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Crônicas do Chão de Fabrica

cronicas

 

A DECISÃO DO LÍDER NA CRISE: OU MATO OU MORRO.

- 14/11/2008

A liderança é algo que muitas vezes só a vemos no momento de crise. E a história de hoje é sobre isso.

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Era uma empresa que já se destacava no mercado. Crescera, no curto espaço de uma ano, inacreditáveis 450%. E em se tratando de uma empresa de serviços, isso é o que se pode chamar de colossal.

Colossal era o nível de estresse, de recursos alocados, de dedicação das gerencias e supervisores.

Mas a qualidade dos serviços, por incrível que pareça, melhorava a cada dia de trabalho, dada a forte sistemática implantada e a cultura de fazer bem feito, desde a primeira oportunidade.

Quem trabalha com serviços sabe que dureza é isso. Além do pacote de remuneração, o clima com que a empresa trabalhava era o grande diferencial. Equipe com espírito.

E o sucesso atrai a atenção. Dos que olham com bons olhos e dos que não tanto também.

Chegando perto dos 1100 empregados, a empresa – vamos chama-la aqui de SERVEX, estava na mira do sindicato dos trabalhadores.

A SERVEX pagava salários acima do mercado e em dia (uau!), oferecia plano de saúde e vale transporte (uau!), o ferramental era novo e uniformes idem (uau e uau!).

Os serviços da SERVEX eram o destaque entre todos os fornecedores daquela grande empresa de distribuição de energia elétrica. Simplesmente era a campeã em indicadores positivos: menor índice de turn-over, melhor performance técnica, maior índice de aproveitamento de material, melhores cumprimentos de prazo de serviços, menor taxa de incidência de fraudes, menor taxa de acidentes de trabalho do mercado, etc., etc. (Uau, uau e uau!)

Mas o sindicato estava em campanha salarial, para toda uma categoria. E precisava mostrar serviço. Precisava fazer barulho e chamar a atenção. Nesse casos, parar uma empresa com 5 funcionários, não dá IBOPE. A imprensa não aparece para fotografar ou filmar e a repercussão não ajuda.

Parando-se a SERVEX por dois dias, a título de advertência,  serviria como exemplo de mobilização e capacidade de ampliação de um movimento grevista se a coisa não fosse encaminhada na mesa de negociação com a devida atenção. Coisas da política sindical e das táticas do fazer acontecer.

O presidente do sindicato avisara antecipadamente o diretor da SERVEX da paralisação. Hora, carro de som, panfletos, conteúdo do discurso, etc. Na base do desculpa aí, mas sabe como é: Vocês são o exemplo, a referencia para quase toda a categoria, a empresa desejada para se trabalhar. Mas vocês também são os maiores. Daí…

Dia da paralisação. Embora anunciada até nas rádios, o estresse é claro que existia. Sabe-se lá o que vai rolar quando se aglomeram mais de 500 pessoas, numa rua estreita e com gente querendo passar e gente querendo bloquear? Pode aparecer, assim do nada, aquela peça que gosta de ver o circo pegar fogo…

Portões fechados, carro de som impedindo a entrada, faixas, etc., estava montado o cenário.

A turma da barreira não era da empresa, como sempre acontece nestes eventos e a uns 100 metros do carro de som foi juntando gente, funcionários, curiosos, moradores da área.

Chega o carro do diretor da SERVEX e começa a negociação para deixa-lo entrar, junto com mais dois ou três gerentes e a gerente do RH.

Papo daqui, papo dali. Uma boa e rápida negociação. E o carro está liberado, em menos de 15 minutos.

Ao passar pelo carro de som, a vaia pelo auto-falante, acompanhada das palavras da ocasião: trabalhador explorado, patrão aproveitador, e coisas do gênero.

No mais, foi uma paralisação pacífica, como combinado. Deu o efeito desejado nas negociações, que afinal também não tinham problema e ainda deu aquela ajudinha na reeleição do presidente do sindicato.

Passado o evento, veem as histórias. E cada um tinha a sua pra contar. Não sei quem pulou o muro pois não queria ser taxado de grevista, outro não trabalhara para não ser encarado como fura-greve (seu bronzeado demonstrava que a praia tinha sido boa).

A melhor era a do diretor. Perguntado como tinha sido aquele diálogo-negociação para sua entrada na planta, foi taxativo: – Eu disse a eles que comigo era assim. Vou entrar e pronto. Sou um radical também. Ou mato ou morro. Aí eles arregalaram os olhos e viram que não podia ser de outra forma. Me deixaram passar.

E completava, numa gargalhada só: E se eles quisessem me por a prova, não ia ter dúvida – ou corria para o mato ou fugia para o morro.

Aquela paralisação foi uma grande aula sobre administração de equipes e gestão de crise. Os serviços acumulados por dois dias de ausência no campo foram colocados em dia em uma semana. Não se admitia que o backlog, até então sob controle, virasse a partir dali um problema. E a liderança exercida de forma compartilhada, valeu-se da oportunidade daquela crise para mostrar o quanto fazia parte do sucesso daquela empresa.

O bom humor e a tranquilidade do chefe, dava a todos a certeza de tudo ia se resolver. Na hora certa, sem pestanejar. Era só decidir: mato ou morro?

Abraços

Paulo Walter
paulo.walter@manutencao.net

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Publicado por: cronicas

2 Comentários


  1. Leila

    Quando a situação aperta, o líder sempre aparece. Enquanto a maioria fica pensando no que precisa aprender para se tornar um líder, uns poucos saem resolvendo os grandes conflitos. Na teoria, todos somos líderes. Na prática, o líder é o que aproveita a oportunidade e se mostra um LIDER.

  2. Ronaldo

    Pode ser que eu esteja completamente enganado, mas acho que trabalhei na SERVEX…
    Enfim, concordo com a Leila, são nos momentos de crise que os verdadeiros líderes se mostram.

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