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Gestão Estratégica de Negócios

Paulo Walter

 

Os 100 primeiros e as recomendações para implantação de uma nova liderança

- 27/01/2017

Ano novo, emprego novo, função nova, casamento novo, casa nova, mandato novo, escola nova, chefe novo e por aí vai. Todo mundo já experimentou, está experimentando e vai experimentar uma transição em sua vida. As vezes mais de uma ao mesmo tempo.

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Um exemplo macro sobre isso é o assunto mais comentado na mídia internacional do momento: O que Mr. Trump vai fazer como Presidente dos EUA em seus 100 primeiros dias a frente da mais poderosa nação do planeta? Surpresas (ou não) a caminho.

Deixando a geopolítica mundial e baixando aqui para a realidade de quem está cuidando da sua vida e não da dos outros, mesmo não se tratando de uma mudança radical de governo, 100 dias costuma ser um bom prazo para uma transição e é um dos maiores desafios para quem está chegando a cargos de liderança.

No Brasil e no mundo as estatísticas mostram que líderes com alto potencial mudam de função, em média, a cada 3 ou 5 anos. Os períodos de transição são constantes e inevitáveis na trajetória do líder. Progredir na carreira significa dar passos em terrenos ou águas ou ares nunca dantes navegados. Pelo menos não na condição de líder.

O assunto é extenso e o abordo aqui por ser mais que atual.

Transição de liderança é coisa fundamental agora, neste exato momento, na hora em que as empresas brasileiras e os seus profissionais estão se preparando para sair da crise e dar conta de um caminhão de desafios que já entrou em nossas fábricas e aguarda a descarga e distribuição de seu “conteúdo”.

Porque 100 dias?

100 dias. Parece muito ou pouco? Não importa. As ações do líder durante os 100 primeiros dias em um novo desafio podem definir o seu sucesso ou fracasso na continuidade.

Em se tratando de uma empresa (não sei se é o caso de um governo…), 100 dias é o tempo suficiente para o líder conhecer as pessoas, os processos, os problemas, os desafios reais, a geografia, as ameaças, as contas a pagar e as receitas herdadas. É o tempo suficiente também para colocar a liderança passada no passado e fazer-se conhecido por quem vai continuar na viagem em curso.

Nova liderança pode significar continuidade, mas jamais será igualdade. Em geral vem com exigência de transformação. Pode vir com muita força em construção, mas sempre envolve desconstrução.

Existe farta e qualificada literatura disponível sobre sobre o tema. Para quem está em transição de carreira, vale se informar a respeito. As recomendações que compartilho aqui vêm da experiência de campo, subindo e descendo degraus, como soe ser o histórico de uma carreira exposta ao vento, a chuva, ao sol, aos aplausos e vaias, as vitórias e as derrotas. E, espero, com muito ainda a aprender.

6+1 Recomendações para uma Nova Liderança

1 – NÃO ESQUEÇA O PASSADO MAS PENSE NO FUTURO:

Quando se é guindado a uma nova posição, em geral, é por conta do que você sabe, experimentou, por onde com quem andou, sofreu, errou, aprendeu, realizou. Tudo isso é sua mala de viagem, sua caixa de ferramentas. Ocorre que muitos líderes se saem mal na fase inicial por acharem que aquilo que os trouxe até a nova posição é o que garantirá o seu sucesso no futuro. Cuidado! Mesmo que se trate de uma simples promoção dentro da mesma empresa, as responsabilidades, a relação com as pessoas, o peso nos resultados e muitas outras variáveis são diferentes. É importante o líder ter a capacidade de identificar o novo cenário. Não há líder que vá se dar bem dirigindo olhando só para o retrovisor.

2 – ACELERAR O APRENDIZADO:

Falar em humildade para quem acaba de subir na liderança é meio complicado. Mas talvez resida aqui a recomendação mais importante: Aprenda rápido. Acelerar a curva de aprendizado é o desafio maior de líder em transição. Nos 100 primeiros dias pergunte muito. Saber muitas respostas é bom, mas saber onde estão e quem tem as respostas que você sabe, esse é o pulo do gato.

A história da empresa ou do departamento, o mercado inserido, a gama de produtos, as tecnologias e recursos disponíveis, os sistemas operacionais, a cultura organizacional, os principais fornecedores e clientes, os valores e missão e as estruturas da empresa são algumas tarefas de aprendizado que precisam ser cumpridas neste período. Para uma boa transição de liderança calculo, por baixo, que há um investimento entre 30 e 60 dias somente em aprender. Afinal, depois de 3 meses ninguém mais pode ser considerado novo de empresa.

3 – CONHEÇA AS PESSOAS:

Liderar é influenciar. Não vamos repetir aqui os chavões de sempre, mas sem um time não há como se participar de um campeonato. Sabendo seus desafios o líder tem que saber com quem pode contar. Com quem vai ter que se esforçar e quem precisa eliminar. Formar alianças internas e externas o mais rapidamente possível é o que vai dar suporte à concretização das metas iniciais do líder. Vim da Marinha e lá a gente sabe que a bordo sempre tem aqueles que levam o navio e aqueles que o navio leva.

4 – OBJETIVOS E METAS, A IMPORTANCIA DAS VITÓRIAS INICIAIS

Para novas lideranças, novas expectativas. Ou você recebe os objetivos e metas prontinhos ou vai construí-los.

Toda transição de liderança é uma passagem de bastão numa corrida longa de revezamento. Não importando o que aconteceu antes, em 100 dias (as vezes menos) você precisa mostrar ao que veio. Buscar as pequenas vitórias iniciais é fundamental para trazer moral à tropa. Identifique os pontos, por menores que sejam, que lhe permitam mostrar um quadro psicológico positivo. Quem não gosta de comemorar as boas mudanças?

Mas tenha cuidado com o que se compromete a obter. Credibilidade não é um crédito ilimitado para se queimar antes da primeira volta da corrida.

5 – PROMOVA-SE E OBTENHA FEEDBACK

Fez? Faça saber.

Onde estávamos, onde estamos, como chegamos, onde iremos.

O Líder está sempre em evidencia, queira ou não. E sobre ele estão as expectativas.

É seu dever, até por questão de sobrevivência e condições de continuidade da missão depois dos 100 dias, que seu público (colaboradores, clientes internos e externos) saiba o que mudou ou está mudando com a nova liderança em ação.

Matou a cobra? Mostre o pau e a cobra também.

Comemore, com a equipe e até com os clientes. Dar os créditos a quem mereça faz parte da argamassa que dá solidez à construção.

Não se esqueça de que o feedback é tão importante quanto. Não basta mostrar o que fez. É fundamental saber o que seu público realmente consegue ver ou sentir o que você acha que fez. Vai que…

6 – ALINHAMENTO

Planos são Planos e são importantes no sucesso das pessoas e das empresas. Mas não existe Plano perfeito. Existem Planos aperfeiçoados, que podem gerar resultados perfeitos.

Alinhamento é coisa que se faz todo dia. Com o aprendizado acelerado, trabalhando com as pessoas e rodando o dia a dia, seu plano de 100 dias com certeza vai ficar mais límpido depois de decorridos 30, 60, 90 dias.

Na maioria dos casos, numa transição de liderança, há que se persistir, perseverar, lutar contra as “objeções e dificuldades iniciais”, mas fazer correções não é sinal de fraqueza e sim de inteligência gerencial.

7 – ATITUDE NÃO É TUDO, MAS É O QUE FAZ A DIFERENÇA

As seis recomendações anteriores são importantíssimas. São de ouro. Mas, sabe a Música do Wesley Safadão, aquela que fala dos 99% certinhos e 1% vagabundo?

Então. Aqui vai a dica extra. Deixe espaço para sua intuição. Não sei precisar se a intuição é 1, 5 ou 20% da razão do sucesso de uma liderança. Mas é na intuição que está bordada com platina a sua parte, aquela parte que fez de você um líder merecedor da oportunidade ou desafio, o que dá no mesmo. Seja você mesmo. Be yourself. Sua atitude mostra quem você é e do que é capaz, com ou sem planos.

Para finalizar, uma historinha particular:

Idos da década de 1990, instalações da Petrobras em Alagoinhas, Bahia.

Passados os primeiros 30 dias de execução de serviços no campo (com outros 60 dias de preparação…), ralando em um contrato de manutenção de equipamentos de exploração de petróleo em terra, acontece a primeira reunião de avaliação contratual. A chamada Medição mensal.

Depois de apresentar meu primeiro relatório ao fiscal, perguntei sobre sua avaliação pessoal do trabalho. Tudo corria muito bem, acima de todas as expectativas. Mas o feedback do cliente é que é a hora da verdade. Mais que um elogio, eu queria saber se estávamos no caminho certo.

Depois de alguns segundos de silencio ele sorriu e me brindou com uma frase que jamais esqueci: O viajante se conhece pelo arriar das malas.

Abraços

Paulo Roberto Walter

Consultor em Gestão de Serviços – Desenvolvimento de Negócios

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Publicado por: Paulo Walter

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