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Gestão Estratégica de Negócios

Paulo Walter

 

O básico, por favor

- 13/08/2012

Fui convidado a fazer uma conferencia no Congresso Uruguaio de Manutenção, que acontece agora em setembro de 18 a 20 de setembro. Uma honra, uma deferência, ainda mais que  o tema poderá ser a minha escolha.

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Convites deste tipo não se recusam, mas como apresentar algo de novo, de interessante, instigante, a um público já calejado, ultra conectado e atualizado como é o caso? Passei o fim de semana pensando no que poderia eu, entre tantos cobras que vão àquele evento, levar algo que somasse a todos.

Como uma eureka que desaba na cabeça de quem busca mudar o rumo matemático da humanidade, meu pai me ofereceu a solução. Sendo o domingo passado o dia dos pais, ao encontrar meu pai ainda cedo, me desculpei por nada ter comprado para ele, para presenteá-lo sendo ele o melhor pai do mundo (o segundo sou eu, se me permitem a modéstia). A resposta veio em meio a um sorriso sábio e tranquilo: – O melhor presente é saber que você não me esqueceu o ano todo. O básico sempre será mais importante que qualquer coisa que venha numa bela caixa, com laços coloridos, dando forma e conteúdo físico a um pedido de desculpas com dia marcado.

O básico. Isso mesmo. Vem de base, de suporte, de raiz. O que sustenta. A parte na qual todas as outras se apoiam. Ou ainda, o básico é o minimo, é aquilo que se não existe, o resto nem pensar.

E o básico, em se tratando de Gestão da Manutenção, é fazer uma linha que una os pontos de etapas que devem ser costuradas entre si, usando cinco palavras chaves: Planejar, Programar, Executar, Medir, Reportar.

Como gerenciar um processo, qualquer processo, se não se parou um instante sequer para ver cenários, condicionantes, limitantes, necessidades, responsabilidades, objetivos, metas? Planejar é essencialmente pensar.

Para se gerenciar qualquer processo é preciso saber onde e como estão os recursos a sua volta, pelo menos os elementos que venham a interferir em seus resultados previamente pensados.  Programar é organizar recursos, harmonizando-os com o tempo.

Ser gerente é ser agente. Não por acaso a execução é a palavra chave do meio desta receita do básico. Desenhe-se o anagrama da manutenção do jeito que se queira, a Execução será o coração, o centro. Na Gestão da Manutenção a execução, a busca da execução perfeita, é que determina o sucesso ou insucesso de todo o trabalho. E ser agente na execução da manutenção é fazer acontecer. Executar, sem mais delongas, é realizar.

O lema máximo da qualidade, em termos de gestão, é simples e direto: “Não se pode gerenciar aquilo que não se mede.”
O controle ou medição, no básico da Manutenção, destina-se a mostrar simplesmente se na execução foi feito como programado e planejado.  O controle na Manutenção é, no básico do básico, registro do que foi realizado.

E o reporte? O que é? Reportar é contar como aconteceu. Simples, mas fundamental. Básico e essencial. E porque é essencial?
Se não houver reporte, como vou pensar melhor os próximos eventos? Cometerei, provavelmente, os mesmos erros e não capitalizarei os acertos.
Sem reporte a programação continuará abordando os recursos da mesma forma, sem melhora nem piora.
A  execução, sem reporte, será igual e manterá as más práticas como sendo dogmas universalizados.
E sem reporte, a medição não tem sentido. Pois se não haverá analise crítica, para que gastar energia controlando, medindo?
Reportar é também a melhor ferramenta para negociar melhores condições para um bom planejamento, uma programação adequada e uma execução condizente com o resultado pensado na origem.
Reportar é então formalizar o encerramento de um trabalho feito. De preferencia bem feito, e que será feito melhor ainda na próxima oportunidade.

Não fez o básico? Então não me venha com desculpas bem embrulhadas. O resultado será reverso.

E é sobre isso que vou falar no Uruguai. O básico, meu amigo, continua sendo o que diferencia as organizações de sucesso. E a diferença entre as melhores e as muito melhores está no recheio destas etapas. Mas aí a conversa é outra. Tema para muitos outros posts que espero ainda publicar aqui.

Abraços e feliz dia dos pais, ontem, hoje e sempre

Paulo Walter
paulo.walter@manutencao.net

 

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Publicado por: Paulo Walter

10 Comentários


  1. Rafael Luz

    Achei fabulosa todas as definicoes. Estou num momento onde quero alvancar o trabalho n minha equipe de manutencao e acjo que encontrei as palavras perfeitas para usar. Parabens por uma definicao simples mas extremamente objetiva.

  2. jeferson

    Excelente texto e raciocínio. Começar do início.

  3. Leandro José Soares

    Paulo, simplesmente maravilhoso seu texto.
    Como eu escutei uma vez sobre a Política da Qualidade de uma empresa que trabalhei na certificação, o Presidente disse que não deveria ser Política e sim Princípios da Qualidade, na época não dei muita atenção, porém depois de mais maduro entendi a grandiosa visão do Presidente, assim como você captou um ensinamento do seu pai, eu também percebi que para que qualquer coisa funcione, devemos como você mesmo disse: “fazer o básico”, ter os Princípios consolidados e uma Base bem formada.
    É uma satisfação e um aprendizado ler teus textos.
    Abração.
    Leandro José Soares

  4. Antonio De Oliveira Campos

    É isso aí. Todos querem fazer integral para resolver a simplicidade e se esquecem das operações básicas como somar, dividir. No dia a dia da manutenção vivemos consequencias graves por não fazer o básico. Como quebras devido a falta de lubrificação, grandes paradas por não seguir os planos de manutenção preventiva. Custos elevados por não aplicar as ações certas e conhecidas nos prazos também conhecidos. Pecamos gerencialmente em mudar de programas de controle somente pelo modismo. Perdemos ótimos colaboradores por não os valorizarmos como merecem. Emfim, o básico que é o óbvio não serve. Abraçamos a complexidade enquanto a simplicidade nos olha mostrando a solução, triste com nossa cenegueira complexa.

  5. Magno Cruz

    Boa noite Paulo!
    Nem preciso procurar muitas palavras para definir seu texto, basicamente MAGNIFICO. Vejo isso todos os dias no meu trabalho e percebo que como você disse, o básico faz muita diferença. Logo, não é preciso inventar, esta tudo mais que evidente, todos conhecem e sabem como fazer, basta fazer direito. Parabens Paulo realmente gostei do seu texto, gostaria da sua permissão para compartilhar com meus amigos no trabalho, abaixo segue meu email para resposta, obrigado e tudo de bom.
    magno.izaias-c@hotmail.com

  6. Denise Regina Korber Gorges

    Paulo,

    você definiu bem, quando falou que o básico é o que diferencia as organizações de sucesso, pois para que reinventar a roda, se todos sabemos o que funciona. Precisamos sim em nossas organizações, lutar para que seja feito e consolidado o básico, para começar e assim depois de aprender com as pequenas lições, com o simples, buscar a evolução e a melhoria contínua.
    obrigada e até mais,
    Denise Regina Korber Gorges

  7. Wenceslau da Mata

    O que dizer sobre uma explanação, com tamanha amplitude, alcance e objetividade?
    Simplesmente parabéns e certeza de sucesso no evento que vais participar.
    Gostaria da sua permissão para repassar esse texto. Aguardo autorização pelo
    e-mail: wenceslau@mantiqueira.com.br

  8. Gildemar Gomes dos Santos

    Paulo seu texto está excelente, porém gostaria de complementar que o básico os japoneses estão fazendo nos seus processos desde a segunda guerra mundial, vejam os programas simples implementados por eles e que são de extrema importancia nas grandes organizações:5S, TPM, KAIZEN, GENBA,JIT, TQM, KANBAN … e isto tem trazido grandes retornos de qualidade, performance, redução de custo e etc.
    Grande abraço.

  9. Eufrasio Cruz

    Paulo,
    O básico é o primeiro e a simplicidade é o último degrau da sabedoria.
    O básico e a simplicidade são as chaves do sucesso em um mundo com os recursos naturais limitados e a necessidades ilimitadas.

  10. Afonso

    Paulo, parabéns pela publicação. Realmente, encontrar um tema totalmente inovador torna-se cada vez mais complicado, quando se leva em consideração o tanto que as práticas e políticas de manutenção evoluíram nas últimas décadas. Falar sobre o básico é muito interessante, pois melhorias são constantes e podemos e devemos sempre repensar em nossas atitudes dentro dos processos de melhoria contínua. Fazendo isso giramos mais uma vez o ciclo PDCA, deve ser uma tarefa constante!

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