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Crônicas do Chão de Fabrica

cronicas

 

Lei de Josiel

- 13/09/2008

Josiel era eletricista e trabalhava na minha equipe de manutenção, numa fábrica de bombas, na bela cidade do Rio de Janeiro. Era considerado um bom profissional.
Corria o ano de 1975.
A fábrica tinha índices horrorosos de falhas, disponibilidade de máquinas e produtividade.
Fui contratado para fazer o plano de manutenção e tentar reverter o quadro de 100% de manutenção corretiva.
Jesiel, como já disse, era eletricista. Prático, sem jamais ter frequentado uma escola ou centro de treinamento técnico, tudo que aprendera fora com seus colegas mais experientes e observando, lendo. Autodidata, Jesiel era um bom técnico. Conhecia as máquinas, conhecia os defeitos e falhas.
Mas trabalhava, como toda a equipe, atendendo os chamados.
Aí chega o estagiário (eu mesmo) e começa a colocar umas novidades.
Intervenções planejadas, atender máquinas no horário diferenciado em que o operador estava almoçando e mais algumas iniciativas bem básicas.
O trabalho ia bem e os resultados começavam a aparecer.
Pequenas iniciativas, resultados relevantes.
Mas era necessário a tal “mudança cultural”.
Na época a regra era: pessoal de manutenção parado significa que as máquinas estão trabalhando.
Minha regra era: pessoal parado é desperdício, falta de organização ou excesso de pessoal.
Descobri a Lei de Jesiel numa quarta-feira, na hora do almoço.
Um operador truxera uma OS (Ordem de Serviço) uns 10 minutos antes da hora do almoço.
Como era de praxe, colocou o papelzinho (que criara algumas semanas anes) na caixa de serviços de elétrica e foi-se. A partir de então não era com ele. O problema era da Manutenção. Do eletricista, no caso.
Naquela época não existia e.mail, rede, ERP, Excell, nada destas modernidades disponiveis agora.
Ou seja, a coisa era visual.
O Jesiel vira tudo. E fez que não era com ele. Era hora da almoço.
De minha micro sala, vi a situação.
Voltei do do almoço 10 minutos antes.
E vi o Josiel chegar a sua bancada exatamente na hora em que o apito da fábrica informava que começava o turno da tarde.
Jesiel abriu sua gaveta e pegou um Jornal. E se preparava para sair da Oficina.
Imbuído de meu espírito jovial de produtividade, corri até o Josiel e falei apontando para a caixinha diante de nós: tem máquina parada e parece que o problema é elétrico.
A resposta do Josiel, entremeada por um sorriso malicioso, veio carregada de ensinamento de quem era trabalhador experiente: Não cago nem mijo de graça. O patrão tem que pagar minhas necessidades fisiológicas.
E se foi para o banheiro.
Me caiu uma ficha grandona, daquelas bem barulhentas.
A equipe de manutenção só aparecia na Oficina, uns 15 ou 20 minutos depois do apito.
Todo mundo cumpria a lei de Josiel, incluindo escovar dentes e outras coisas não mencionadas pelo meu experimentado amigo.
Certo? Errado?
Os dois.
Naquela época a única motivação existente era o salário.
Nada de indicadores, metas, objetivos, gestão participativa, responsabilidade por resultados.
A coisa corria na base do resultado geral, não muito bem especificado. Nenhuma visão setorial, sem chance de visualizar sua contribuição.
E os Josiel da época se sentiam apenas usados.
A mentalidade empresarial e profissional reinante então trazia em seu bojo uma certeza de que as partes não tinham os mesmos interesses.
Ainda tem muita empresa com postura da década de 1970 e o que não falta é Josiel por aí.
Em tempo. O Josiel saiu da empresa alguns meses depois, pois a equipe que montei passou a trabalhar por objetivos e recompensas. E o Josiel não aceitava essa nova abordagem.
Saímos de uma ociosidade de máquinas de 19,5% para 1,2% ao mes, dois anos depois de implantada a nova gestão. O Josiel, segundo soube, foi vender enciclopédias.
Histórias do chão de fábrica.
Abraços
Paulo Walter

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Publicado por: cronicas

18 Comentários


  1. Renato W. Vieira

    Simplismente fantástico.
    Parece ser a fabrica que trabalho, agora chegou o estagiário.
    At.

  2. Erytom rogerio

    muito legal a história de josiel
    gostaria de receber mais comentarios ondem envolve
    a interelaçao pessoal
    OBRIGADO

  3. Kleber Eduardo

    Excelente história. Por incrível que pareça ainda hoje nos deparamos com profissionais como o Josiel.
    Estas histórias de chão de fábrica realmente nos faz refletir sobre uma série de ações que devem ser tomadas. Eu mesmo já tive que dispensar um “excelente” profissional de máquina (CNC) por ter esta postura do Josiel.
    Parabéns!

  4. Douglas

    Ótimo história, concerteza vai tocar
    um pouco em cada um de nós, principalmente essas
    ”necessidades” do pós almoço!

  5. Newton Faraco

    Olá Paulo,
    Muito interessante sua crônica, eu diria, “sensacional”. Creio fortemente na mudança de cultura tanto organizacional quanto pessoal, para se objetivar uma manutenção moderna, na busca de indicadores e resultados que posicione uma empresa num ranking de excelência.
    Para que isto aconteça, muitas empresas precisam sair do ostracismo e investir nas novas tecnologias aplicadas numa manutenção e na capacitação de seu corpo técnico/administrativo, eliminado de seus quadro de funcionários os Josiel`s da vida.
    Peço sua permissão para utilizar esta crônica em minhas aulas, mostrantor aos novos tomadores de decisão da manutenção que devemos combater a “Lei de Josiel” em nossos processos.
    Att.
    Prof. Newton

  6. Francisco C Kuhnert

    É esta história é muito interesante porque onde trabalho existem alguns tipos de Josiel nos dias de hoje só que mais moderno.Tem alguns colaboradores que só fazem aquilo que convém a fazer ou seja se for serviço de ajudante alguns profissionais só se limitam cumprir o tipo de serviço para qual foi contratado,eles tem em mente que ele não são pagos para fazerem tal serviço ou seja se sentem envergonhados a fazerem tal serviço uma vez são profissionais,só que na minha visão eu como um técnico não vejo mal nenhum em fazer tal serviço porque a empresa como um todo tem que trabalhar em equipe,não é vergonha nenhuma um chefe,um encarregado,um supervisor ou até mesmo um diretor pegar numa vassoura,isso significa que se acontecer de um colaborador ficar ocioso ele pode muito bem fazer outras coisas,principalmente nos dias de hoje os profissionais tem que ser polivalente ou seja as empresas estão cada dia mais interessadas em profissional que conheça além da sua área de atuação outras áreas.
    Bom espero que com estas pequenas palavras alguém possa mudar de atitude ou pelo menos pensar a respeito.

  7. vanilson pinheiro

    esse camarada ñ morreu ainda pelo menos ,o espirito dele trabalha comigo,o pior que o camarada é meu chefe,e a empresa e de grande porte

  8. Thiago Körber

    Ótima matéria, agora é só decidir se o nome é Josiel ou Jesiel.

  9. Flávio Crespi

    Parabéns pela crônica!
    Percebe-se este fato ainda hoje, principalmente onde há terceirização da manutenção.
    Pessoas ainda com hábitos arraigados não toleram a chegada do novo, do eficaz, do custo adeqüado, do participativo, da segurança, das boas práticas.
    Isso tudo soa apenas como modismos para eles. Por isso é que páram no tempo e estagnam a todos em sua volta.

    At.,
    Flávio

  10. Fabricio Barbosa

    Ótima matéria! Leva-nos a pensar um pouco sobre ações. Temos que ser generalistas. Conhecer um pouco sobre tudo, deixar aberto nosso conhecimento para novas informações e aceitá-las, praticá-las.

  11. Daniel Pires

    Talvez o comodismo da zona de conforto, ocasionado pelos anos de empresa tenha motivado cada vez mais o atendimento à “Lei Josiel”, lei essa de grande aceitação, não só de operários mas também de supervisores, chefes e etc. A “Lei Josiel” não é mais exclusiva do chão de fábrica, mas também do “chão de prédio” e do “chão de obra”, onde o compromisso com a empresa e com o trabalho, além da responsabilidade pessoal com as tarefas correlatas, deram lugar aos interesses próprios e falta de compromisso. Enfim, o setor é o que o chefe é, ou seja, se as máquinas apresentam alto índice de falhas, é porque a equipe de manutenção é ruim, se a equipe de manutenção é ruim, é porque o chefe é omisso (e também ruim). Desta forma, todas as peças devem ser modificadas, até que a equipe fique totalmente “limpa” e livre dos paradigmas, tradições, costumes e etc.

  12. Marcos Vieira

    Coco pago????
    Vocês foram muito felizes com esta história. Existem muitos josieis nos ambientes de trabalho, e infelismente, não só do pessoal operacional…

  13. Agnaldo I. da Silva

    Paulo,
    Também me deparei com a empresa que trabalhei, fato consumado praticamente com os mesmos dizeres, e na situação no qual diz certo ou errado? havia também a forma de dizer voltado para satisfação salarial, no qual dizia ” A empresa finge que me paga e eu finjo que trabalho”. Como o tempo não para e a lei da competitividade e da sobrevivência está presente, as coisas mudaram e estão cada vez mudando, teremos mais empresas consolidadas e compremetidas com os resultados e com certeza esta mentalidade irá ficando cada vez menos vistas. Exelente artigo, parabéns. Agnaldo I. Silva.

  14. itamarbarbosa

    gostei muito da sua histótia, hoje na existe proficional que só faz que está a obrigação, não procura saber e fazer mais sem ser mandado, não tem entereço em ajudar a fonte pagadora do seu salário.

  15. Ricardo Penna

    Muio boa sa história, ainda mais sendo um “causo”veridico, é uma pena que mesmo passado város anos ainda existam profissionais Josiel, e ainda exista a lei de Jerson “levar vantagem em tudo “

  16. Charles Plínio

    Uma história muito boa que representa um típico comportamento que ainda temos dentro de áreas produtivas em uma empresa.
    Isto é um dos maiores trabalhos de um gestor para buscar resultados: “Mudança de Cultura”. A palavra chave neste caso é o Compromentimento do funcionário, não pensando somente na sua função mas sim, e principalmente, no “Como posso fazer para meu equipamento ser mais propdutivo?”
    Alerto ainda para o grande precipício que existe entre as equipes de manutenção e operação, pois nem sempre as responsabilidades estão definidas e implementadas, e por muitas vezes a perda de produtividade esta exatamente neste ponto. É extremamente importante que exista uma comunicação fiel e parceira entre as duas áreas, pois o objetivo deve ser comum e com a participação de todos.
    Abraço amigos.

  17. Ricardo

    Fantástico!!!!
    Necessidade remunerada… hahahahahaha.

  18. Andrade

    Bom, publicar fatos mesmo que antigos, de modo que leitores podem notar as atitudes e competências presentes no trabalho.

    Porém, existe o outro lado da balança, profissional eficiente e eficaz.
    Proponho, nova cronica a “lei de Justino”,sedo meus direitos autorais. Disponha e abraços

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