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Crônicas do Chão de Fabrica

cronicas

 

A Lição de Faísca, Fumaça e Alemão. O tempo certo das coisas e a o aprendizado nosso de cada dia.

- 03/12/2008

Certa ocasião fui ao interior da Bahia para implantar um grande contrato de terceirização. O cliente era a PETROBRÁS e o negócio era dar manutenção em mais de 400 poços terrestres de extração de petróleo. Aquelas bombinhas tipo cavalo de pau, que a gente do interior do nordeste está acostumada a ver trabalhando dia e noite, enquanto as vacas, nos longos e belos campos, pastam ao redor.

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Bem, a dimensão do contrato podia ser dada em números: 120 pessoas, 25 veículos, duas bases distantes 40 km uma da outra, 60 km2 de área a cobrir, 24 x 24 horas de responsabilidade, etc., etc.

Naquele dia quente de verão a tarefa era contratar o engenheiro que iria chefiar a operação.

Para quem é do ramo, não é novidade de que sem a cabeça boa de pouco ou nada valem pés e mãos fortes.

E tinhamos marcado a entrevista, o Eng. Raul e eu, num restaurante conhecido na região. Foi fácil decidir pelo local e chegar lá. Era o único, num raio de 30 km.

O bar, boteco ou restaurante da Gorda era de pau a pique. Chão batido. Bem localizado, ficava na saída da cidade (ou entrada da próxima, como queira), ao lado da maior olaria daquelas paragens.

O calor era bahiano e ao cumpriemntar o Raul, logo na chegada, perguntei, com toda o cuidado para não parecer rude: – É aqui mesmo?

Ele sorriu e se apressou em me apresentar a Gorda. Mulher simpática, rechonchuda, que logo se introduziu na conversa. Até porque aquele contrato estava na boca de todo mundo. A empresa era do sul e ia contratar muita gente nova. Havia uma expectativa grande e ela, candidata a vereadora que na eleição anterior ganhara 79 votos (só mais 12 votos e se elegia), precisava se inteirar dos fatos pois saber das coisas antes dos outros, ali no sertão da Bahia ou em qualquer lugar, significa ter acesso as fontes, significa influencia e poder.

Mas meu assunto era com o Raul. E a conversa foi indo bem. A negociação avançava, com detalhes, valores, benefícios, metas, compromissos, informações de parte a parte.

A comida chegara, pois objetividade é isso: não havia cardápio mas um único prato com o básico que todo mundo sabe.

Depois do quarto ou quinto refrigerante, observei ao meu entrevistado que a comida, embora não fosse esfriar (com aquele calor, imagina!) estava ali para saciar nossa fome.

Ele me olhou de lado, assim meio incrédulo. Tipo hã?

Eu continuei: – Legal esse lugar. Simples, mas limpo. E tem esses três cachorrinhos ali, que estão deitados quietinhos, espantando as moscas com seus rabinhos, nem nos incomodaram rondando a mesa.

O bom paraibano Raul caiu na gargalhada. E falou, mostrando sua intimidade com a casa:

– Esses aí são Faísca, Fumaça e Alemão. Eles sabem que eu não vou comer nada, porque já conheço o padrão, e voce vai desistir na segunda garfada. Incomível é o mínimo que se pode dizer da comida da minha amiga Gorda. Portanto, a parte deles vai chegar no tempo certo. Pra que se estressar?

A reunião quase almoço seguiu bem, chegando ao objetivo a que se propunha.

Fiquei sem saber se passava ou não da segunda garfada, pois não toquei em nada.

E aprendi a primeira lição de muitas que iria ter naquelas paisagens maravilhosas do sertão:

A sua vez vai chegar, vá com calma. Mas faça a sua parte.

Esteja no lugar certo, na hora certa. E esteja pronto. O almoço não vai escapar.

Abraços

PW

Patrocínio: www.indicadoresdemanutencao.com.br

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Publicado por: cronicas

2 Comentários


  1. Flávio Corrêa

    Mais uma prova que a capacitação é fundamental.

  2. j.robertobraga

    muito bom, e preciso enfrentar as dificuldades com serenidade e perseverança.

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