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Crônicas do Chão de Fabrica

cronicas

 

A Segunda Lei de Jesiel: Se a Manutenção não está trabalhando é porque tudo está bem.

- 14/05/2009

Nos idos do final da década de 1970 as coisas corriam um pouco diferente do que acontece hoje. Conceitos sobre produtividade, ociosidade, compromisso, engajamento, resultados, indicadores e outros “modernismos”, ainda estavam por serem criados. Vivia-se a era da manutenção em águas rasas, muito rasas. Com todo o gás, o nosso trabalho estava apenas começando, na busca pela implantação de novidades na manutenção daquela fábrica de bombas, que passava a ganhar respeito. Novos tipos de produtos, das centrífugas as de múltiplos estágios, das verticais as de bronze naval, exigiam modificações nos processos, novas máquinas CNC, qualificação dos profissionais, etc. A Manutenção não podia ficar pra trás.

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Naquele semana de muito trabalho, depois de muitas manutenções corretivas, veio um intervalo de calmaria. Dei um tempo no trabalho de revisão de planos de manutenção que me ocupava as horas finais do dia e me aproximei do Jesiel.
O Jesiel, era o nosso eletricista prático, aprendera fazendo e vendo os outros fazerem. Inteligente, experimentado, volta e meia me passava seus conceitos. Perguntei, na base do puxa conversa: – As máquinas deram uma folga. Não temos nenhuma OS (Ordem de Serviço) em aberto. Não tem chamado.

Ele me respondeu com uma frase dourada, daquelas que a gente emoldura e põe na parede, na entrada da sala da Manutenção:
– É isso aí. Quando a Manutenção não tem nada para fazer é porque está tudo bem.

Aquela preciosidade guardei na memória como sendo a Segunda Lei de Jesiel. Era profunda. Muito profunda.
É verdade. Ou melhor, era verdade.

Naqueles tempos, a função ou tarefa de cada um, fosse da manutenção ou outra área qualquer, uma vez terminada, a missão estava cumprida. E o descanso, o ócio, o nada a fazer era até uma espécie de reconhecimento.

A conclusão da ocasião, era de uma clareza que me animava, e passava  a ser um objetivo a ser conquistado. Só pode ficar parado porque deu muito duro e fez um bom trabalho. Quanto mais tempo parado, melhor a situação. Certo?

Errado. Muito errado.
Passadas algumas décadas, com os conceitos que temos de produtividade, com o mundo em transformação, o que significa alguém parado na empresa? Significa tudo, menos que alguém vai ser elogiado.

Não sei por anda Jesiel, o eletricista filosofo. Mas duvido que esteja parado.
Ele não me ensinou pouco em termos de eletricidade, mas me deu bons temas para pensar, escrever e praticar.

Nem na Manutenção as verdades são eternas.

Paulo Roberto Walter

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Publicado por: cronicas

6 Comentários


  1. João do Espírito Santo Lima

    Muito bom, visto que faz o manutentor refletir sobre a necessidade de estar sempre fazendo algo para melhorar o faturamento e reduzir os custos da sua atividade manutenção. Fazendo isso e tendo bons resultados, certamente, ele será elogiado!!! Nos dias de hoje, o manutentor pode até parar fisicamente, porém, NUNCA PÁRA MENTALMENTE, para obter MAIOR disponibilidade e confiabilidade dos seus ativos.

  2. silas.oliveira

    Paulo,

    Nos dias de hoje é inconcebível pensar em ociosidade. A busca é sempre pela excelência e agregação de valor, e isso se reflete nas equipes de perfoomance através da alta produtividade e resultado. Tempo perdido é dinheiro jogado fora.
    Parabéns pela abordagem!

    Sds,

    SO

  3. Israel Ribeiro

    Caro Walter

    Como disse os tempos mudaram, a produtividade está cada vez mais forte devido a globalização.
    E a manutenção tem grande responsabilidade para com isto, e o objetivo é quebra zero.
    E sabemos que para que isso aconteça , é necessário que não haja manunteção corretiva, nas horas que as maquinas estão trabalhando, sempre haverá um trabalho preventivo e preditivo que deverá estar sendo realizado.
    E a filosofia do Jesiel que quando não sem tem nada para fazer esta tudo bem, não deve existir entre os colaboradores, pois quando esta tudo bem, deve se estar trabalhando ou planejando, para evitar paradas corretivas.
    Pois o crescimento e contínuo e o trabalho da manutenção só terá bom resultado se tiver consistência.
    abraço
    ISRAEL

  4. Paulo Faria

    Muito boa a abordagem do assunto e os comentários feitos. Todavia, apesar das mudanças nos conceitos, parece que todos os paradigmas apresentados partem do “alto escalão” em direção ao “chão de fábrica”. Não seria hora destes (alto escalão) saírem um pouco de seus escritórios e conhecerem um pouco do universo e da realidade daqueles outros(chão de fábrica) antes de só ditarem as regras e cobrar resultados? Acredito que questões culturais só são resolvidas com empatia entre as partes envolvidas.

    Paz e saúde

    PAULO FARIA

  5. Mello

    Walter,

    Realmente este pensamento está errado, mas também devemos ter cuidado com o conceito de estar parado. De nada adianta um gestor se desesperar por ter um manutentor em ócio se a forma como ele gerencia as atividades e as pessoas faz com que repetidamente isso aconteça, e a partir disto ele corre para criar uma tarefa, muitas vezes fora do escopo do trabalho ou, o que é pior, deixando atividades que deveriam estar acontecendo para trás. Então para não visualizar o ócio o gestor muitas vezes absorve atividades as quais não competem à manutenção e as que competiam à ela ficam de escanteio. Mas para satisfação dele o manutentor está trabalhando, seja na sua função ou não, seja apenas gastando tempo para não retornar a base. Gerentes deste tipo depois não sabem porque os acidentes aumentam, o número de horas paradas de um determinado equipamento tem aumentado e o pior, não entendem o porque de tanto desânimo de sua equipe.

    Mello

  6. Alex Vieira

    Paulo,
    Boa reflexão! Eu trabalho a muitos anos com manutenção e já vi isso também, era como se você trabalhasse para ficar depois “parado” esperando a próxima corretiva. Mas a gente sabe que na prática nunca se fica parado esperando coisa nenhuma. O grande segredo está em se fazer boas mantuenções preventivas, o “total service call” como se dizia na empresa onde trabalhei. Eu tinha um chefe que dizia, não olhe só o defeito apresentado, procure olhar tudo, checar e rechecar antes de virar as costas, pois isso pode evitar, como evitava os tão inconvenientes rechamados. Em manutenção eu ousaria dizer que o ocio não existe, mas entre uma manutenção e outra como em qualquer atividade sempre há uma parada. Eu pelo menos sempre trabalhei de 15 a 19 horas por dia, nunca soube muito o que fora ficar “parado”.
    Um abraço.
    Alex Vieira (Eng. de campo)

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