Precisamos falar sobre corrosão.
Todo dia é dia de melhorar e, quando possível, inovar. Assim progride a humanidade. E não é diferente aqui na nossa seara da Gestão de Ativos, no mundo da Manutenção Industrial e Predial. Por isso precisamos falar sobre corrosão.
Até já comecei a falar sobre este tema em uma postagem anterior, aqui mesmo neste Blog: https://manutencao.net/gestao-de-ativos-classe-mundial-precisamos-falar-sobre-corrosao/
O fato é que nos nossos trabalhos de avaliação e diagnósticos, nos planos de manutenção, nas especificações técnicas, a corrosão sempre foi tratada lateralmente, distanciadamente indireta, nunca como algo concreto, permanente, perigoso e muitas vezes invisível. Raras vezes foi incluida na matriz de riscos.
Durante muitos anos a corrosão, apelidada genericamente de ferrugem, foi considerada e tratada por diversas organizações apenas como um problema de manutenção estética ou desgaste natural dos equipamentos. Porém, na moderna Gestão de Ativos, essa visão tornou-se ultrapassada e perigosa.
A corrosão é hoje reconhecida como um dos principais fatores de degradação física de ativos industriais, impactando diretamente:
- confiabilidade operacional;
- disponibilidade;
- segurança dos trabalhadores;
- meio ambiente;
- custos operacionais;
- vida útil dos equipamentos;
- eficiência energética;
- continuidade produtiva;
- compliance regulatório;
- sustentabilidade empresarial.
Em muitos segmentos industriais, os custos associados à corrosão representam bilhões em perdas anuais, seja através de falhas inesperadas, vazamentos, contaminações, paradas emergenciais, redução de eficiência operacional ou substituição prematura de equipamentos.
E o mais preocupante: a corrosão normalmente evolui de forma silenciosa, progressiva e cumulativa.
Quando seus efeitos tornam-se visíveis, Ines é morta, sendo que muitas vezes os danos estruturais já estão avançados.
Muito além da ferrugem
Um dos grandes erros dos nossos técnicos é associar corrosão apenas à ferrugem visível em estruturas metálicas.
Na prática, a corrosão pode ocorrer de diversas formas:
- corrosão atmosférica;
- galvânica;
- eletroquímica;
- microbiológica;
- sob isolamento;
- por abrasão;
- erosão-corrosão;
- corrosão por pite;
- corrosão sob tensão;
- corrosão química em ambientes agressivos.
Cada mecanismo possui causas, velocidades e consequências diferentes.
E justamente por isso a Gestão de Ativos moderna exige cada vez mais integração entre:
- engenharia;
- manutenção;
- inspeção;
- materiais;
- operação;
- segurança;
- meio ambiente;
- gestão de riscos.
Ambientes agressivos aceleram o envelhecimento dos ativos
A severidade do ambiente operacional influencia diretamente a velocidade de deterioração dos equipamentos.
Fatores diversos podem reduzir drasticamente a vida útil dos ativos quando não existem estratégias adequadas de proteção e monitoramento. A lista não é pequena:
- umidade;
- salinidade;
- presença de produtos químicos;
- gases agressivos;
- altas temperaturas;
- condensação;
- poluição industrial;
- ambientes offshore;
- atmosferas marítimas;
É exatamente por isso que normas internacionais como a ISO 12944 e a ISO 9223 classificam os ambientes conforme seu nível de corrosividade, permitindo que empresas adotem soluções técnicas compatíveis com os riscos existentes.
Corrosão e Gestão de Riscos caminham juntas
Diferentemente da realidade que acontece no nosso chão de fábrica, nas nossas fábricas e indústria, a corrosão não deveria ser tratada apenas como um tema de manutenção corretiva.
A Corrosão precisa ser considerada assim, com letra maiúscula, fazendo parte de caso pensado da estratégia corporativa de Gestão de Ativos.
São poucas, pouquissimas eu diria, mas empresas de ICIO elevado e madura na Gestão de Ativos já compreenderam que é muito mais barato do que administrar acidentes, paradas não planejadas ou falhas catastróficas e investir em:
- inspeção;
- monitoramento;
- revestimentos;
- engenharia de materiais;
- manutenção preditiva;
- proteção catódica;
- análise de integridade;
- digitalização;
- sensores online;
A coisa é séria e em operações críticas, a corrosão pode representar:
- risco de explosões;
- contaminações ambientais;
- vazamentos tóxicos;
- perdas humanas;
- danos reputacionais;
- multas regulatórias;
- interrupções produtivas severas.
A nova visão da Gestão de Ativos
A moderna Gestão de Ativos deixa claro que o objetivo não é apenas “consertar equipamentos”.
O foco passou a ser:
- preservar valor;
- controlar riscos;
- ampliar vida útil;
- garantir confiabilidade;
- assegurar continuidade operacional;
- reduzir exposição financeira;
- proteger pessoas e meio ambiente.
E dentro dessa lógica, a gestão da corrosão assume papel estratégico.
Empresas que ignoram esse tema normalmente convivem com:
- aumento de backlog;
- crescimento da manutenção emergencial;
- indisponibilidade;
- aumento de custos ocultos;
- baixa previsibilidade operacional;
- envelhecimento acelerado da planta.
Por outro lado, organizações que tratam corrosão de forma estruturada conseguem ampliar significativamente a confiabilidade e a sustentabilidade de seus ativos ao longo do ciclo de vida.
Conclusão
A corrosão não é apenas um fenômeno físico. Ela é um indicador silencioso da saúde operacional de uma organização.
Quanto mais agressivo o ambiente, maior deve ser o nível de atenção técnica, engenharia, inspeção e maturidade da Gestão de Ativos. Ignorar a corrosão é permitir que pequenos mecanismos invisíveis se transformem, ao longo do tempo, em grandes crises operacionais.
E na moderna indústria, onde disponibilidade, segurança e ESG são fatores estratégicos, controlar a corrosão deixou de ser apenas uma atividade técnica.
Passou a ser uma questão de sobrevivência operacional e competitividade empresarial.
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