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Corrosão: o inimigo silencioso da Gestão de Ativos

por admin | 21 maio, 2026 | BLOGS, Paulo Walter | 0 comentários

Precisamos falar sobre corrosão.

Todo dia é dia de melhorar e, quando possível, inovar. Assim progride a humanidade. E não é diferente aqui na nossa seara da Gestão de Ativos, no mundo da Manutenção Industrial e Predial. Por isso precisamos falar sobre corrosão.

Até já comecei a falar sobre este tema em uma postagem anterior, aqui mesmo neste Blog: https://manutencao.net/gestao-de-ativos-classe-mundial-precisamos-falar-sobre-corrosao/

O fato é que nos nossos trabalhos de avaliação e diagnósticos, nos planos de manutenção, nas especificações técnicas, a corrosão sempre foi tratada lateralmente, distanciadamente indireta, nunca como algo concreto, permanente, perigoso e muitas vezes invisível. Raras vezes foi incluida na matriz de riscos.

Durante muitos anos a corrosão, apelidada genericamente de ferrugem, foi considerada e tratada por diversas organizações apenas como um problema de manutenção estética ou desgaste natural dos equipamentos. Porém, na moderna Gestão de Ativos, essa visão tornou-se ultrapassada e perigosa.

A corrosão é hoje reconhecida como um dos principais fatores de degradação física de ativos industriais, impactando diretamente:

  • confiabilidade operacional;
  • disponibilidade;
  • segurança dos trabalhadores;
  • meio ambiente;
  • custos operacionais;
  • vida útil dos equipamentos;
  • eficiência energética;
  • continuidade produtiva;
  • compliance regulatório;
  • sustentabilidade empresarial.

Em muitos segmentos industriais, os custos associados à corrosão representam bilhões em perdas anuais, seja através de falhas inesperadas, vazamentos, contaminações, paradas emergenciais, redução de eficiência operacional ou substituição prematura de equipamentos.

E o mais preocupante: a corrosão normalmente evolui de forma silenciosa, progressiva e cumulativa.

Quando seus efeitos tornam-se visíveis, Ines é morta, sendo que muitas vezes os danos estruturais já estão avançados.

Muito além da ferrugem

Um dos grandes erros dos nossos técnicos é associar corrosão apenas à ferrugem visível em estruturas metálicas.

Na prática, a corrosão pode ocorrer de diversas formas:

  • corrosão atmosférica;
  • galvânica;
  • eletroquímica;
  • microbiológica;
  • sob isolamento;
  • por abrasão;
  • erosão-corrosão;
  • corrosão por pite;
  • corrosão sob tensão;
  • corrosão química em ambientes agressivos.

Cada mecanismo possui causas, velocidades e consequências diferentes.
E justamente por isso a Gestão de Ativos moderna exige cada vez mais integração entre:

  • engenharia;
  • manutenção;
  • inspeção;
  • materiais;
  • operação;
  • segurança;
  • meio ambiente;
  • gestão de riscos.

Ambientes agressivos aceleram o envelhecimento dos ativos

A severidade do ambiente operacional influencia diretamente a velocidade de deterioração dos equipamentos.
Fatores diversos podem reduzir drasticamente a vida útil dos ativos quando não existem estratégias adequadas de proteção e monitoramento. A lista não é pequena:

  • umidade;
  • salinidade;
  • presença de produtos químicos;
  • gases agressivos;
  • altas temperaturas;
  • condensação;
  • poluição industrial;
  • ambientes offshore;
  • atmosferas marítimas;

É exatamente por isso que normas internacionais como a ISO 12944 e a ISO 9223 classificam os ambientes conforme seu nível de corrosividade, permitindo que empresas adotem soluções técnicas compatíveis com os riscos existentes.

Corrosão e Gestão de Riscos caminham juntas

Diferentemente da realidade que acontece no nosso chão de fábrica, nas nossas fábricas e indústria, a corrosão não deveria ser tratada apenas como um tema de manutenção corretiva.

A Corrosão precisa ser considerada assim, com letra maiúscula, fazendo parte de caso pensado da estratégia corporativa de Gestão de Ativos.

São poucas, pouquissimas eu diria, mas empresas de ICIO elevado e madura na Gestão de Ativos já compreenderam que é muito mais barato do que administrar acidentes, paradas não planejadas ou falhas catastróficas e investir em:

  • inspeção;
  • monitoramento;
  • revestimentos;
  • engenharia de materiais;
  • manutenção preditiva;
  • proteção catódica;
  • análise de integridade;
  • digitalização;
  • sensores online;

A coisa é séria e em operações críticas, a corrosão pode representar:

  • risco de explosões;
  • contaminações ambientais;
  • vazamentos tóxicos;
  • perdas humanas;
  • danos reputacionais;
  • multas regulatórias;
  • interrupções produtivas severas.

A nova visão da Gestão de Ativos

A moderna Gestão de Ativos deixa claro que o objetivo não é apenas “consertar equipamentos”.

O foco passou a ser:

  • preservar valor;
  • controlar riscos;
  • ampliar vida útil;
  • garantir confiabilidade;
  • assegurar continuidade operacional;
  • reduzir exposição financeira;
  • proteger pessoas e meio ambiente.

E dentro dessa lógica, a gestão da corrosão assume papel estratégico.

Empresas que ignoram esse tema normalmente convivem com:

  • aumento de backlog;
  • crescimento da manutenção emergencial;
  • indisponibilidade;
  • aumento de custos ocultos;
  • baixa previsibilidade operacional;
  • envelhecimento acelerado da planta.

Por outro lado, organizações que tratam corrosão de forma estruturada conseguem ampliar significativamente a confiabilidade e a sustentabilidade de seus ativos ao longo do ciclo de vida.

Conclusão

A corrosão não é apenas um fenômeno físico. Ela é um indicador silencioso da saúde operacional de uma organização.

Quanto mais agressivo o ambiente, maior deve ser o nível de atenção técnica, engenharia, inspeção e maturidade da Gestão de Ativos. Ignorar a corrosão é permitir que pequenos mecanismos invisíveis se transformem, ao longo do tempo, em grandes crises operacionais.

E na moderna indústria, onde disponibilidade, segurança e ESG são fatores estratégicos, controlar a corrosão deixou de ser apenas uma atividade técnica.

Passou a ser uma questão de sobrevivência operacional e competitividade empresarial.

Deixe seu comentário e vamos ampliar a conversa.



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