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Crônicas do Chão de Fabrica

cronicas

 

Confiabilidade na Manutenção. Pexão e o comissionamento de equipamentos.

- 17/10/2008

Muito anos atrás, digamos, no século passado, os carros novos saiam de fábrica com a instrução de “amaciar” nos primeiros 500, 1000 km. Imagine. A precisão da usinagem e da fabricação de equipamentos naqueles tempos heróicos (e hoje?) não era nada parecido com o que temos agora.

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Era a lei do “pega leve”, pelo menos por um período, para evitar que a “mortalidade infantil”, aquele período inicial chato da curva da banheira, pegasse pesado com o motor do seu carro.

Passou o tempo, vieram os programas de qualidade, a universalização do direito (compromisso?) das coisas funcionarem bem e desde o primeiro instante. 

Voce compra um equipamento ou uma linha de produção ou mesmo uma fábrica inteira e ela deve funcionar corretamente desde o primeiro produto que sai do processo.

Uma das grandes contribuições para esta melhoria da qualidade é a Engenharia de Confiabilidade.

Como todo ovo de Colombbo, o negócio é simples, bastando voce não jogar fora tudo o que já sofreu, fazer um histograma, qualificar e quantificar eventos e… bingo. Voce aprende e não comete os mesmos erros e, principalmente, não deixa que os problemas antigos ressuscitem.

A Engenharia de Confiabilidade é simples, no conceito e na aplicação. Mas, como tudo que existe de bom em termos de processos e resultados, há que se investir em pessoas e sistemas.

E deste gancho vem a história de hoje. As pessoas que fazem a tal da confiabilidade aparecer.

O Pexão era meu coordenador técnico na implantação da manutenção naquela bela siderúrgica em construção lá em Santa Catarina. Um projeto greenfield com o estado da arte em termos de equipamentos e sistema de gestão. Um belo desafio que se tornou um benchamrking internacional logo no começo do século XXI.

Pois então,  como eu dizia, o Francisco Pexão era um dos meus braços direitos naquele trabalho de terceirização da manutenção que compreendia montar estrutura, contratar e treinar profissionais, receber documentação e equipamentos, receber e armazenar sobressalentes, desenvolver fornecedores e parceiros, atender o cliente, implantar o sofware de gestão e construir os planos de manutenção e … comissionar as linhas. Só isso.

Com tempo e recursos escassos, nestes casos recomenda-se ter vários braços direitos e esquerdos.

O braço direito Pexão, polivalente dos melhores que conheci em minha vida profisisonal, mandava ver em várias áreas. Mas no comissionamento, ele e sua equipe, tiveram um desempenho muito acima da média.

Esse negócio do “já vi este filme antes” só acontece com quem vai ao cinema. Quando o vídeo chega na prateleira da locadora já não é o sucesso e o papo do momento. 

O Chico Pexão já tinha dado manutenção e comissionado muitas linhas em sua longa trajetória de sucesso profissional.

E um dia, e como voavam aqueles dias, chamei o Pexão e disse: vai ter um curso em São Paulo e quero que voce vá logo na primeira turma.

A resposta foi tranquila: – Não vai dar. Não nesta semana. Vão rodar a linha e vai dar problema e temos que estar aqui para minimizar os prejuízos.

Olhei para ele com cara de quem nào entendeu nada. 

– Sabe aquele problema dos mancais que levantamos na nossa lista de problemas graves que o fabricante garantiu que estamos errados? Aqueles que vão arrebentar. Pois então. Não trocaram nada e como algum deles vai quebrar temos que estar aqui para ajudar na solução do problema.

Muita gente pensa que o principal em estratégia de manutenção é o que fazer, quando e como. Errado. O principal é ter controle o suficiente, de dados e condições, para decidir o que não fazer.

Confiabilidade na manutenção está ligada a decisão sobre o risco de não fazer. 

Os fabricantes da tal linha, tinham decidido que não promoveriam a troca dos mancais. Eram muitos, grandes e caros. E já estavam instalados, sustentando seus rolos de até 6 toneladas e havia um prazo a cumprir. Achavam que o “amaciamento” da linha dava pro gasto.

O Pexão estava certo. Dos 72 mancais passíveis de quebrar, só dois iriam faze-lo naquele teste. É a teoria da corrente e o elo mais fraco. Arrebenta um. Conserta. Arrebenta outro. E assim vai.

Os dois mancais que quebraram foram os qeu fizeram um estrago de US$ 145.000,00. Além dos mancais, o rolo que caiu, caiu sobre um instrumento de medição muito, muito caro. A lei de Murphy sempre está de plantão. E daquela vez livrou nossa cara não cobrando nenhum acidente com pessoas. Só o lado material.

Conclusão: trocaram os 70 mancais restantes, alguns dias depois, numa parada não prevista, com um custo não orçado, etc., etc.

Os mancais de sustentação instalados eram diferentes dos que tinham sido previstos no projeto. Sabe aquela redução de custo de última hora? Aquela solução esperta, de quem acha que vai entregar e se mandar?

O Pexão e sua equipe tinham uma lista de mais umas duzentas observações sobre as instalações em comissionamento. Nenhuma delas tinha sido levada em consideração até o episódio dos mancais estropiados. 

Na reunião serguinte ao evento, a “lista amarela da manutenção” virou check-list oficial.

E a Unidade partiu com alguns degraus acima em termos de confiabilidade e, consequentemente, em índices de produtividade. Fazer a manutenção chegar cedo em projetos novos é be-a-bá que muita empresa ainda não se deu conta. Prevenir para não ter que remediar.

E o o Pexão? Orgulho não era sua marca. Nem deu bola para o acontecido. Fizera seu trabalho em todas as etapas. Aplicara sua técnica e seus limites de responsabilidade, até na hora de deixar rolar e deixar acontecer. Mas estava de plantão para assumir o que já previra.

E sabe de uma coisa? Sinto falta daqueles fins de semana em São Francisco do Sul, regados a boa conversa, companheirismo e cerveja gelada. Na casa de quem? Do Pexão.   

Pessoas,  como a gente, que fazem os causos no chão de fábrica. Que eu vi e vivi. Acredite quem quiser.

Abraços

Paulo Walter

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Publicado por: cronicas

6 Comentários


  1. Francisco Amaro Rodrigues (Pexão)

    É claro que o mérido não foi somente meu, tinha comigo uma equipe extremamente competente, eu estava trabalhando com a nata em termos de competência técnica e tinhamos outra vantagem, o nosso diretor (Paulo Walter) nos dava apoio em todos os sentidos: Recursos técnicos, ferramentas, treinamentos, tudo que fosse necessário para o bom desempenho das tarefas, muita cobrança mas sem stress e o ponto alto do PW era o gerenciamento das pessoas (raridade nos altos escalões), manter o auto estima do pessoal era uma constante.

    Francisco Amaro Rodrigues
    Consultor de Manutenção
    HAZTEC Soluções em Sustentabilidade
    francisco.rodrigues@haztec.com.br
    Tel.(21)40636188 R.5006
    (21)76397763

    Abraços

  2. Agnaldo

    Fato consumado, sou suspeito em fazer comentarios desta crônica, mas eu tive a oportunidade e felicidade de participar deste episódio profissional, apesar de não fazer parte diretamente da equipe estava por lá para presenciar e aprender mais. Esta situação reflete não só no êxito do sucesso e ego profissinal, mas como também na prova que nós brasileiros somos tanto ou mais profissionais e competentes ao contrários que alguns “gringos” despresam. Aproveito para mandar um grande abraço ao Pexão e novamente parabenizar o PW pelas grandes crônicas e oportunidade de participar daquela grande equipe dirigida por ele.
    Agnaldo Inácio da Silva.

  3. Jamile Gomes

    São Francisco é?! Terrinha boa! Orgulho de ser catarinense .. e o Pexão?! Virei fã dele! (risos!!!!) – rsrsrsr

    E nessas terras aqui tem “pexãos”, “tubarãos”, “cavalos marinhos” e tem uns “feras” que do Rio de Janeiro páram por aqui por uns tempos sabe?!
    Deixando a marca de profissionalismo, simplicidade e respeito (inclusive para com os mais jovens!)

    Aquele abraço!

    Jamile Gomes
    Analista de Mercado
    SoftExpert Software S/A

  4. Denison Ávila

    Endosso o texto e os comentários, pois não poderia deixá-los mentir sozinhos!

  5. Karina Giancotti

    Tive a felicidade de iniciar minha carreira profissional sendo orientada pelo Chico (Peixão). Pelos relatos, não mudou nada. Continua dando show na manutenção e na liderança.

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