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Gestão Estratégica de Negócios

Paulo Walter

 

No meu tempo…

- 17/06/2013

A gente descobre a passagem do tempo quando começa a fazer muitas referencias ao mesmo.
Numa apresentação em sala de aula, de repente a pergunta: Professor, no seu tempo as coisas não eram diferentes?
Como assim no meu tempo?
Sou de agora. Esse é o meu tempo.
Mas as lembranças afloram e aí vem as comparações.
É verdade.
Naquele tempo em que andava de ônibus de linha, trabalhava de dia e estudava a noite, não tinha problemas de sobrepeso.
Naquele tempo a jornada de trabalho era de 48 horas semanais e eu era horista. Hoje trabalho pra lá de 60 horas por semana.
As agencias bancárias funcionavam até as 18 h e a gente era liberado para ir ao banco sacar o salário.
A fábrica só parava aos domingos. Para limpeza das máquinas. Limpeza essa que acabou a meu pedido pois levava a sujeira de onde não fazia estrago, para lugares onde jamais chegaria. Segunda era o dia com maior número de problemas nas máquinas.
Naquele tempo tínhamos tão somente 6 tipos de óleos lubrificantes e 2 de graxa que o lubrificador, analfabeto, reconhecia pelo cheiro e diferenciava se estava bom ou não na ponta dos dedos.
Naquele tempo não havia NR-10 e se checava se um painel de distribuição estava energizado encostando as costas da mãos em algum ponto da fiação.
Naquele tempo, desenho ou esquema elétrico era um luxo, que quando existiam, ficavam bem guardados para não sujar nem sumir. Na realidade eram mais na base do “ninguém sabe, ninguém viu”. Mas também, depois de tantas modificações nos circuitos e painéis, serviriam mesmo para o que?
Trabalho em altura, naquele tempo, era coisa pra macho, pois quem não subia era ridicularizado, mesmo que sofresse de pressão alta e tivesse fobia de altura.
Mecânico bom era aquele que consertava rápido os equipamentos pois conhecia os problemas, que se repetiam com grande frequência, apesar de naquele tempo quase todos serem analfabetos e incapazes de ler um manual.
Naquele tempo, rolamento se colocava na marreta, com madeira pra amortecer, é claro, como mandava a boa técnica. Pra retirar, a peça de madeira era desnecessária, óbvio.
Bons aqueles tempos em que a preventiva se resumia a trocar o óleo das máquinas uma vez por ano.
Naquele tempo não lembro de distribuição de proteção auricular ou óculos de segurança, menos ainda de obrigatoriedade de uso de EPI, mesmo onde a usinagem e a solda eram 95% das atividades.
Naquele tempo não tinha computador e preencher as Ordens de Serviço (todas corretivas) para a Manutenção era função de um funcionário novato pois os Encarregados, antigos torneiros, tinham “vergonha” de escrever.
Sim, naquele tempo se usava estopa na fábrica.
Eram tempos aqueles em que os operários faziam fila no refeitório pra “pega” o vale semanal.
Naquele tempo de marmita aquecida embaixo da bancada, o banheiro ficava vazio na hora do almoço e imediatamente enchia após a turma bater o cartão do segundo tempo.
Naquele tempo a gente sabia se uma empresa era rica ou não se havia água quente no chuveiro do vestiário.
Me lembro sim, que naquele tempo meu chefe sabia se a Manutenção ia bem ou não pelo número de Ordens de Serviço que estavam na bandeja de pendencias e pelo humor do gerente de produção.
Ainda não tinham inventado os tais Indicadores de Desempenho, naquele tempo. Não se usava orçamento mas o bom senso e, principalmente, a urgência de colocar o equipamento em operação novamente. Valia mesmo era a sensação do dever cumprido ao final do dia, pois ninguém ia pra casa havendo uma máquina parada.
Naquele tempo quando a gente via o pessoal da Manutenção parado entendia que tudo estava bem.
Naquele tempo mandava quem podia, obedecia quem tinha juízo.

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Paulo Walter
paulo.walter@manutencao.net

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Publicado por: Paulo Walter

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