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Crônicas do Chão de Fabrica

cronicas

 

O Choque da Experiencia!

- 12/10/2008

Não sei a história de hoje é sobre o choque da experiencia ou a experiencia chocante. Mas é uma daquelas passagens concretamente eletrizantes.

New Sense Safety Tênis a prova de choque

A concretagem do piso do novo Almoxarifado tinha levado a manhã toda. Aquela quinta-feira de muito trabalho, no frenesi da fábrica que crescia rapidamente, tivera sua rotina modificada pelo entra e sai de caminhões betoneiras.

Foram 6 caminhões seguidos para fazer a caixa, a grande caixa.

A empreiteira tinha seu pessoal espalhado pela área, fazendo a distribuição do concreto base. Uma correria contra o tempo.

As 2 da tarde a galera terminou o trabalho. O encarregado avisou: podem descançar e comer suas marmitas. A turma se espalhou. Eram uns 25 trabalhadores.

Naquela época não existia isso de Segurança do Trabalho. Nem pensar em uso obrigatório do capacete, luvas, protetores auriculares, etc.  Análise de Risco da Tarefa era algo ainda a ser inventado junto com a democracia no Brasil.

Como disse, trabalho terminado a turma se espalhou pela área. Um dos ajudantes (a maioria era), talvez o mais espertinho, já conhecia a área e tinha seu lugar de descanço, uma espécie de reservado: a subestação.

Depois de traçar a marmita de feijão com arroz e um bife com ovo, o magrelo espevitado, foi tirar a soneca merecida.

De minha sala, no outro lado da fábrica (nos fundos, bem nos fundos, como toda boa manutenção de fábrica), pude ver que a energia falhou. Foi um zuuuuuuuuuump e um zap. Foi e voltou. Tres vezes.             Aí voltou ao normal.

A experiencia fez soar um alrme na minha cabeça. Algo estva errado. Me lembrei da obra do novo Almoxarifado, ao lado da Subestação. Gente sem conhecimento técnico e equiapemento perigoso. Boa e explosiva mistura.

Saí correndo. Correndo e pulando mesmo que meu preparo físico na epoca era uma beleza.

Depois de uma corrida de obstáculos, cheguei ao alambrado do Almoxarifado. Na minha pressa nem lembrei de dar a volta e entrar pela porta da frente. Pulei a cerca de 3,5 metros e em alguns passos chegava à porta da subestação. Junto comigo chegava o Nélson, nosso eletricista mais antigo. E passamos por algumas pessoas que já se aglomeravam na porta de ferro.

A subestação estava na penumbra. Acendi a luz e vi que tudo funcionava. O Nélson disse: algo está errado.

Avancei um pouco mais e vi um par de pés por baixo da entrada de alta.

– Nélsom, corre aqui.

O nosso bravo concretador estava se contorcendo e murmurava algo.

Nélson jogou a fábrica no chão, desarmando a chave principal. Boa medida, mas o menino estava, eletricamente falando, antes daquela proteção.

Sob as tres fases de 13,8 Kv, ele havia feito uma “caminha” de jornal e papelão. E durante toda aquela semana tirava sua sesta naquele lugar fresquinho, sem movimento, com aquele zunido de transformador energizado.

Naquele dia cometera um errinho básico. Comera, dormira e … sonhara. Com o que não sei, mas por causa do sonho se mexera e ao tocar na rede ficara fazendo o “bom caminho” da corrente entre seu corpo e o solo. Tres pancadas. A primeira fez tchun, a segunda fez tchan e a terceira fizera ele desmaiar. Por sorte. E já ia começar a se mover quando nós chegamos.  

Puxamos com carinho, Nélson e eu, os pés do quase defunto. Ele deslizou junto com seus papeis-cama chamuscados. O rapaz tinha queimaduras em todos os cotovelos, joelhos, mãos, pés e rosto. Saia água de suas feridas. Quem já viu um acidente com eletrocutado, sabe do que estou falando.

Não morreu o cara. Tinha dezessete anos e era filho do encarregado da obra, sendo treinado nos mistérios da profissão da construção civil. Tres semanas depois estava de volta ao trabalho. Não sei se ele teve sequelas, mas em mim ficou muita impressão.

Hoje, ao fazer integrações de segurança nas fábricas e empresas onde vão atuar, muitos profissionais acham que é tempo perdido. Ensinamento a padre para rezar missa.

Nunca assisti uma integração que contivesse filmes mostrando acidentes e as perdas humanas e materiais decorrentes. Talvez esse método “chocante” melhorasse os resultados da prevenção necessária.

Melhor que puxar uma canela em carne viva para ter o “reality accident’ para contar. E evitar.

Abraços

Paulo Walter

Publicado por: cronicas

1 Comentário


  1. Jamile Gomes

    Nossa! … Bom dia pra você também! (risos!!!) Bá .. que história heim!
    Na época de Escola Técnica, estva eu no laboratório de tornos e fresadoras manuais enquanto outra parte da turma estava no lab de CNC … ainda bem eu me cansava de ficar em pé e ia dar uma voltinha no campus .. em um dia me contaram que no caminho entre os dois labs um menino tinha corrido com uma mao de seis dedos e outra de quatro … e pra nao se esquecer do caminho, pingou gotinhas de sangue no chao … segurança é tudo, realmente. E começa na escola!! por isso que hoje sento eu, meu notebook e meu ar condicionado! A unica coisa que me ocorre são torcicolos .. e dá-lhe ginastica laboral!
    aquele abraço!

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