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Com Redata em vigor, refrigeração ganha peso na conta dos data centers de IA no Brasil

por Manutenção.net Web | 30 out, 2026 | Eficiência Energética, Inteligência artificial, Tecnologia | 0 comentários

A expansão dos data centers no Brasil traz um desafio que vai além da capacidade de processamento: como dissipar o calor dos servidores sem elevar excessivamente o consumo de energia e água. Com o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), que prevê incentivos fiscais e contrapartidas ambientais para novos empreendimentos, a eficiência dos sistemas de refrigeração ganha peso nas decisões de investimento.

Entre as exigências do regime está um índice de eficiência hídrica de no máximo 0,05 litro de água por kWh. O limite coloca sob atenção os sistemas que utilizam evaporação de água para dissipar calor, justamente quando a inteligência artificial aumenta a carga térmica dos servidores. Enquanto o rack médio de um data center convencional opera perto de 8 kW, segundo o Uptime Institute, os sistemas NVIDIA GB200 NVL72 chegam a 125–130 kW, segundo a TrendForce. Como praticamente toda a energia consumida pelos servidores se converte em calor, configurações dessa densidade podem gerar cerca de 16 vezes mais calor por rack.

“O Redata transforma eficiência em condição de entrada. Um data center de IA que resolve o calor gastando água ou energia demais simplesmente deixa de fechar a conta fiscal, ambiental e operacional“, afirma Eládio Pereira, Regional Sales Driver para Compressores Comerciais da Danfoss do Brasil.

Mercado em aceleração

O movimento chega em um momento de expansão acelerada. Segundo levantamento da consultoria imobiliária global Cushman & Wakefield, a capacidade operacional de data centers do eixo São Paulo–Campinas cresceu 91% em um ano, passando de 346 MW no primeiro semestre de 2025 para 661 MW no mesmo período de 2026. Principal mercado da América Latina, o corredor reúne outros 250 MW em construção e 2.066 MW em projetos planejados, enquanto a vacância permanece em apenas 4,1%.

A concretização desse volume de projetos dependerá, entre outros fatores, da disponibilidade de energia, da infraestrutura e do licenciamento. O desafio energético também ganha escala mundial. A Agência Internacional de Energia (IEA) calcula que os data centers consumiram 415 TWh em 2024, cerca de 1,5% da eletricidade global, e projeta que a demanda mais que dobre até 2030, para perto de 945 TWh, com a IA como principal vetor.

Onde está a eficiência

Nesse cenário, o indicador que orienta os operadores é o PUE (Power Usage Effectiveness), a relação entre a energia total do data center e a energia efetivamente entregue aos equipamentos de TI. A média global está em 1,56, segundo o Uptime Institute, e praticamente não se move há seis anos. Em algumas instalações, a refrigeração responde por mais da metade do consumo total.

Cada décimo conta. Em um data center de 100 MW de carga de TI, sair de um PUE de 1,56 para 1,15 significa deixar de consumir cerca de 41 MW, o equivalente a uma usina de médio porte dedicada apenas a resfriar servidores.

É nesse ponto que a Danfoss posiciona o Turbocor, primeiro compressor centrífugo sem óleo e com mancais magnéticos do setor de climatização, com mais de 70 mil unidades instaladas no mundo. Sem atrito mecânico e sem óleo, o equipamento opera com motor de ímã permanente e ampla variação de velocidade, o que garante alta eficiência em carga parcial, e desempenho que não se degrada ao longo da vida útil. A linha cobre de 60 a 400 toneladas de refrigeração e já opera com fluidos de ultrabaixo potencial de aquecimento global, como o HFO-1234ze.

Os resultados aparecem em campo. Nos data centers da Edged, nos Estados Unidos e na Europa, chillers da ThermalWorks equipados com Turbocor TGS380 dispensam água no resfriamento e sustentam PUE médio de 1,15, com redução de 20% a 30% no consumo de energia em relação a chillers convencionais. Em um campus de tecnologia em San Diego, três chillers de 1.400 toneladas com 21 compressores Turbocor reduziram em 30% o custo anual de energia dos compressores.

“A escolha que o operador faz hoje no sistema de resfriamento vai definir o custo de energia e a licença para operar pelos próximos 15 ou 20 anos. Tecnologia sem óleo e de mancais magnéticos deixou de ser diferencial e virou premissa de projeto”, diz Eládio.

Portfólio além do compressor

A atuação da Danfoss em data centers vai além da refrigeração. Na Equinix, em Amsterdã, cerca de 135 conversores de frequência VLT HVAC Drive controlam bombas e ventiladores do sistema de climatização, com retorno do investimento em poucos meses e foco direto na redução do PUE. O segmento já é um dos motores do grupo: no primeiro semestre de 2026, a Danfoss cresceu 15% em base orgânica, com vendas de EUR 5,3 bilhões, e a divisão Climate Solutions teve desempenho puxado por data centers e bombas de calor.

Na Danfoss Climate Solutions, projetamos soluções de aquecimento e refrigeração com eficiência energética para ajudar o mundo a construir um futuro melhor. Nossos produtos e soluções inovadoras tornam possível um amanhã descarbonizado, digital e mais sustentável. Com um forte foco na qualidade, nas pessoas e no clima, impulsionamos a transição nos sistemas de energia, refrigeração e alimentos para atender às metas globais de clima e energia.

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