A informalidade na manutenção é tão comum no Brasil que muita gente nem percebe mais o tamanho do risco que está assumindo.
Serviços sendo executados sem Ordem de Serviço, sem registro de horas, sem apontamento de materiais, sem APR, sem LOTO, sem informar a Segurança do Trabalho.
É o famoso “quebra-galho”.
E ele acontece por vários motivos conhecidos:
- “É rapidinho.”
- “Deixa comigo, não precisa abrir OS.”
- “É só um tempinho, não precisa parar a máquina.”
- “Salvar o pessoal da operação.”
- “Evitar burocracia.”
- “Mostrar serviço.”
Mas o fato é: a informalidade é o maior inimigo da Gestão de Ativos Físicos no Brasil.
E digo isso com base em dezenas de auditorias, diagnósticos e benchmarks realizados ao longo de quase 40 anos de atuação em indústrias de todos os portes e setores.
O que a informalidade destrói (e quase ninguém enxerga)
1. Confiabilidade dos Ativos
Sem registro → não há histórico.
Sem histórico → não há análise de falhas.
Sem análise → MTBF e MTTR viram ficção.
2. Segurança Operacional
O maior risco está aqui.
E a maioria dos acidentes graves envolve alguma forma de informalidade.
3. Indicadores (falsos)
A informalidade é o que mais falseia KPI:
- aparenta backlog baixo,
- reduz falsamente corretivas,
- desvia horas,
- gera “heróis” que apagam incêndios — mas criam outros.
4. Custos
Horas que não aparecem → custo que não aparece.
Material sem apontamento → estoque que “some”.
Corretivas informais → orçamento que nunca fecha.
5. Governança e Compliance
A ISO 55001 e a ISO 19011 deixam claro:
Sem evidência, não existe gestão.
Por que a informalidade acontece?
Porque é rápida.
Porque é cultural.
Porque é aceita.
Porque evita atrito.
Porque o processo formal muitas vezes é ruim, lento ou não funciona.
E porque falta uma palavra-chave:
Responsabilização.
O que mostram os índices do mercado brasileiro?
(com base em pesquisas nacionais, auditorias e dados de campo)
- 25% a 60% das intervenções nas empresas brasileiras são informais
- Setor público / infraestrutura: até 85%
- Horas não registradas: 15% a 40%
- Materiais não apontados: 10% a 30%
- Incidentes graves envolvendo informalidade: 70%
Estes números explicam por que tantos indicadores parecem “bons”, mas o chão-de-fábrica vive colapsado.
Como minimizar a informalidade?
1. Simplifique o processo formal
Ordem de Serviço não pode ser um tormento.
Processo ruim gera atalho.
2. Aprimore o PCM
Planejamento fraco → informalidade forte.
3. Responsabilização (com bom senso)
Sem punição irracional, mas com critério.
A Operação também é corresponsável.
4. Auditoria e governança
Sem verificação, não muda nada.
5. Cultura e exemplo da liderança
Disciplina operacional é comportamento.
Comportamento se constrói pela liderança, não pela planilha.
Minha recomendação final
O que não é registrado não existe.
E o que não existe não pode ser gerido.
Todos nós temos histórias de “quebra-galho” na carreira.
Mas, na Gestão Moderna de Ativos, improviso não é virtude — é fragilidade.
Formalizar processos não é burocracia:
é proteger pessoas, ativos, orçamento, indicadores e reputação.
Para reflexão:
Qual percentual de informalidade existe hoje na sua operação?
E quanto isso está custando sem que você perceba?
Se quiser, posso ajudar você a medir, diagnosticar e reestruturar este ponto crítico dentro da sua empresa.
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