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Crônicas do Chão de Fabrica

cronicas

 

Biografia mais ou menos autorizada

- 07/09/2008

Dize-me por onde andas e te direi que tipo de coisa vamos encontrar na sola do seu sapato.
Poeira, graxa, lama, zinco, níquel, água, ferro, óleo cru, suco de laranja, casca de uva, cobre, farinha de peixe, fertilizante, borra de solda, rebite usado, sal, areia, etc. etc.
Ator e testemunha, carona e condutor, pupilo e professor. De Estagiário a Diretor.
Estive por lá, ali e acolá. Cheguei cedo, saí tarde. Algumas vezes esperei pelo desfecho e em outras fiz acontecer.
Cavaleiro andante do mundo real, juntei histórias e estórias pra contar.
E não vou me fazer de rogado.
O que for de invenção ou não, a cada um de sua interpretação.
Causos e fatos.
Minhas, suas, nossas experiencias, compartilhadas para quebrar um pouco a rotina dessa vida tecnicista.
E aqui vai a primeira:
1ª LEI DO SUCESSO – Se não tentar, voce já sabe o resultado.
(Ou “Acredite, pois as vezes dá certo”).
Domingo. Um final de semana no mes de setembro de 1981.
A doce rotina da manhã preguiçosa no Rio de Janeiro. Jornal do Brasil, Caderno de Classificados.
Companhia de Navegação Contrata: Engenheiro formado com experiencia na área naval ou Oficial de Máquinas da Marinha Mercante cursando Administração de Empresas. Para trabalhar no exterior por dois anos. Fluente em ingles.
Entregar CV pessoalmente na empresa.
Salário acima do mercado.
Quando li o anúncio, me deu aquele arrepio do quase.
Após deixar a Marinha Mercante (tripulara navios da DOCENAVE), no quarto ano de engenharia elétrica, eu preenchia metade de cada requisito solicitado.
Puxa, melhor que o chute saia direto pela linha de fundo do que ficar marcada a imagem da bola batendo numa trave, depois na outra e … pra fora.
Li o anúncio umas 3 vezes. Ali, em curtas linhas poderia estar a solução para os meus problemas de insatisfação pessoal, salarial e profissional.
Trabalhando num grande estaleiro, tinha chegado ao meu “float” na linha de aprendizado. Agora era esperar dois anos pela formatura para me candidatar a outro cargo, dentro da empresa, é claro.
Mas, viviamos tempos de pré-recessão.
Encomendas acabando. Demissões a rodo. Perspectiva quase nenhuma. Na empresa e no mercado.
Brasil difícil o daqueles dias.
Mostrei o anúncio à minha mulher.
E disse: Daqui a dois anos, poderia ser…
A resposta veio na bucha: o que voce tem a perder? Algumas horas de serviço e duas folhas de papel do seu CV (uma página era a capa…).
Era isso mesmo.
A internet estava sendo inventada do outro lado do mundo e envio pelo correio parecia que não fora cogitado por quem estava selecionando o candidato.
Isso mesmo. Uma só vaga e meu CV só tinha uma folha. Espaçando bem as linhas, é claro.
Tres dias de vou não vou, fui. De paletó pra causar a boa primeira impressão, as 8:30 h da matina de uma quinta-feira, estava eu de frente para a secretária da Diretoria de Novas Construções.
– Onde entrego o CV? Vim por conta do anúncio de domingo.
– Quase perdeu o prazo (num sorriso amistoso). Era até ontem, mas, como o Diretor ainda não chegou …
– Entrego a Senhora?
– Ponha aí nessas pilha, bem em cima.
Era uma senhora pilha.
E como os CVs se parecem quando estão dentro de um envelope pardo!
– Obrigado pela oportunidade. Quando começam as entrevistas?
Na realidade queria perguntar quando seria contratado, mas achei otimismo demais diante da pilha que me parecia imensa. E poderia parecer abusado. Sabe-se lá se uma brincadeira numa hora dessas cause o efeito contrário.
O que tem a ver toda essa história com sucesso?
Tem que eram 92 candidatos (incluindo eu) para uma única vaga. E eu fui o escolhido.
Depois de 4 meses de processo seletivo, com direito a testes psicológicos, teste de memória, entrevistas pessoais e várias redações, fiquei entre os quatro finalistas.
Levei o premio (o emprego) porque, desde a primeira entrevista, entedera ser aquele um processo de aprendizado. A cada etapa vencida, uma comemoração particular.
Encerrado o processo, mais três meses para a contratação – quase (olha ele aí de novo) que o projeto de construção de 5 Navios na França e na Espanha não saem, e finalmente comecei a trabalhar na empresa.
O que veio depois?
Conto em outra. Tudo de uma vez não pode.
Abraços

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Publicado por: cronicas

9 Comentários


  1. Klai

    Gostei muito das histórias, nos ajudam a percever pequenos detalhes do dia-a-dia. Também tive uma experiência perecida com a do seu emprego.

    Quem não arrisca…

  2. Alcy

    Parabens…adorei as duas cronicas…se tiver mais gostaria de ler.
    Abraços
    Alcy

  3. ANTONIO

    Poderia ser bem melhor!!!!

  4. Rodrigo

    Gostei muito, serviu de “lição” para mim, hoje estou cursando Engenharia de Controle e Automação e faço estágio em uma industrial farmacêutica mesmo sabendo que não há a mínima chance de efetivação e em dezembro estarei no olho rua, continuo aqui pois estoua prendendo muito. É bom saber que pessoas já passaram por isso e que hoje estão muito bem na vida.
    Achei uma injeção de ânimo.

    Obrigado!

  5. Ademilton Rocha

    Você se preocupou com o Josuel? Quanto de responsabilidade da empresa (e sua) tinham naquela postura do Josuel quando as mudanças foram colocadas?
    Quanto de dedicação e cumprimento do dever ele colocou durante anos naquela que ele achara que era a maneira certa de proceder e que você, do alto de sua arrogância não percebeu na época e finaliza com uma triste revelação de que o eletricista foi vender enciclopédias…
    Faltou grandeza de sua parte ao não perceber que a verdadeira mudança não se faz só para a organização. A mudança se faz também para as pessoas.
    Talvez, se soubesse disso, não deixaria seu eletricista desperdiçar todo a história que tinha com sua empresa, todo o conhecimento, ser perdido (por você) naquele honroso trabalho de vender enciclopédias.

  6. Wagner Barros da Silva

    Interessante e muito boa para se refletir…sou supervisor de elétrica, e, na minha equipe tenho alguns Josiel…Fico chateado porque não conseguem mudar, e talvez , vendedor de enciclopédia, hoje em dia, tenha que ter uma visão maior de espiríto de equipe!!!!

  7. Rubens Roberto Faria Garcia

    Caro amigo,
    Julgo que a identificação de um determinado assunto , de interesse dos gestores de manutenção poderia ser identificado e colocado para comentários dos frequentadores da manutenção.net.
    No final de cada periodo, pré estabelecido, todos os comentários seriam utilizados para a estratificação da opinião da comunidade manutenção sobre o tema escolhido.
    Fica essa minha sugestão!
    grato,garcia

  8. Ronaldo de Oliveira

    Parabéns, gostei muito do tema, sou Supervisor de Produção e tem muitos Josiel por ai, que precisam aprender que o mundo está mudando de uma forma muito rapida, e que precisamos acompanhar estas mudanças.

  9. Edvaldo Mendes Reis

    Pertinente sua colocação referente a Educação. A cultura erdada no passado mostra o imediatismo como sendo a solução inovadora com a metodologia de treinamento, sim é uma ferramenta que traz resultados para amenizar uma possivel situação de desespero, mas temos sim é que buscarmos através da educação contínua a forma da sustentabilidade administrativa, financeira e acima de tudo, humana das organizações.

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