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Crônicas do Chão de Fabrica

cronicas

 

Wilson Borracha e o Axioma do Fim de Curso

- 29/09/2008

Quem quer ter sucesso na vida tem que investir em educação.
É regra geral, admitidas as poucas exceções que aqui e ali, confirmam esse mandamento da lei do sucesso.
Mesmo os herdeiros de grandes fortunas devem se educar para, quando chegar a hora, saberem como administrar o que receberam por legado.
E em termos de formação há curso pra tudo e pra todos.
Em tempos de mercado em expansão, vivemos a onda positiva do pleno emprego em algumas profissões. Quem investiu na formação certa está surfando a melhor das ondas.
As empresas buscam os melhores profissionais, com as melhores formações. E para seu melhor aproveitamento, pelo menos as empresas líderes, investem em treinamento.
Sim, porque educar é diferente de treinar.
Educação é base, coisa de longo prazo. Treinamento é ferramenta de uso imediato, com aplicação e destino certos.
Mas nem um nem outro substituem a experiência.
Li em algum lugar, faz tempo, que experiência não é o que te acontece, mas sim o que fazes com o que te acontece.
Tem gente que repete, repete, repete os mesmos erros e não aprende.
Para algumas pessoas é assim mesmo: haja educação e treinamento para tentar reverter comportamentos antigos, práticas obsoletas, métodos e usos requentados.
A experiência é que faz a diferença nas carreiras.
Um bom exemplo disto tive oportunidade de aprender naquela fábrica de bombas que já comentei. A história, se não me falha a memória, foi mais ou menos assim:
Lei do Fim de Curso ou Axioma de Wilson Borracha
Abre aspas para a Wikipédia: “Um axioma é uma sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada e é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria. Por essa razão, é aceito como verdade e serve como ponto inicial para dedução e inferências de outras verdades (dependentes de teoria).
Na matemática, um axioma é uma hipótese inicial de qual outros enunciados são logicamente derivados.”

Depois de 2 anos de trabalho intenso, muita educação e treinamento, para uma orientação de produtividade e pro-atividade, com operadores e manutentores, os resultados se traduziam em mais disponibilidade e confiabilidade de equipamentos. A fábrica de bombas estava bombando.
E estávamos, em geral, felizes com os resultados que até se traduziam em melhores salários e mais empregos com a abertura de um terceiro turno.
Claro que não era só a Manutenção que estava trabalhando bem. Havia uma conjunção de esforços em todos os setores e um ambiente externo favorável.
Produção em alta significa, na minha fábrica e na sua, mais exigência da manutenção. É o desafio de fazer mais, cada vez mais, com menos, cada vez menos. Principalmente tempo.
Naquela época nem sonhávamos com esse negócio de análise de falhas e coisas do gênero. Mas, com um histórico construído com paciência, verificávamos que muitos problemas eram advindos de erros de operação (alguém por aí já soube de algo parecido?).
Para melhorar um pouco mais a performance da manutenção, tomamos uma medida que hoje estaria na área da manutenção autônoma: pedimos a transferência para nosso setor, do Encarregado que fora por muito tempo, responsável pela Ferramentaria da empresa, área nobre como costuma ser em empresas com muita usinagem.
Wilson Borracha era bem quisto por todos. Entendia de desenho, ferramentas, tinha visão espacial, era um dos poucos da turma das antigas que aprendera a trabalhar com as novas máquinas de controle numérico que chegavam a nossa oficina.
Era um multi operador. Conhecia de tornos verticais a retíficas, passando por balanceadoras dinâmicas e fresas artesanais.
Era o cara que precisávamos.
Ajudou um monte na melhora dos planos de manutenção e na efetividade dos serviços programados.
E no campo, na hora da manutenção corretiva, não dava outra. Jogando no time de cá, Borracha já chegava na máquina parada fazendo as perguntas certas, colocando o check-list da experiência rodar com clareza.
Era respeitado. Por quase todos. E nosso Encarregado do dedo polegar largo (daí o apelido Borracha), sabia, pela experiência, que certos defeitos não dão em máquinas. É coisa de gente, de carne e osso.
Havia uma máquina que não entrava, de jeito nenhum, na produção por não chegar aos níveis de especificação original. Não dava a precisão necessária., não era confiável.
Aquela máquina tcheca era uma bela retífica horizontal. Com circuitos hidráulicos e acionamentos especiais, era um avanço para a época. Uma das últimas de seu tipo antes das NC que viriam na seqüência.
Pois então. A máquina volta e meia, mais volta do que meia, estragava eixos de aço inox caríssimos e atrasava a entrega de bombas nobres. O defeito era intermitente. Hora dava, hora não dava. Analisa daqui, verifica dali e nada. Montamos e desmontamos a máquina algumas vezes. E nada. O defeito aparecia quando lhe apetecia.
Coincidentemente, com a chegada do Wilson na manutenção, a máquina parou de dar o tal defeito que era o rebolo não avançar e, de repente, escapar e avançar com velocidade pra cima da peça em trabalho.
Mas, um dia, o tal defeito apareceu de novo. A máquina estava parada, com um eixo enorme entre os centros, esperando uma solução.
Aquele eixo era importante. Tinha faturamento alto dependente daquela bomba, daquele pedaço de inox cheio de ressaltos, frisos, roscas e buracos de chaveta.
Desceu gente de tudo quanto é área. O pessoal do PCP, do Controle de Qualidade e até de Vendas. A máquina era o alvo das atenções daquela tarde quente e movimentada.
Aí veio o Wilson. Com seu jeitão tranqüilo, sempre amaciando alguma peça na mão (mania ou exercício pro dedão?), dirigiu-se ao Operador, seu mais que antigo companheiro:
– E aí? Parou de novo? Fazia tempo, né?
– Essa máquina é assim mesmo. É de veneta. Hoje tava indo bem. Foi só entrar essa série de eixos especiais, parece que ela resolveu fazer corpo mole.
Esqueci de dizer que rolara poucas semanas antes um processo de seleção para escolha dos dois novos encarregados. Os operadores mais gabaritados haviam se esforçado para ganharem a promoção. Incluindo o nosso amigo operador da tal máquina e que havia sido preterido.
Nesse clima, o Borracha pediu ao Operador para fazer os movimentos variados com as ferramentas de desbaste. Ele fez cara de poucos amigos, mas não teve jeito. Sobe, desce, puxa, aciona pedais. E nada da usinagem acontecer.
Wilson perguntou se podia ele mesmo fazer os testes. A cara do Operador ficou pior ainda, mas tinha gente em volta, não dava pra dizer não. Sabe como é, as máquinas tem dono e é bom respeitar isso.
Na posição do operador, Wilson Dedo de Borracha, fez um movimento rápido. Se abaixou e retirou de debaixo do pedal principal, um batoque de madeira, um pedacinho bem pequeno de sarrafo de pinho.
Fim do problema. A máquina fez o curso por inteiro. Começou a trabalhar que era uma beleza.
Naquele momento me lembrei da aula do dia anterior na faculdade. A definição de axioma se aplicava que era uma beleza.
Se a gente já tinha revirado a máquina pelo lado de dentro, a falha só podia estar do lado de fora. Óbvio.
Wilson, o Borracha, me ensinara sem querer, que pensar fora da caixa é preciso de vez em quando para resolver problemas que nos parecem insolúveis.
Mas, como quiseram alguns que assistiram aos fatos, para resolver certas paradas só mesmo um malandro mais antigo. O que me parece, reforça o axioma citado.

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Abraços

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Publicado por: cronicas

5 Comentários


  1. joao carlos

    Realmente isto acontece as vezes nos procuramos por um grande problema e e um coisa atoa e esta bem esccontido.

  2. Max

    Bom Dia Paulo ! A crônica do Wilson Borracha me fez lembrar de um professor recente q disse: ” o conhecimento está cada vez mais disponível, quando as empresas vão ao mercado encontram facilmente profissionais altamente qualificados, mas o que de fato diferencia um profissional do outro são os resultados diferenciados obtidos com o conhecimento aplicado”. Procuro, qdo há oportunidade, falar isso para os mais jovens q acham q aprendem rápido e já são Sr´s. Vejo q o Wilson Borracha é um grande exemplo de conhecimento aplicado e q vc capturou bem essa mensagem já no tempo de faculdade. Boa Semana ! Max

  3. Albano

    PARABENS VALTER, MAIS UMA BELISSIMA CRÔNICA, E A EXPERIENCIA VALE AINDA HOJE SIM E SEMPRE…….UM DITADO QUE CARREGO E VALE COMO LIÇÃO……..VOCÊ PODE NÃO SABER O QUE FAZER EM ALGUMAS SITUAÇÕES MAS SE SOUBER O QUE NÃO FAZER PARA ERRAR JÁ É BASTANTE AVANÇO….ABRAÇO DO AMIGO ALBANO

  4. Leila

    Tem sensação melhor do que aquela que sentimos quando estamos no meio de um problema aparentemente GIGANTESCO, e chega aquela pessoa com uma calma absurda fundamentada em sua experiência e simplesmente tira um batoque de madeira do nosso caminho?
    Grande abraço.

    Leila

  5. Agnaldo I. da Silva

    Paulo, outra crônica que tem muito a haver com nossa realidade, no passado exestia muito este tipo de situação, acredito ainda ter, mas sem dúvidas, com menos frequência. Esta é uma lição que nos faz refletir sobre seja ele qual for o problema, aplicando axioma momentâneo. Novamente outra crônica muito produtiva e bem aplicada para o nosso cotidiano. Parabéns,Abraços. Agnaldo Inácio da Silva.

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