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Crônicas do Chão de Fabrica

cronicas

 

O Linguarudo

- 03/04/2009

O elevador encheu no 22 andar. Hora da saída e aquela caixa grande entupiu na capacidade máxima de 16 pessoas. O papo era animado como costuma ser ao final de expediente para quem trabalha e mora no Rio de Janeiro. Falava-se sobre o presidente da empresa, que acabara de fazer uma apresentação para os funcionários informando dos planos de expansão da empresa, aumentando a frota de 6 para 12 navios. Desafios pela frente e mar azul para fazer planos pessoais e profissionais.

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O que todos comentavam, além do arrojado investimento da compania, era o carisma do Chefão. Jovem, articulado, inteligente, viajado e com muita visão de negócios.
E como disse o Carlinhos, ainda por cima um troglodita!

Silencio no elevador. Todo mundo pensando, menos o Carlinhos, obviamente, Troglodita? Porque? 

O Carlinhos tinha acesso a informações confidenciais, só andava nas altas rodas da Direção e tinha acesso a todas as reuniões da alta cúpula. Aliás era o único que entrava nas salas de reuniões e dos diretores, sem precisar pedir autorização. Se você queria saber quem estava em reunião ou quem era o visitante ilustre, perguntava ao próprio. Carlinhos era o contínuo que servia o cafezinho, água e outros itens refrescantes a todo mundo no andar onde se concentrava a alta administração.

Se ele disse que o presidente era um troglodita, quem haveria de duvidar? Sua intimidade com os gostos do homem permitiam saber dele coisas que nós mortais dos outros andares jamais suspeitaríamos.

Mas alguém dos 15 ouvintes não se conteve e quis saber detalhes: Troglodita porque?

O Carlinhos gostava de mostrar sua intimidade com o poder, valorizando suas informações confidenciais de copa e cozinha entranhada onde as grandes decisões aconteciam. O elevador inteiro fez silencio para ouvir a explicação:

– Neste mundo globalizado ter um chefe troglodita que fala várias línguas é fundamental. Dá gosto de ver. Entra frances, americano, alemão, até japonês. O Homem não deixa a peteca cair. Conversa na língua que for. É o maior troglodita com quem já trabalhei. Podem crer. Grande parte de seu sucesso vem daí.  

O Carlinhos estava coberto de razão. E sua observação mais que perfeita.

Neste mundo de crises e oportunidades, quem não fala, escreve e se comunica em pelo menos 2 línguas, vai perder muito bonde e tomar ônibus errado.

O Carlinhos era um garçon muito competente e requisitado nas festas das empresas e nos eventos particulares. Sabia fazer coquetéis, canapés e servir as pessoas com elegância e simpatia. E era observador. Isso era parte de sua arte e base de seu sucesso.

Carlinhos não sabia a diferença entre troglodita e poliglota, mas sabia muito bem o quanto fazia diferença na carreira de um executivo, dominar a arte da comunicação e ter como exercer tal arte na língua que se apresentasse.

Abraços

PW

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Publicado por: cronicas

2 Comentários


  1. Israel Ribeiro

    Caro Walter

    Esta é a realidade dos Lideres, tem que estar se aualizando todo o tempo, pois a globalização exige rapidez nas decisões , mas na sua cronica se percebe que os colabores mesmo que não perceba sempre estão atento as decisões do lider.
    E por isso o lider sempre é visto como uma referência, nas suas atitudes, nos resultados do negócios, no relacionamento pessoal com colaboradores.

    E o sucesso do Lider estará , em conseguir toda a sinergia da equipe com quem trabalha.

    abraço
    Israel Ribeiro

  2. Tiago Daniel

    Muito bom, exemplo de que devemos nos atualizar sempre e estar pronto p/ os desafios.
    Exemplo também aos que ouvem pois, mesmo quem tem credibilidade pode se enganar com uma letra e distorcer sempre o feed back, daí a importância de: “na dúvida, pergunte, peça uma explicação mais detalhada ” !!
    Abraços – Tiago Daniel – SILOTEC

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