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Crônicas do Chão de Fabrica

cronicas

 

O BALDE DE TINTA LISTRADA, TROTES E INTEGRAÇÃO DE PESSOAL

- 05/10/2008

Muita gente é contra o trote, aquele processo de “boas vindas” ou “integração não oficial”, aplicado nas escolas, universidades, colégios militares e também nas empresas.
Eu não.
Sofri trote na Escola Técnica, na Escola Militar, no primeiro navio onde embarquei, na Faculdade e na primeira empresa onde trabalhei.
Mesmo nos casos onde pegaram pesado, como foi o caso da escola técnica lá de Marechal Hermes, no Rio de Janeiro, o trote fez seu papel de integrar veteranos e novatos.
Excetuando-se os casos de violencias físicas e morais, com uma rapidez impressionante, acontece assim, sem cerimonias, no ato o tal “teje dentro”.

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Passado o “programa”, tá todo mundo apresentado, os colegas que são legais e os que não são. Sabe-se quem reage assim e quem reage assado.
Hoje as empresas, pelo menso as mais organizadas, tem um programa de integração de funcionários, onde são abordados os aspectos de segurança, meio ambiente, deveres, direitos, benefícios, horários, condutas, etc.
Acho que estes programas são extremamente válidos e importantes. Aceleram a colocação dos novos colaboradores no ambito formal da empresa. O que pode e o que não pode. O certo e o errado. Onde e quando e como a empresa funciona.
Mas e o trote? Não cabe mais? É coisa do passado politicamente incorreto?
Não creio.
O CEO da multinacional francesa onde trabalhei como diretor de serviços, e que tinha na época mais de 125.000 empregados espalhados pelo mundo, me disse numa reunião em São Paulo um frase que ele aprendera durante seus 25 anos de trabalho no Brasil, e que guardo comigo: a empresa pode ser séria sem ser triste.
Então o trote é, na minha visão, a integração não oficial, que funciona, que faz o novato conhecer as pessoas, onde elas trabalham e o que fazem.
Pelo menos era isso que a gente tinha em mente e praticava naquele grande estaleiro do Rio de Janeiro, lá pelos anos 1980, ao aplicar o passeio do Balde de Tinta Listrada.
O BALDE DE TINTA LISTRADA
O programa de estágios, naquela empresa com 5.000 funcionários, era algo muito importante.
Tudo muito organizado, uma referencia, um verdadeiro benchmarking para os padrões da época.
E como fazer para um estagiário conhecer rapidamente a maior parte dos 420.000 metros quadrados dos estaleiro?
Simples.
Manda o cara buscar um balde de tinta listrada.
O balde tem que ser de 2 litros. Não serve 3 ou 1 litro. Tem que ser de 2 litros. Não serve balde já aberto.
Entendido?
Requisição na mão, lá ia o estagiário, em seu primeiro dia de trabalho, percorrer a planta, passando por quase todas as seções. Não tinha o mapa do estaleiro inteiro, só tinha a informação de onde ficava o próximo departamento, onde havia a possibilidade de encontrar o necessário balde.
Em cada área havia alguém esperando o “requisitante”. E aí a pessoa era informada de que a tinta tinha acabado e só havia chance de encontra-la na próxima sala ou oficina. Aqui a gente faz isso e aquilo e lá na seção “x” eles fazem aquilo. Talvez lá voce ache o que quer. Fale com fulano, procure pr sicrano.
E seguia o caminhante. Em cada parada, sem alcançar seu objetivo material, ia conhecendo pessoas, serviços, funções, naquele emaranhado empresarial que produzia os melhores navios do país e do mundo na época.
Em uma tarde ou manhã, o projeto de profissional crescia um monte no entendimento técnico, ao ver o trabalho em cada setor.
A coisa era bem coordenada. Um telefonema e avisavamos ao próximo visitado. Vai chegar mais um João do Balde.
Ao receber a missão, o estagiário recebia a recomendação de não voltar de mãos abanando. Isso pegaria muito mal, logo no primeiro dia, na primeira tarefa.
Lá no final do estaleiro, depois da oficina de solda, do outro lado do dique seco, depois do último guindaste, quase caindo no mar, havia um balde de tinta pronto para ser resgatado.
Era um balde tinta xadrez. Listrada efetivamente não tinha, dado o grande consumo na empresa.
Partisse de onde fosse, ao voltar a sua seção de origem com seu balde substituto, seu troféu de primeiro dia, o estagiário era apaludido pela turma.
Para muitos a ficha só caia nesta hora.
Alguns ficavam listrados de raiva ou xadrez de vergonha, mas todos, sem exceção, queriam ajudar na “integração” do próximo recém-chegado.
Programa empresarial bom é aquele que não precisa de muita explicação.
Assim era no chão de fábrica que eu vivi.

Abraços

Paulo Walter

Publicado por: cronicas

7 Comentários


  1. Janine Avelar

    Oi Paulo!
    Achei uma boa idéia essa, dá até para aproveitar!
    Eu nunca sofri trote, nem no curso técnico e nem agora na faculdade. Confesso que senti falta disso agora. Vi muito no curso técnico o pessoal da mecânica passando trote no pessoal da elétrica e vice-versa (eternos rivais no SENAI) e era bastante engraçado, especialmente quando alguém procurava por uma tal escada de pintar rodapé ou pela graxa em pó… rsrsrs
    Abraços

  2. Carlos Armando

    Saudações Paulo
    Realmente o trote na Visconde de Mauá era pesado, contudo olhando pela ótica que você mesmo explicou, é uma integração de verdade.
    Meu estágio foi na usina nuclear da Angra 1, um estágio que considero um prêmio pois são pouquíssimas pessoas que tem a oportunidade de conhecer a grandiosa estrutura e a seriedade com que se trabalha lá. O programa de estágio era completo, passando por todas as seções desde a oficina até a engenharia e programação das manutenções, e logo após o estagiário optava pelo setor que mais lhe interessava, eu fiquei na manutenção. A melhor parte do programa era quando o encarregado da seção de manutenção chamava os estagiários para realizar uma suposta tarefa dentro do edifício do reator (área controlada), daí enviava todos para buscar o EPI mais importante para essa tarefa, uma “cueca de chumbo”….rsrsrsrs, da mesma forma como na sua história, passávamos por todos os setores, um dia inteiro andando e a cada telefonema um novo destino para buscar o suposto EPI.
    Abraços a todos

  3. Oswaldo

    Esta eu não conehcia. Eu sabia da estória de procurar a chave da bigorna, ou da máquina de escrever em inglês (não sou velho, para lembrar deste objeto de museu, sou semi-novo com garra, experiência e muito fôlego para aguentar estes calouros).

  4. Luiz Paulo Ramos Barroso

    Caro Paulo,

    Tenho recebido e lido com muito interesse seus artigos.
    Todos sem exceção trazem à tona alguma situação já vivida e, muitas vezes esquecida ao longo dos anos de vida de mantenedor.
    Particularmente esse, dos trotes nos estagiários, nos remete a um tempo a que todos nos lembramos com muito carinho: o período de estagiário, início de nossa vida profissional.
    Obrigado pelos artigos que espero continuar a receber por muito tempo.
    Abraços,

    Luiz Paulo.

  5. Leila

    Toda forma de integração é fundamental em qualquer ambiente, se essa integração é feita com alegria e bom humor, aí então ta perfeito. O trote desde que saudavel, apresenta o estagiario a empresa e a empresa ao estagiario, porque que empresa conseguiria organizar uma “caça” a uma cueca de chumbo se nao estivesse em harmonia? No terceiro setor ja existiria um mau humorado pra dizer que não havia no mercado ( pelo menos minha experiencia diz que não rsrsrsr) nenhum EPI deste tipo, acabando com a brincadeira pelo simples prazer de estragar a alegria das boas vindas. Cueca de chumbo, balde de tinta listrada, esquadro redondo, não importa, o que vale é o maravilhoso espírito esportivo.

    Grande abraço a todos.

  6. Agnaldo

    Na empresa que trabalhei, também em 1980 , faziamos o trote da mesma forma onde vejo que ele é realmente essencial para integração, onde não sofrem danos morais nem fisicos, o “trotiado” não sei se devo escrever desta forma, aprende a conhecer não só as áreas de atuação como também as pessoas que delas fazem parte. Trocando o balde de tinta listrada pelo martelo de desempenar vidros o objetivo era o mesmo, ficavam o início da integração da empresa, como também os bons ataques de rizos que proporcionava. Show.
    Agnaldo Ina´cio da Silva.

  7. Marcos Antonio da Nobrega

    Muito boa lembrança nos traz este assunto, porém, nos tempos politicamente corretos de hoje isto tende a acabar.
    Estamos tão preocupados com o produzir que as vezes esquecemos que passamos a maior parte da nossa vida no trabalho.
    Que voltem os martelos de desempenar vidro, a tinta listrada e o pó elétrico e danem-se os politicamente corretos!

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