Minha história na Manutenção PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Joel da Rocha Filho   
Qua, 03 de Fevereiro de 2010 10:07

Autor: Joel da Rocha Filho

Em 1973, aos 16 anos de idade, fui trabalhar como contínuo (Office-boy), em uma fabrica de móveis (Móveis Cimo), instalada em Curitiba, Paraná.

Os gerentes tinham conhecimento de minha formação pelo SENAI como mecânico de manutenção industrial e do meu desejo de trabalhar na oficina mecânica. Após seis meses fui transferido e realizei meu desejo de atuar na minha especialidade.

Por ser menor de idade os serviços por mim executados eram selecionados e não tinha dificuldades para executar. Seu Andrino, nome do meu novo chefe estava feliz com sua nova aquisição, pois via em mim alguém com muita disposição para o trabalho que até prometeu um aumento de salário.

Lembro que ao receber esta promessa, fiquei super motivado e executava minhas atividades com presteza e sem vacilar, corria pela fábrica com minhas ferramentas e o sorriso de felicidade estampado em meu rosto era percebido por onde eu passava.

Aquela alegria contagiava as pessoas. Quando precisava de alguma ferramenta especial, eu corria em direção a ferramentaria e ofegante pedia ao responsável pelo local, Sr. Demeterco, este por sua vez comentava com outras pessoas, "-vocês não estão sentindo um vento forte, um furacão? Parece que entrou uma ventania aqui na oficina", e logo me deram o apelido de ventania. Numa velocidade impressionante meu apelido foi espalhado para todos os funcionários da fábrica e não adiantou nada lutar contra, pois a partir daquela data ninguém me chamava pelo nome, somente ‘Ventania'.

Na semana seguinte a empresa inaugurou uma máquina de colar madeira, algumas operações eram automatizadas. Nela existia um panelão cheio de divisões e num formato muito esquisito, ela aquecia e injetava cola para emendar partes dos móveis fabricados, no começo não deu muito problema, mas logo começou a cristalizar e entupir. Meu chefe imediato, Sr. Andrino me pediu para limpar aquele equipamento. Fabriquei com lâminas de serra algumas raspadeiras, para a limpeza. O panelão era ligado numa tomada de 110 v, para ajudar a derreter a cola. Sem luva de proteção acabei queimando meu punho e partes das mãos. Terminada a obra meu chefe que estava por perto viu e ficou admirado com a limpeza que eu tinha feito e fez o seguinte pronunciamento. "-Ventania! A partir de hoje você vai ser o limpador oficial de panelas."

Nossa vida é marcada por experiências diárias, e seria muito complicado colocar em papel todas elas, mas estes acontecimentos foram marcantes na minha vida profissional, e registro duas lições que podem ser úteis para quem entender o recado:
1- Quando meu chefe afirmou que a partir daquela data eu seria o limpador oficial de panelas, criei uma simples filosofia de vida: "-Quem é bom em serviço ruim, nunca pega serviço bom!".
Isto acontece freqüentemente em empresas que não observam o potencial de seus funcionários e coloca-os à margem de atividades importantes onde podem desenvolver suas habilidades.

2- Não devemos prometer o que não podemos oferecer.
O aumento de salário prometido não foi concedido. Fiquei frustrado porque acreditei na promessa de ser reconhecido. No envelope que recebi no final do mês onde estava depositado o meu pagamento não tinha nem um centavo a mais, se comparado ao mês anterior, meu esforço foi em vão e meus valores deveriam ser revistos.

Nem por isto me abalei, porém aprendi que devo me valorizar e que minha auto-estima depende exclusivamente do meu esforço em querer vencer na vida.

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