oferecimento
Esqueci minha senha
Paulo Walter

Gestão Estratégica de Negócios

Paulo Walter

 

Desmistificando a Manutenção Preditiva: Análise de Vibração e Balanceamento de Máquinas

- 02/10/2018

Quando me perguntam sobre alguma matéria específica, sobre algo que não domine em profundidade, recorro à máxima da boa Gestão de Ativos, que diz que tão ou mais importante que saber, conhecer quem sabe é a solução para qualquer problema.

As empresas brasileiras, entenda-se por seus gestores, estão sob fortíssima pressão para apresentarem melhores resultados num cenário de poucos recursos e muita restrição.

A Análise de Vibração é a segunda técnica preditiva mais utilizada na indústria mundial, atrás somente da Termografia
A utilização de melhores técnicas de manutenção tem sido um mantra inescapável. Todo mundo está correndo atrás de ganhos de produtividade e a caça às perdas. Melhorar o desempenho da manutenção preventiva é quase que uma obrigação. Um passo a mais, um degrau acima. Manutenção Preditiva, na base do monitoramento das condições operativas das máquinas.

Então, para trazer um pouco de luz ao tema Manutenção Preditiva, particularmente sobre Análise de Vibrações e Balanceamento de Máquinas, fui conversar com um dos maiores e mais respeitados profissionais da área. Luciano Ponci, Diretor Técnico da TEKNIKAO. Com mais de 25 anos de experiência e muito conhecido no mercado brasileiro, Ponci, gentilmente, nos deu sua visão sobre o assunto deste artigo:

1 – Luciano, quando foi que apareceu essa técnica de preditiva chamada Análise de vibrações?
Não sei se tem uma dada de nascimento para a técnica de análise de vibrações, ela foi se desenvolvendo junto com a necessidade de melhoria da manutenção. A observação do sintoma, antes da quebra da máquina foi gradativo. Eu descobri que essa técnica existia quando consegui um estágio no IPT nos anos 80. Mesmo com um ótimo laboratório para a época, não tínhamos computadores então os instrumentos eram importados ou montados ali mesmo. Ali conheci os primeiros acelerômetros e engenheiros que já estavam bem adiantados na área, faltavam apenas instrumentos que facilitassem a análise.

2 – O que veio primeiro? O balanceamento de máquinas ou a análise de vibração?
Nas minhas palestras eu comparo o técnico de manutenção como médico de máquinas, pois as máquinas também apresentam sintomas quando algo está errado, como no corpo humano.

Nas primeiras máquinas com rotação mais alta, os técnicos já observavam os sintomas da força centrífuga, no inicio era apenas um aumento da vibração, mas com o tempo, descobriram que esse defeito tem suas características peculiares, então foi fácil passar a analisar as características de cada defeito, não só desbalanceamento.

3 – A análise de vibração se aplica a qualquer tipo de equipamento rotativo. Mas quando é que financeiramente vale a pena fazer esse monitoramento?

Antigamente o monitoramento de vibração de máquinas era muito caro, então era necessário fazer as contas entre custo e benefício para monitorar as máquinas mais importantes. Hoje os equipamentos e softwares estão com os custos muito mais baixos. Para quem quer começar, ainda é importante selecionar as máquinas mais críticas, mas temos exemplos de usinas de açúcar que começaram monitorando algumas máquinas, mas logo perceberam uma diminuição no tempo e nos custos de manutenção, então sobrava mais tempo para a equipe dar atenção para as máquinas menos críticas. Hoje eles tem 100% das máquinas monitoradas.

4 – A tecnologia hoje tem em uma velocidade incrível. Atualizar-se é tarefa árdua. Nessa área temos tido muitas novidades?

Sempre. Atualizamos nosso software todo mês, e aproveitamos os serviços de nuvem para eliminar tempo e custos. Por exemplo, é possível ter um relatório do estado de todas as máquinas monitoradas, até com o diagnóstico e lista dos defeitos, na mesa do gerente, logo após a coleta dos dados de vibração. Coletou, salvou, vai para nuvem e de lá, para quem quiser.

5 – Qual a diferença entre monitoramento com instrumentos móveis e com monitoramento contínuo? Qual é mais recomendável?

O monitoramento móvel, ou off-line, um só técnico, com um só instrumento pode coletar dados de vibrações de centenas de pontos de máquinas em poucas horas, por isso é considerado mais barato. Porém esse serviço diário tem restrições que podem ser de segurança, ou distância. Com as novas normas de segurança, o técnico não pode se aproximar da máquina em funcionamento. Uma solução intermediária é instalar um sensor na máquina e um conector do lado de fora, em local seguro.

Quando os fatores de segurança, distância e tempo entre as coletas são críticos, então o custo de monitoramento contínuo se justifica.

Um exemplo bem atual, é de uma montadora de automóveis que tem diversas linhas de retíficas de peças. Quando o rebolo se desgastava, começava a vibrar e isso prejudicava a qualidade das peças retificadas. Esse defeito só era notado no controle de qualidade, e quando diversas peças já haviam sido fabricadas. Com o simples monitoramento da vibração da retífica, um alarme é acionado para que se faça o dressamento do rebolo. Logo na primeira linha de peças salvas, já justificou o investimento.

6 – Falando de balanceamento de máquinas, há alguma recomendação específica? Vale a pena balancear máquinas pequenas?
De novo é questão de custo benefício. Já tive clientes balanceando motor de autorama, turbina de aeromodelo, soprador de homecare, ventilador de forno de micro-ondas e até motor de secador de cabelo. Todos interessados em melhorar a qualidade do produto. No caso de balanceamento, tamanho não é documento.

Balanceamento de máquinas, principalmente as mais críticas e de maior porte, deveria ser algo incluído em todo bom Plano de Manutenção Preventiva Anual

7 – Muitas empresas trocam rolamentos e outros componentes de seus motores e não fazem balanceamento na hora da reinstalação. O que você recomendaria?
Acho que é o mesmo que tomar remédio para baixar a febre e não cuidar da infecção.

Em alguns casos, os rolamentos são trocados porque da ultimas vez que trocaram o problema foi resolvido. Rolamentos novos dão a impressão de diminuição da vibração e do ruído, mas se não resolver a causa do desgaste, a máquina vai voltar a sofrer logo. Fora o fato de que muitos rolamentos são trocados sem necessidade. A análise de vibração dá uma resposta quase que imediata a essa questão.

8 – Os softwares de gestão de preditiva são fundamentais para o monitoramento e os resultados operacionais das máquinas sob supervisão. Quais os itens mandatórios que o software deve ter para que todo o trabalho de monitoramento seja mesmo útil para uma tomada de decisão de intervenção numa máquina?
Muitos equipamentos medem apenas o nível global da vibração, é um bom começo para quem não tem nada, mas no sinal da vibração estão escondidas informações preciosas para um bom diagnóstico. A análise de vibração não é tão complicada como se imagina, a base é acompanhar a amplitude e a frequência das vibrações geradas pela máquina. Como esses sinais estão misturados no tempo, é fundamental separar usando a transformada de Fourier, que é uma tabela de amplitude em função da frequência. A frequência responde imediatamente “quem” está gerando a vibração e a amplitude informa a gravidade dessa vibração e sua evolução.

Um software deve ter a capacidade, não só de fazer uma tabela de medidas globais, mas um acompanhamento da evolução de cada causa da vibração.

Fazer os cálculos das frequências dos componentes, como rolamentos, engrenamento de redutores, polias etc., facilita muito a vida do analista. Os relatórios sempre foram uma exigência dos clientes, e agora com a tecnologia de nuvem, ficou essencial mas muito mais disponível.

Software SDAV da TEKNIKAO

9 – As indústrias estão correndo atrás dos nichos para atender seus clientes. Hoje mesmo saiu na imprensa que uma grande multinacional está criando uma divisão de automação só para atender o mercado de carnes, que tem um grande parque industrial instalado no Brasil. Em termos de Análise de Vibração e Balanceamento de Máquinas quais os setores, na sua opinião, que mais podem se beneficiar se aplicarem estas técnicas preditivas?

Quando me perguntam onde podemos usar a análise de vibrações, eu repondo: Onde houver um motor trabalhando.

Toda indústria que estiver interessada em diminuir custos, vai ter que dar atenção à manutenção, e isso significa usar a filosofia da manutenção preditiva.

É fácil de entender: Uma máquina ideal transforma toda energia que ela recebe no trabalho para qual foi projetada. Como não existe máquina ideal, uma parte dessa energia é dissipada em movimento cíclico, que chamamos de vibração, devido ás forças indesejadas, proporcionais e causadas por imperfeições ou desgastes de componentes. Quanto menor forem as vibrações, menos energia a máquina está desperdiçando, e menor o desgaste da máquina.

É fácil observar uma diminuição dos custos de energia elétrica ou vapor em máquinas que estão sob controle da manutenção preditiva. Se observar os custos envolvidos na parada da máquina, tempo de troca de peças, estoque e planejamento da manutenção as vantagens são bastante claras.

Agradecendo ao Luciano pelos esclarecimentos, é importante frisar que o assunto não se esgota aqui e vamos voltar a falar de Preditiva.

Gostou dessa matéria? Então deixe seu comentário com sugestões para que tratemos aqui de outros assuntos de interesse da comunidade de Engenharia de Manutenção.

Abraços

Paulo Walter

Publicado por: Paulo Walter

Nenhum comentário ainda


Converse no WhatsApp