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Gestão Estratégica de Negócios

Paulo Walter

 

Apertem os cintos, a Manutenção sumiu.

- 19/10/2013

A notícia é mais que comum para quem trabalha na área de manutenção. É preciso reduzir os custos na empresa. Quem é o primeiro da fila? Ganha uma chave de fenda usada quem adivinhar.

New Sense Safety Tênis a prova de choque

Apertem os cintos, a Manutenção sumiu.

Esta semana a imprensa brasileira divulgou as dificuldades que a INFRAERO vive, as vésperas do leilão que concederá à iniciativa privada  o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro.

Como os grandes aeroportos, exatamente os 6 que são rentáveis, estão passando para a gestão da iniciativa privada, a empresa amarga uma perda espetacular de receitas. Os outros 70 aeroportos espalhados pelo país, para sobreviverem, terão que se virar no outro lado da equação do equilíbrio econômico-financeiro que é o custo.

No aeroporto Maestro Tom Jobim, mais conhecido como Galeão, já há cortes de 57% em pelo menos nove contratos de prestação de serviços de manutenção preventiva. O Galeão, como está de saída da esfera governamental, é um dos aeroportos mais afetados pela determinação da Infraero de apertar o cinto para reduzir despesas.

Segundo a Revista Época, a Infraero reduziu em 75,5% o valor mensal pago no contrato de manutenção e operação do sistema elétrico daquele aeroporto, para R$ 267,4 mil, e de 206 para 44 o pessoal alocado nos serviços, prestados pelo consórcio MPE/Consbem.

Para obter esses cortes, medidas extremas estão sendo tomadas e, por exemplo, não haverá mais manutenção preventiva nas pontes de embarque e contrato de operação dos Sistemas Eletrônicos do Galeão foi glosado em 72,8%, levando a equipe de profissionais desta área de 70 para 15 pessoas.

A coisa no Galeão vai esquentar pois até a assistência técnica dos serviços de ar-condicionado foi cortado pela metade. Outros serviços também entraram na linha de abate, com cortes em serviços de serviços de manutenção de escadas rolantes, elevadores e sistema de transporte de bagagens.

Será que os contratos eram superdimensionados?

Conclusão: só nesses exemplos de corte se coloca em alto risco a segurança aeroportuária (controle de acesso às áreas restritas, monitoramento dos pátios de aeronaves, trânsito de passageiros para embarque, informações de chegadas e partidas de voos e controle de energia elétrica) e também as pessoas e aeronaves nos momentos de embarque e desembarque.

Fiscalização

Fiscalização boa é aquela que ajuda a evitar os problemas. Pesquisar sobre destroços para saber a razão do acidente não é a melhor prática.

Com a privatização não há garantia de as coisas vão melhorar, mas pelo menos há a possibilidade de uma melhor fiscalização e cobrança sobre a segurança e a qualidade dos serviços. O governo não é bom fiscal do governo. E a gestão, não raro, é uma ação entre amigos.

Desde já todos queremos saber como se comportarão órgãos de fiscalização como a Vigilância Sanitária, Corpo de Bombeiros e o CREA.

E pelo que nos mostra o plano de voo (queda?) do Galeão, dá pra imaginar (e temer!) o que está acontecendo nos demais aeroportos que vão continuar na gestão governamental.

Solução fora do Radar

Sabe-se que a solução do problema de restrição orçamentária não virá de dentro da INFRAERO, pelo menos não de imediato. É grave a falta de planejamento e organização do governo na questão da operação e manutenção de aeroportos.

A privatização dos aeroportos é necessária e bem vinda mas, para variar, está sendo feita sem um plano de trabalho.

Rever, modificar, ampliar, diminuir, renegociar contratos é uma prática comum nas empresas privadas, que não podem pedir socorro aos cofres da viúva para sobreviverem. No governo, onde há as ilhas de boa gestão, também acontece.

No caso da Infraero, por falta total de qualidade gerencial, depois da porta arrombada, a receita para minorar o problema fica com o aspecto genérico de sempre: financiamento no BNDES, plano de demissão incentivada, renegociação de contratos comerciais, fechamento de terminais de carga não rentáveis e revisão tarifária.

Ainda segundo a Revista Época, recentemente, a estatal anunciou o início de um plano de reestruturação para abertura de capital, possibilitando a negociação de suas ações em bolsa de valores até 2016. A meta era concluir o enxugamento até fevereiro de 2014, com medidas como o fim das superintendências regionais.

Quem usa os serviços dos aeroportos brasileiros sabe que a manutenção desses ativos, historicamente, sempre foi ruim. Nada mais comum, ao usar estacionamentos, esperar em salas desconfortáveis e sem estrutura adequada, embarcando ou desembarcando, deparar-se com problemas com ar condicionado, elevadores, pontes de acesso, sinalização, banheiros, iluminação. Os problemas internos, aqueles que ocorrem onde os passageiros não tem acesso, sempre ficaram meio escondidos. Mas a falta de energia em diversas ocasiões e coisas estranhas como os contratos de serviços eternos, com as mesmas empresas por décadas, são evidencias de uma gestão, no mínimo, paralisada no tempo e no espaço.

Privatizado ou não, um aeroporto é onde há uma grande movimentação de pessoas e cargas, a responsabilidade é imensa e a confiabilidade e a disponibilidade dos equipamentos e instalações não podem ser tratados como segunda ou terceira linha de prioridade.

Ano que vem tem Copa no Brasil. A manutenção aeroportuária já levou seu cartão amarelo. Corre sério risco de levar cartão vermelho direto, antes mesmo do segundo amarelo.

Abraços

Paulo Walter

 

 

New Sense Safety Tênis a prova de choque
Publicado por: Paulo Walter

3 Comentários


  1. Alessandro Trombeta

    Meu caro amigo Paulo, concordo com você.
    A coisa tá feia e a gestão precisa melhorar, e muito!
    Tomara que com a ISO 55000 as coisas mudem e a gestão de ativos seja implementada de forma mais efetiva.
    E que venha a copa…

  2. Thiago

    Prezado Paulo e demais colegas

    Sou profissional de manutenção há algum tempo e a manutenção (na antiquada visão empresarial brasileira) é vista somente como custo e não é sequer consultada quanto á formulação da estratégia de uma organização.Talvez com a necessidade de otimizar os processos de negócio a Gestão de Ativos (via ISO 55000) pode começar a mudar essa visão, uma vez que a maior restrição para crescimento do país(ineficiência da máquina pública e impostos cada vez maiores) tão cedo será eliminada…
    .

    • Paulo Walter

      Thiago,
      Antes de mais nada agradeço por sua interação, dando retorno sobre o texto e ainda agregando mais temas ao que coloquei.
      É importante escrever, mas sem retorno, comentários, a gente fica sem saber se o que foi divulgado teve ou não algum valor para quem leu.
      E concordo com você sobre a valorização que a função Manutenção ainda não tem em muitas empresas.
      E quanto ao país, somos nós, eleitores, que colocamos os polticos na gestão do Brasil. Para mudarmos isso que aí está precisamos nós mudarmos antes.
      Valeu mesmo.
      Abraços
      Paulo Walter

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