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Inspeção Termográfica Segura e Problemas Decorrentes da Aplicação da NR10 em Novos Projetos

Preditiva - 12/06/2012

Por: Domingos Guerra

Termografia Infravermelha

Após o desenvolvimento da termografia infravermelha e a sua aplicação em monitoramento de dispositivos elétricos os riscos de danos e acidentes elétricos reduziram consideravelmente.

As anormalidades térmicas detectadas são associadas com falhas elétricas potenciais que poderiam causar situações de alto risco, danos a equipamentos e paradas de produção, causando perdas materiais, elevação do custo de manutenção; lucro cessante com a perda de produção; e até afetar o ROI (Return Over Investment) de novos investimentos.

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Mas o maior problema que temos, sem duvida alguma, trata-se da segurança dos termografistas e eletricistas que trabalham com os painéis, cubículos, gavetas, caixas de ligação de transformadores e motores energizados. O risco de produzir um arco elétrico nestas condições é muito alto.

O arco elétrico é resultado de uma rápida liberação de energia devido a uma falha entre as fases, fase e neutro ou terra. Um arco surge quando pelo menos parte a corrente passa através de um dielétrico, geralmente o ar.

A temperatura no nucleo de um arco elétrico pode chegar a 20.000ºC e o volume da massa de ar pode expandir até 67.000 vezes, causando a vaporização do cobre e luz intensa.

Toda esta energia pode causar serios acidentes.

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Analisando da NR10

No parágrafo 10.1 a NR “fixa as condições mínimas exigíveis para garantir a segurança dos empregados que trabalham em instalações elétricas, em suas diversas etapas, incluindo projeto, execução, operação, manutenção, reforma e ampliação e, ainda, a segurança de usuários e terceiros”.

No parágrafo 10.1.1. a NR diz que todos os que trabalham em eletricidade, em qualquer das fases de geração, transmissão, distribuição e consumo de energia elétrica são responsáveis pela aplicação da norma.

No parágrafo 10.1.2.a NR diz que nas instalações e serviços em eletricidade, devem ser observadas no projeto, execução, operação, manutenção, reforma e ampliação, as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos órgãos competentes e, na falta destas, as normas internacionais vigentes.

Resumindo tudo, é obrigatório o uso das normas nacionais e internacionais.

Já nos parágrafos 10.2.1.e 10.2.1.1 da NR são avaliados os riscos de contato com as partes energizadas de painéis, cubículos, gavetas e outros. Todas as partes das instalações elétricas devem ser projetadas e executadas de modo que seja possível prevenir, por meios seguros, os perigos de choque elétrico e todos os outros tipos de acidentes.

Resumindo, deve-se isolar as partes energizadas.

Problemas Decorrentes da Aplicação da NR10

A questão atual é que todos os painéis fabricados após a publicação da NR 10 praticamente estão de acordo com a mesma, entretanto, ainda exigem que os painéis sejam abertos para que se faça a termografia dos mesmos. A solução encontrada pelos fabricantes foi cobrir as partes energizadas com policarbonatos.

É sabido que os policarbonatos, acrílicos, vidros e água são filtros para o infravermelho, quem não se lembra do filme “O PREDADOR”. O ator Arnold Schwarzenegger que interpreta no filme o Major Alan “Dutch” Schaeffer, somente vence o alienígena apos descobrir que ele não enxergava através da água (e lama) porque sua visão era infravermelha.

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Assim continuamos a conviver com os riscos de acidentes e arcos elétricos em painéis após a publicação da NR10, praticamente permanecem inalterados.

Estatísticas de Acidentes

Segundo um grande fabricante de painéis os acidentes acontecem conforme a seguinte estatística:
• 25% dos casos acontece quando o operador está longe do painel;

• 10% dos casos quando o operador está na frente do painel, com a porta fechada;

• 65% dos casos quando o operador está trabalhando com a porta aberta do painel;

• 99 % das vezes o incidente de arco é causado por uma intervenção.

Em média, uma lesão grave ou fatalidade ocorre a cada 3,2 horas, como resultado de um evento de “flash arc” nas indústrias americanas. No Brasil não existe estática confiável.

Janelas de Inspeção Termográfica – JIT

Segundo definição em norma uma janela de inspeção termográfica (JIT) ou janela infravermelha é uma “lente transparente aos comprimentos de onda na faixa do infravermelho, utilizada quando, por alguma razão (segurança, acesso), o meio ou atmosfera específica necessita ser isolado, ou já é isolado, e os componentes internos necessitam ser inspecionados por termografia”.

Necessidades de Mudanças para Adequar a Segurança e a Termografia

Em função de todo o exposto torna-se necessário alterações das normas e também dos painéis. As principais sugestões de alterações nas normas, Inclui NR10 e normas de painéis (NBR IEC 62271-200 ; NBR IEC 60439-1):

• Mudar o texto da NR 10 nos parágrafos 10.2.1.e 10.2.1.1 Todas as partes das instalações elétricas devem ser projetadas e executadas de modo que seja possível prevenir, por meios seguros (exceto proteções que impeçam a termografia), os perigos de choque elétrico e todos os outros tipos de acidentes.

• Definir critérios para aplicação das janelas de inspeção termográfica (JIT) em painéis elétricos (NBR IEC 62271-200 / NBR IEC 60439-1).

• Definir critérios para testes das janelas de inspeção termográfica (JIT) (NBR IEC 62271-200 / NBR IEC 60439-1):

As principais alterações a serem aplicadas aos painéis são as seguintes:
• Eliminar a aplicação de policarbonatos e outros dispositivos que impeçam a termografia.

• Painéis 100% fechados e com janelas de inspeção termográfica.

• Eliminar grades internas instaladas após portas de cubículos e outros.

Estas alterações farão com tenhamos painéis mais seguros de menor custo entre outras vantagens.

Vantagens da Utilização das Janelas de Inspeção Termográfica.

A utilização de JITs em substituição dos policarbonatos e outros similares propiciam diversas vantagens:

• Painéis 100% fechados, sendo abertos exclusivamente durante as manutenções programadas em função de defeitos localizados pela termografia.

• Eliminação de toda e qualquer possibilidade de exposição de eletricistas a barramentos energizados.

• Eliminação de qualquer possibilidade de exposição de eletricistas e técnicos termografistas a arcos elétricos.

• Eliminação da possibilidade de ocorrência de arcos decorrentes de pontos de mal contato de fim de vida de componentes elétricos.

• Eliminação dos serviços de limpeza e reaperto de painéis.

• Conseqüente aumento do MTBF e redução do MTTR.

• Redução do custo de manutenção e de estoque de peças sobressalentes.

• Aumento expressivo da disponibilidade de maquinas.

• Possibilidade de execução de termografia em 100% dos equipamentos (cubículos, painéis, gavetas, caixas de ligação de transformadores,

motores, etc.). Hoje sabemos que em média no mínimo 35% dos equipamentos não são monitorados por falta de condições seguras.

• Realização de termografia em caixas de ligação de motores e transformadores, itens até então não monitorado.

• Redução do valor da apólice de seguros das empresas.

Referencias Bibliográficas:

1. NR10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade.

2. NBR IEC 62271-200 – Conjunto de manobra e controle de alta-tensão Parte 200: Conjunto de manobra e controle de alta-tensão em invólucro metálico para tensões acima de 1 kV até e inclusive 52 kV.

3. NBR IEC 60439-1 – Conjuntos de manobra e controle de baixa tensão – Parte 1: Conjuntos com ensaio de tipo totalmente testados (TTA) e conjuntos com ensaio de tipo parcialmente testados (PTTA).

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Publicado por: Administrador

3 Comentários


  1. Lorencini

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  2. Inspeção Termográfica

    Muito bom saber um pouco mais sobre a Inspeção Termográfica, obrigado pela explicação

  3. Joelso Sobrinho

    A partir de qual temperatura eu posso condenar um componente