Por Jurandir de Sousa, técnico em mecatrônica e CEO da Erluma Comércio de Máquinas e Manutenção Industrial
Falhas técnicas inesperadas em equipamentos continuam sendo um dos maiores desafios da indústria brasileira. Além de comprometer prazos, produtividade e faturamento, essas falhas impactam diretamente a segurança, a qualidade dos produtos e a competitividade das operações. Na maioria dos casos, o problema não está em grandes acidentes, mas em falhas recorrentes, muitas vezes invisíveis, que poderiam ser evitadas com manutenção adequada, monitoramento e uso correto da tecnologia.
Entre as principais causas de paralisações industriais estão as falhas elétricas. Cabos mal dimensionados, conexões frouxas, sobrecargas e ausência de proteção adequada podem provocar desde quedas de energia até danos severos em motores e painéis. A prevenção passa por inspeções periódicas, uso de sensores para monitoramento de tensão e temperatura, além de sistemas que alertem sobre anomalias antes da falha ocorrer.
Outro ponto crítico são os problemas em motores e acionamentos. Desgaste de rolamentos, desalinhamento de eixos e variações de carga comprometem o desempenho e levam à parada total da linha. A adoção de manutenção preditiva, com análise de vibração e temperatura, permite identificar sinais de falha com antecedência e planejar intervenções sem interromper a produção.
As falhas em sistemas pneumáticos e hidráulicos também figuram entre as principais causas de paradas. Vazamentos, contaminação de fluidos e queda de pressão reduzem a eficiência e podem causar danos em cascata a outros componentes. Monitoramento contínuo, troca programada de filtros e sensores de pressão são medidas essenciais para evitar esse tipo de ocorrência.
Na área de automação, CLPs, sensores e sistemas de controle mal configurados ou desatualizados representam um risco significativo. Erros de comunicação, falhas de software ou incompatibilidade entre equipamentos podem interromper processos inteiros. A padronização de sistemas, atualização de firmware e testes regulares são práticas fundamentais para garantir a confiabilidade da automação industrial.
Outro fator frequentemente negligenciado é a manutenção reativa, quando a intervenção ocorre apenas após a falha. Esse modelo aumenta custos, reduz a vida útil dos equipamentos e eleva o risco de paradas prolongadas. A transição para estratégias preventivas e preditivas, apoiadas por dados e tecnologia, é hoje uma das principais tendências do setor industrial.
Por fim, a falta de capacitação técnica das equipes operacionais contribui para erros de operação e diagnóstico tardio de problemas. Investir em treinamento contínuo, documentação adequada e cultura de manutenção é tão importante quanto investir em máquinas modernas.
Evitar paradas industriais não depende apenas de equipamentos robustos, mas de uma visão integrada que combina tecnologia, processos e pessoas. Quando falhas são tratadas de forma estratégica, a indústria ganha em produtividade, segurança e eficiência, e transforma a manutenção em um aliado do crescimento sustentável.
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