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Gestão Estratégica de Negócios

Paulo Walter

 

A estratégia da guerra, para gerentes de manutenção

- 18/08/2012

Outro dia desses, em meio a uma aula de pós-graduação para um turma de gerentes e supervisores da Vale do Rio Doce, uma pergunta apareceu. Exato quando o assunto ANS – Acordo de Nível de Serviços começava a pegar fogo, na discussão de como se chega a um acordo quando as partes tem a mesma força e, aparentemente, objetivos, metas diferentes.

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Diante de um tumulto sadio (essa expressão é boa!), estava tentando colocar que a palavra chave seria a motivação das partes, onde os interesses se encontravam, quando do fundo da sala, alguém levantou a mão pedindo atenção. Pedi silencio para que ouvíssemos o que o nobre colega teria a dizer.

– Qual livro o senhor recomenda para leitura, para quem tem que iniciar uma monografia e não sabe por onde começar?

Um conselho que recebi de um mestre, há muitos anos, me passou pela cabeça. “Quando alguém em aula te cutucar com uma pergunta chata de se responder e isto te incomodar, devolva com um depende”. Depende é uma palavra arrasadora. Depende é o contraponto do se. E se depende é mortal.

Recomendar um livro é coisa séria. É que nem receita médica. Só se deveria emitir depois de examinar bem o paciente e com um bom conjunto de exames prévios. Sim, porque alguns livros são tarja preta, outros são placebos, e há ainda aqueles que viciam. Existem livros que te fazem renovar a fé, outros podem provocar efeitos colaterais definitivos.

A diferença básica entre livros e remédios está no fato de que nem todo remédio foi experimentado pessoalmente pelo profissional que o recomenda. Mas como indicar, responsavelmente, um livro sem te-lo lido?

É claro que esta reflexão toda só faço agora. Na hora, em sala de aula, o que fiz foi andar até o fim da sala, aproximando-me do perguntador inesperado e, de pertinho, fazer o meu pedido: – Pode repetir sua pergunta?

– Professor, o tema da minha monografia está mais ou menos delineado na minha cabeça. Mas preciso me inspirar em algo para dar início ao trabalho. Argumentos técnicos eu tenho, o que não tenho são as linhas por onde desfiar este novelo. Tá faltando um pontapé inicial, para colocar a bola em jogo. Qual livro recomenda para quem está nesta situação?

Pelo visto, com o silencio que se fez, aquela era uma pergunta importante para todos. Tive a impressão de que a maioria pegara caneta e papel para anotar.

Voltei à frente da turma, fazendo suspense e ganhando alguns segundos para a minha resposta.

– Quem aqui já leu Sun-tzu?

Ahá, ninguém tinha lido.

É comum isso. Engenheiros e técnicos leem muito. Manuais, técnicas de gestão, novidades tecnológicas, coisas do gênero. Até uma auto-estimazinha de vez em quando para variar o cardápio. Mas nós, os profissionais da Manutenção, não nos interessamos por estratégia. Tática sim, estratégia não.

E Sun-tzu é estratégia básica, há mais de 2 mil anos. Para todos os gostos, todos os casos, todas as situações.

– Se você quer abrir sua cabeça, antes de começar qualquer tarefa, pare e pense no que tem pela frente. Desde organizar uma empresa com mil colaboradores a preparar uma parada de manutenção da caldeira, há que se ter uma estratégia.  Isso serve também para uma monografia. Leia “Sun-tzu e a arte da guerra”, depois me diga se valeu a receita.

Não sei a quantas anda a monografia que estava em gestação, mas certamente será legal ver em algumas bibliografias dos trabalhos a citação de Sun-Tzu.

A propósito desta história real, existem muitas frases atribuídas ao general chinês, mas uma de que gosto particularmente é aquela que diz: “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.” Entendeu?

Tenho dito.

Abraços

Paulo Walter
paulo.walter@manutencao.net
Lima Walter Consultoria
Twitter: @manutencaonet
http://www.facebook.com/manutencao.net

 

PS. Não recomendo remédios, mesmo os que tomei com bom resultado, já livros, só recomendo os que cheguei ao fim. Continuo lendo Sun-Tzu: “O objetivo da guerra é a paz”.

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Publicado por: Paulo Walter

3 Comentários


  1. Rubens Pereira

    Estratégia é algo muito importante.
    O nosso ambiente de trabalho , pode se tornar do mais doce , ao mais amargo em poucos segundos.
    SAber onde está , onde quer chegar e como chegar é importante.
    Mas o mais importante é saber quem está no seu barco , e como trata-lo.

  2. Milton A G Zen

    Sábias as palavras do colega Paulo. Sem dúvida alguma a estratégia se bem definida colabora em muito para o alcance de metas. Mas uma coisa me permitam acrescentar. Disciplina em seguir a estratégia. Sem ela, inexiste time campeão.

  3. Rafael Sanches

    Como Paulo disse pessoal de manutenção trabalha muito com tática, mas a estratégia vem ao longo dos anos sendo inserida na manutenção. Os times campeões estão com nível de maturidade em estratégia bem avançado.

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