas empresas com recursos escassos, onde um bom eletricista também era serralheiro e, se precisasse, ainda cuidava da limpeza da caldeira. Com o tempo, e a crescente complexidade dos ativos, vieram as especializações, as certificações e o técnico virou engenheiro de manutenção, analista de dados, inspetor de vibração.
Agora, há um tsunami acontecendo com a chegada da Inteligência Artificial, da acessibilidade à manutenção preditiva com IoT, da gestão digital de facilities e do gêmeo digital, mudando novamente as peças no tabuleiro: é crescente a importancia, a necessidade dos perfis híbridos — profissionais capazes de traduzir o conhecimento técnico tradicional em linguagem digital e vice-versa. Gente que compreende o comportamento de uma bomba centrífuga e, ao mesmo tempo, sabe configurar o dashboard de KPIs em um software CMMS com IA. Um tipo novo de “faz-tudo”.
Conhecimento técnico ou habilidades sociais? A resposta é sim, sim.
Nunca foi tão necessário saber fazer, mas também nunca foi tão valioso saber liderar, escutar, negociar, traduzir saberes e criar pontes entre mundos diferentes.
A geração Y e Z, por exemplo, valoriza ambientes colaborativos, propósito, flexibilidade. Já os baby boomers e a geração X trazem consigo o senso de responsabilidade, a cultura do compromisso, o conhecimento empírico e histórico sobre os ativos e os sistemas.
A integração dessas forças é estratégica. Usando um lema que se usa no show-business, “o show tem que continuar” quando um técnico experiente se aposenta, levando consigo não apenas o conhecimento, mas os atalhos, os truques e os alertas que nunca estiveram documentados. É por isso que cada desligamento não planejado é também uma pequena perda patrimonial para a empresa.
A batalha da retenção de conhecimento
As empresas mais maduras na Gestão de Ativos Físicos já perceberam que não basta apenas investir em tecnologia. É preciso reter, desenvolver e redistribuir o conhecimento humano.
Isso exige ações concretas como:
Programas de mentoria reversa (onde o jovem ensina o sênior e vice-versa),
Sistemas de documentação e storytelling técnico,
Trilhas de desenvolvimento interno que permitam a evolução de “multifuncional” para “híbrido estratégico”,
Incentivo à autonomia com responsabilidade, criando espaço para a inovação sem perder o controle dos riscos.
E claro, exige líderes capazes de escutar mais do que mandam, conectar mais do que controlam e aprender tanto quanto ensinam.
O papel da liderança: menos comando, mais articulação
O líder que prospera neste novo cenário não é o que “sabe tudo”, mas o que sabe conectar pessoas e conhecimentos. Sua função é identificar os pontos fortes de cada geração, promover trocas e garantir que o conhecimento flua, não se perca.
Abro aqui um parenteses para o impacto da IA – Inteligencia Artificial para todos nós, não importa em que parte do processo ou função estejamos trabalhando no momento. Ignorar não é boa medida para a saúde e desesperar-se com ela é antecipar sofrimentos que podem nem se concretizar.
A IA pode ajudar muito nesse processo de renovação do exercício da liderança e o trabalho em equipe — com organização de dados, sistemas de recomendação, automação de tarefas —, mas ela ainda precisa da mente humana para interpretar, priorizar e adaptar. E é aí que os perfis híbridos ganham importância estratégica.
6 Dicas para Liderar Equipes Multigeracionais com Foco em Gestão de Ativos
Mapeie o conhecimento invisível Identifique os saberes tácitos dos mais experientes e encontre formas de registrá-los. Pode ser com vídeos, mentorias ou simples registros no software de manutenção.
Incentive duplas mistas Junte o sênior com o júnior em tarefas estratégicas. O aprendizado será recíproco, e o ganho de produtividade será perceptível.
Invista em habilidades comportamentais (soft skills) Saber operar um sistema é ótimo. Saber pedir ajuda, dar feedback, gerir conflitos e pensar em melhoria contínua é essencial.
Valorize o perfil híbrido e ofereça trilhas de formação para isso Estimule cursos que misturam tecnologia, engenharia e gestão. Incentive a curiosidade e a adaptação constante.
Promova a escuta ativa como ferramenta de gestão Um bom líder ouve mais do que fala. Dê espaço para que cada geração contribua com sua visão e experiências.
Use a tecnologia como ponte, não como muralha A IA deve ser vista como ferramenta, não substituto. Promova sua adoção com treinamentos, uso gradual e foco no apoio às decisões.
Conclusão
Em tempos de IA, ESG e digitalização, a liderança em Manutenção, Facilities e Gestão de Ativos Físicos deixou de ser apenas técnica. Ela se tornou um exercício diário de compreensão humana, articulação de saberes e construção de cultura organizacional.
Como diz uma frase que gosto muito: “O risco está lá. Tem sucesso quem encontra primeiro e sabe como tratar.” Com as equipes, é igual: o potencial está lá. Tem sucesso quem enxerga e sabe como liderar.
Se gostou deste conteúdo, compartilhe com seu time e acompanhe outros artigos no meu blog no www.manutencao.net e também aqui no LinkedIn.
Dando a devida venia ao Compliance e a Governaça corposrativa, é possível construir um futuro mais estratégico, humano e sustentável para a Gestão de Ativos.
Paulo Roberto Walter Consultor em Gestão de Ativos Físicos | Diretor na Lima Walter Consultoria | www.indicadoresdegestao.com
Quer receber notícias como esta? Se inscreva agora!






