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Sigga Technologies: Estamos iniciando a nossa série de entrevistas com personagens-chave do nosso mercado de trabalho. Buscamos conversar com profissionais que são realizadores, podem agregar valor aos processos, valorização da nossa atividade, empreendedores, gerentes, tomadores de decisão, executivos de empresas de ponta.

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EntrMarcelo Avelar da SIGGA Technologiesevista é com Marcelo Avelar, Diretor de Vendas da Sigga Technologies

Saber a opinião de gente qualificada sobre o que vem por aí, quais as ameaças e oportunidades que vislumbram os atores ativos do nosso universo chamado Gestão de Ativos.

E nossa primeira entrevista é com Marcelo Avelar, Diretor de Vendas da Sigga Technologies, que gentilmente aceitou nosso convite e respondeu aos nossos questionamentos de forma aberta e muito profissional.

 

Pergunta 1 – Manutencao.net para Sigga Technologies:

Marcelo, obrigado por nos conceder essa entrevista. Vamos começar pela Evolução Tecnológica e a “Manutenção 5.0” (Tendência). Sabemos que a digitalização, IoT e Inteligência Artificial já são realidade em muitas plantas. No entanto, olhando para a maturidade do mercado hoje, como você avalia a transição real da manutenção ‘reparadora’ para uma gestão de ativos baseada em dados preditivos e prescritivos? Na sua visão, qual é a maior barreira atual para essa implementação plena: custo, cultura ou tecnologia?

Marcelo:
“Estamos em processo. Temos uma forte transição da manutenção reparadora para um modelo baseado em dados, que, registre-se, ainda acontece de forma desigual no mercado.

Em muitas empresas, já existe coleta de dados via sensores, mobilidade e integração com ERP, mas esses dados ainda são pouco utilizados para orientar decisões de planejamento, priorização e investimento. Isso indica que a tecnologia básica já está presente em boa parte das plantas, enquanto o uso estratégico dessa informação ainda está em estágio intermediário. A principal barreira hoje é cultural e de gestão do processo.

Em vários projetos, o desafio não está em implantar a ferramenta, mas em alinhar rotinas, indicadores e responsabilidades para que a organização confie nos dados e passe a decidir com base neles. Quando não há clareza sobre quais decisões serão tomadas a partir da informação, a tecnologia vira apenas registro operacional e perde valor estratégico. O custo deixou de ser o fator limitante na maioria dos casos, porque as soluções estão mais acessíveis e escaláveis do que há alguns anos.

A tecnologia também não é mais o gargalo principal, já que existe maturidade suficiente em mobilidade, integração com SAP e plataformas analíticas. O que realmente define o avanço é a capacidade da liderança de estruturar processos, definir critérios claros de sucesso e conduzir a mudança no dia a dia da operação.

Na prática, as empresas que avançam mais rápido são aquelas que começam com objetivos muito concretos, como reduzir backlog crítico, aumentar confiabilidade de ativos específicos ou melhorar acurácia do planejamento. Quando esses objetivos estão bem definidos, a adoção de preditivo e prescritivo deixa de ser um discurso tecnológico e passa a ser uma ferramenta direta de resultado operacional.”

Pergunta 2. manutencao.net para Sigga Technologies:


O Perfil do Profissional necessário às demandas da Manutenção e o “Apagão de Mão de Obra” (Ameaça) existe uma preocupação global com a escassez de mão de obra técnica qualificada e o envelhecimento da força de trabalho atual. Considerando as novas competências exigidas (análise de dados, soft skills, visão financeira), quais você considera serem as maiores ameaças para a carreira do profissional de manutenção tradiciona
l nos próximos anos? O técnico ‘chão de fábrica’ corre o risco de obsolescência ou ele apenas mudará de função?

Marcelo:
“É fato. A escassez de mão de obra qualificada já impacta diretamente a rotina de muitas operações, principalmente em funções técnicas críticas e em posições de liderança intermediária. Esse cenário tende a se intensificar porque parte relevante dos profissionais mais experientes está próxima da aposentadoria e a reposição não ocorre na mesma velocidade. A maior ameaça para a carreira do profissional de manutenção tradicional está na dificuldade de adaptação às novas exigências do ambiente operacional. Hoje, o técnico que executa bem a atividade mecânica ou elétrica, mas não consegue registrar dados corretamente, interpretar informações de falha ou dialogar com planejamento e gestão, perde espaço em estruturas mais digitalizadas.

Isso não ocorre por limitação técnica, mas porque a função passa a exigir leitura de contexto, disciplina de processo e capacidade de decisão com base em informação. O técnico de campo não caminha para a obsolescência, mas para uma mudança clara de papel. Em operações mais maduras, ele deixa de ser apenas um executor de ordens e passa a atuar como um agente ativo da confiabilidade, contribuindo com diagnóstico, priorização e melhoria contínua. Esse movimento já é visível em clientes que adotaram mobilidade e integração com SAP, onde o próprio técnico identifica padrões de falha e contribui para ajustes no plano de manutenção.

A implicação prática para empresas é investir mais em capacitação comportamental e analítica do que apenas em treinamento técnico tradicional. A implicação para o profissional é entender que domínio de processo, leitura de indicadores e comunicação com outras áreas passam a ser tão relevantes quanto o conhecimento técnico da máquina.”

Pergunta 3 – Manutencao.net para Sigga Technologies:

É incontornável falar sobre ESG, Sustentabilidade, Eficiência Energética como Oportunidades ou Ameaças ou simples exigencia básica. Todo mundo sabe que a Gestão de Ativos (ISO 55000) tem se tornado um pilar fundamental para as metas de ESG das corporações, especialmente no que tange à eficiência energética e extensão da vida útil dos equipamentos. Na sua opinião de que forma os gestores da área podem utilizar a pauta de sustentabilidade para transformar o departamento de um ‘centro de custo’ para um ‘gerador de valor’ estratégico dentro das empresas?

Importantissima essa pergunta. A gestão de ativos conectada à pauta de sustentabilidade oferece uma base objetiva para reposicionar a manutenção como área geradora de valor. Quando o gestor consegue demonstrar, com dados, o impacto da confiabilidade dos ativos sobre consumo energético, perdas de produção e vida útil dos equipamentos, a discussão deixa de ser operacional e passa a ser financeira. Na prática, isso começa com visibilidade de dados confiáveis. Soluções como o Sigga Empower, integradas ao SAP, permitem capturar informações de campo com rastreabilidade e transformar esses registros em indicadores acionáveis.

Com esse nível de controle, o gestor consegue demonstrar, por exemplo, quais ativos consomem mais energia por falha recorrente, onde existe desperdício por operação fora de condição ideal e quais intervenções têm maior retorno ambiental e econômico. A eficiência energética se torna mensurável quando existe correlação entre condição do ativo, plano de manutenção e consumo.

Plataformas como o Sigga Planning & Scheduling ajudam a estruturar rotinas que evitam sobrecarga de equipamentos, reduzem paradas emergenciais e melhoram o aproveitamento da capacidade instalada. Isso impacta diretamente metas de ESG, porque reduz consumo, reduz descarte prematuro de ativos e melhora previsibilidade operacional.

Pergunta 4 – Manutencao.net para Sigga Technologies:


Falemos agora do Cenário Econômico e a Resiliência (Contexto Geral) a que todos estamos submetidos. Diante das flutuações econômicas e da pressão por redução de custos operacionais (OPEX), as empresas tendem a contingenciar orçamentos de manutenção. Na sua opinião quais são as grandes tendências para blindar a gestão de ativos contra crises futuras? A terceirização (outsourcing) estratégica e a ‘servitização’ (pagar pelo uso e não pelo ativo) ganharão mais força ou veremos um retorno à primarização?

Marcelo:
“A pressão por redução de OPEX costuma levar muitas empresas a cortes lineares em manutenção, o que historicamente gera aumento de falhas, perda de disponibilidade e custo oculto no médio prazo. Organizações mais maduras já tratam a gestão de ativos como disciplina estratégica e utilizam dados para proteger o orçamento de decisões reativas.

A principal tendência para blindar a área contra crises é a capacidade de demonstrar impacto financeiro com base em indicadores confiáveis. Quando o gestor consegue provar, por exemplo, quanto cada ponto percentual de disponibilidade impacta o faturamento ou quanto a redução de backlog crítico reduz risco operacional, a discussão deixa de ser custo e passa a ser retorno.

Soluções como o Sigga Empower e o Sigga Planning and Scheduling contribuem para essa rastreabilidade ao estruturar a execução em campo e a qualidade das informações registradas no SAP.

A terceirização tende a continuar crescendo em operações que buscam flexibilidade e especialização, principalmente em atividades de alta complexidade técnica. Esse modelo só se sustenta quando há governança sobre dados, processos e desempenho dos prestadores.

Plataformas integradas como o Sigga Planning and Scheduling ajudam a estruturar regras de priorização, controle de capacidade e monitoramento de execução, o que permite terceirizar com controle e não apenas com transferência de responsabilidade.

Por outro lado sabemos que a primarização segue relevante em operações críticas, onde conhecimento do ativo e domínio do processo são fatores de risco. Nesses casos, o investimento em digitalização ganha ainda mais importância porque reduz dependência de indivíduos e preserva conhecimento operacional dentro da organização. Empresas que estruturam mobilidade, padronização de processos e histórico confiável de ativos com soluções como o Sigga Empower conseguem manter equipes próprias mais enxutas e mais produtivas, mesmo em cenários de restrição.

A implicação prática para os gestores é clara. Quem estrutura dados, processo e governança antes da crise entra no período de pressão com capacidade de defender investimento. Quem não faz esse trabalho tende a perder orçamento e, depois, pagar um custo maior para recuperar confiabilidade e desempenho operacional.

Pergunta 5 – Manutencao.net para Sigga Technologies:

Gestão da Informação e a Inteligência do PCM (Estratégia) são a pedra de toque de uma Gestão de Ativos eficaz. Mas ainda observamos um abismo entre possuir um software de gestão (CMMS/EAM) e ter, de fato, informação de qualidade para a tomada de decisão. Muitas vezes, o PCM acaba focado apenas na burocracia das Ordens de Serviço. Na sua opinião, qual é o segredo para garantir dados confiáveis e em tempo real que permitam um planejamento realmente eficaz? Como traduzir indicadores técnicos (disponibilidade, confiabilidade) em resultados de negócio compreensíveis para a diretoria?

Marcelo:
“Essa pergunta vai no alvo que toda empresa busca para ser efetiva.
O problema não está na ausência de sistemas, mas na forma como eles são utilizados no processo. Em muitas operações, o CMMS ou o EAM está implantado, porém a coleta de dados acontece de forma incompleta, tardia ou sem critério, o que compromete qualquer análise posterior.

O primeiro fator crítico para garantir informação confiável é estruturar o fluxo de trabalho no campo, porque a qualidade do dado nasce na execução e não no relatório. Na prática, isso exige disciplina operacional, padrões claros e ferramentas que facilitem o registro correto. Soluções como o Sigga Empower, integradas ao SAP, ajudam a garantir que o técnico registre informações no momento da execução, com campos estruturados, regras de preenchimento e rastreabilidade. Isso reduz subjetividade, diminui retrabalho e aumenta consistência do histórico do ativo. Sem esse nível de controle na origem, qualquer indicador passa a ser apenas uma estimativa.

O segundo ponto é o papel do PCM. Quando o planejamento se limita a abrir e fechar ordens de serviço, ele se torna burocrático. Quando o PCM passa a operar com critérios claros de priorização, balanceamento de capacidade e conexão direta com metas operacionais, ele passa a ser um motor de resultado. Ferramentas como o Sigga Planning & Scheduling permitem transformar o planejamento em um processo estruturado, onde backlog, criticidade e restrições operacionais são tratados de forma objetiva e visível.

A tradução dos indicadores técnicos para linguagem de negócio exige conexão direta entre dados operacionais e impacto financeiro. Disponibilidade, confiabilidade e aderência ao plano só fazem sentido para a diretoria quando estão ligados a produção perdida, custo evitado, risco mitigado ou eficiência energética.
Quando o gestor consegue mostrar, por exemplo, que a melhoria na programação reduziu horas extras, aumentou throughput ou evitou paradas não planejadas, o indicador deixa de ser técnico e passa a ser um argumento econômico.

O critério prático é simples e deve ser lembrado sempre. Dados confiáveis exigem processo bem desenhado e execução disciplinada.

Pergunta 6 – Manutencao.net 

Chegamos ao final da entrevista e o tema desta ultima pergunta é quase de futurologia. Considerando o cenário econômico, tecnológico e de capital humano atual, como você define o seu nível de confiança para o setor de Gestão de Ativos e Manutenção ao longo do ano de 2026? Numa escala de 0 (Pessimista Crítico) a 5 (Muito Otimista / Visionário) qual a sua nota?

Essa é fácil. Minha nota é 5, sabendo que não sou visionário mas um otimista de carteirinha. 2026 será um ano de virada. A tecnologia (IA, IoT, Machine Learning, Automação) e a pauta ESG colocarão a gestão de ativos no centro das decisões estratégicas das empresas. As empresas fornecedoras de bens e serviços devem estar preparadas para atender a demanda. E a turma que faz a Manutenção acontecer lá no chão de fábrica tem diante disso uma bela janela de oportunidades profissionais. Obrigado pela oportunidade de conversar com voces e o público da Gestão de Ativos em todo o Brasil.

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Leia também: Análise de Weibull como Cérebro de um ecossistema digital de prevenção de falhas

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