Evento ocorre em 12 de maio, no Rio de Janeiro, e quer aproximar iniciativa privada, poder público, universidades e entidades técnicas de todo o país em torno de ações de prevenção
Representantes do setor industrial brasileiro, técnicos, especialistas, universidades e representantes do poder público irão se reunir, na próxima terça-feira (12), no 1º Fórum Brasileiro de Combate à Corrosão. O encontro inédito no país ocorre no Rio de Janeiro, no Hotel Windsor Florida, no Flamengo.
O Centro Tecnológico de Corrosão Fernando Fragata (CTCFF) é o realizador do fórum, que acontece das 8h às 18h.
A corrosão é o desgaste progressivo de materiais, principalmente metais, causado pela ação do tempo, da umidade, da maresia, da poluição e de produtos químicos. É o processo responsável, por exemplo, pela ferrugem em estruturas metálicas, tubulações, pontes, prédios e equipamentos industriais.
Autoridades no assunto irão discutir um problema que ainda costuma ser tratado como tema restrito à engenharia e à indústria, mas que impacta diretamente a segurança da população, o meio ambiente e a economia.
No Brasil, os efeitos da corrosão aparecem em diferentes tipos de infraestrutura e ajudam a explicar desde interdições de edifícios até grandes desastres ambientais.
Em janeiro deste ano, parte da marquise de um edifício na zona norte do Recife (PE) desabou e levou à interdição do prédio de 18 andares. Há ainda casos como o da caixa d’água que desabou numa escola pública no Povoado Campo Grande, no interior do Sergipe, em 2017, o que levou à morte de duas crianças e deixou 20 feridos.
Os episódios são exemplos de como o desgaste progressivo dos materiais pode comprometer estruturas e expor a população a riscos evitáveis,
Para o CTCFF, o combate à corrosão precisa deixar de ser discutido de forma fragmentada e passar a integrar o debate sobre segurança estrutural, gestão de risco, proteção ambiental e eficiência econômica.
“Corrosão não gera apenas ferrugem, reparo e gasto”, alertou Thomas Fink, presidente do CTCFF. “Ela também pode desencadear vazamentos, contaminação, degradação de equipamentos críticos e desastres ecológicos. Há milhares de pontes, estádios, prédios, dutos e estruturas metálicas que demandam urgentemente de intervenções, inspeções e manutenção. Precisamos de uma mobilização nacional e contínua para evitar acidentes que podem machucar pessoas seriamente, além de gerar perdas financeiras brutais”, pontuou.
Thomas Fink destaca que o evento já articula a criação de comitês como o Acadêmico e de Pesquisa Científica, que reúne universidades, centros de pesquisa e pesquisadores para apresentação de estudos, desenvolvimento de novas metodologias e formação de conhecimento na área de corrosão. além desse, será criado o Comitê Executivo de Sustentabilidade e Meio Ambiente, que explora a relação entre corrosão, impactos ambientais e soluções sustentáveis, incluindo prolongamento da vida útil de ativos e redução de resíduos e emissões.
O CUSTO BILIONÁRIO DA CORROSÃO
A Association for Materials Protection and Performance (AMPP) estima que o custo global da corrosão chegue a cerca de US$ 2,5 trilhões por ano, o equivalente a 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. A entidade também afirma que práticas adequadas de controle podem reduzir esse impacto entre 15% e 35%, o que reforça a lógica de que prevenir custa menos do que corrigir danos já instalados.
CORROSÃO PROVOCOU DESASTRES QUE MARCARAM O BRASIL
No Brasil, alguns acidentes poderiam ter sido evitados por meio de ações preventivas. No Sul, a ponte pênsil entre Torres (RS) e Passo de Torres (SC) teve a corrosão como causa-base da ruptura, em 2023, com registro de uma morte.
No Nordeste, o colapso do antigo Estádio da Fonte Nova, em Salvador (BA), em 2007, deixou sete mortos e entrou para a história da engenharia como caso extremo de degradação estrutural associada à corrosão severa.
Já no Rio de Janeiro, o rompimento de um duto na Baía de Guanabara, em 2000, mostrou como falhas de integridade em sistemas de transporte podem ultrapassar o campo técnico e alcançar o patamar de desastre ambiental.
Com vazamento de mais de 1 milhão de litros de óleo, o episódio entrou para a história como um dos maiores desastres ecológicos do país, com forte impacto sobre a água, os ecossistemas da baía e as atividades econômicas ligadas à região. O caso decorreu do desgaste progressivo da estrutura e da perda de integridade da linha submersa.
“É por isso que o combate à corrosão não pode ficar restrito a equipes técnicas ou a iniciativas isoladas de empresas do segmento”, destacou Fink. “O país precisa aproximar poder público, setor privado, entidades técnicas, universidades e tecnologias de inspeção para ampliar a prevenção, melhorar a gestão de risco e reduzir perdas que hoje recaem sobre obras, operações, patrimônio, orçamento, meio ambiente e pessoas inocentes”, frisou.
O evento conta com apoio da Associação Brasileira de Corrosão (Abraco), da Association for Materials Protection and Performance (AMPP) e do Centro de Tecnologia em Dutos e Terminais (CTDUT).
A programação prevê painéis, palestras, debates institucionais e mesas-redondas voltadas à prevenção, à integridade estrutural, à proteção de ativos e à ampliação do debate público sobre corrosão.
Sobre o Centro Tecnológico de Corrosão Fernando Fragata (CTCFF)
Com sede no Rio de Janeiro, o Centro Tecnológico de Corrosão Fernando Fragata (CTCFF) é uma instituição criada
em 2018 para ampliar o debate sobre corrosão no Brasil e atuar como espaço de integração entre setor público, iniciativa privada, entidades técnicas, empresas e especialistas.
Seu propósito é fortalecer a prevenção, difundir conhecimento, incentivar boas práticas, promover soluções tecnológicas e contribuir para políticas e ações coordenadas que reduzam os impactos da corrosão sobre a infraestrutura, a segurança, a economia e o meio ambiente.
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