Buenas tardes muchachos!
Da mesma forma que artistas teatrais agradecem o público pela atenção e presença fazendo reverência, faço o mesmo gesto aqui virtualmente agradecendo todas as visitas e comentários na inauguração do blog.
Escrever sempre foi um hobby, menor apenas do que o de ler, e o blog é uma forma ótima de expor e trocar experiências, opiniões e contar histórias. Obrigada mais uma vez à todos!
Queria contar uma aqui, um tantinho engraçada.
Fazia calor no centro oeste do Brasil. Período de seca, nariz sangrento, pele rachada e garganta arranhando. Uma indústria automotiva do interior de Goiás, já cliente de um projeto pequeninho e pouco rentável, pediu uma visita de relacionamento de uma tarde e que outras soluções em software da suite que eu vendia fossem apresentadas para uma equipe.
Assim, com medo de dirigir de noite em estradas desconhecidas, por 400 km, optei pelo velho e bom ônibus interestadual.
5 horas de viagem, em umas estradas bem ruins, e eu vestindo roupa de malha bem confortável, levava uma malinha quase que uma frasqueira nas mãos, com a roupa do dia seguinte. Os planos eram de voltar no dia seguinte para o lar na capital federal.
A indústria começava as atividades às 07 da manhã, e pra quem começava a trabalhar entre 8:30 e 9 horas, já foi um pouco perturbador.
Sapato de salto alto, calça e terninho preto, cabelo solto e brincos grandes. Tudo porque eu esperava entrar em uma salinha pequena e fazer uma apresentação extremamente técnica para a equipe de tecnologia da informação.
Ah, como eu estava enganada!
Nada disso adiantou… Na portaria:
- Senhora, sapatos de salto são proibidos na fábrica.
- Vou andar descalço então?
- Não senhora. Vista esses sapatos de segurança, por favor.
Gente, tenho 1,65 de altura, a calça do terninho foi feita pra usar com salto! Imaginem uma pessoa baixinha, com um tanto de calça social dobrada nas canelas.
- Senhora. Por medida de segurança, pedimos que prenda os cabelos.
- Senhor, desculpe, não tenho prendedor.
De nada adiantou a escova bem feita, tive que prender (e quebrar) os cabelos com elástico de dinheiro! Perguntem para suas esposas como é ruim prender o cabelo com essas borrachinhas! Elas vão concordar comigo, tenho certeza absoluta.
- Senhora. Os brincos grandes podem ser perigosos caso necessite de ajuda em alguma situação de emergência.
Ok, eu sem brincos, sem relógios e sem anel não sou eu! Mas o que a gente não faz por um cliente né?
- Senhora, celular deve ficar na recepção por medida de segurança das informações. Máquina fotográfica e qualquer captador de imagem e comunicação com meio externo também.
Tenho complexo de turista e ando sempre com máquinas fotográficas. Deixei metade da minha bolsa na recepção!
Uma vendedora incomunicável o dia todo não me parecia uma boa idéia. Depois de registrar o serial do notebook, RG, CPF, endereço e de praticamente me despir de todas as coisas delicadas e femininas, entrei na fábrica.
Sala de reunião e o que era pra ser uma pequena equipe de TI, virou 23 pessoas de todas as áreas possíveis e imagináveis. Sorte que trabalho em uma empresa que desenvolve sistemas gerenciais pra todas as áreas de negócios de uma empresa de grande porte. Show, foi o que eu tentei proporcionar ali. Acho que deu certo, me pediram pra ficar mais 1 dia realizando esses workshops em cada área da indústria.
Em uma cidade com 30 mil habitantes, alguém acha que havia loja de calcinha, sutien e roupas depois das 18 horas? Sorte do tempo seco que em uma noite secou tudo o que precisava! Sem amaciante foi uma experiência única, acreditem!
Mais um dia falando, falando e vendendo sonhos. Mais um dia inteirinho analisando planilhas, relatórios e informações. Mais um dia sem brincos, com barra da calça dobrada, com sapato de homem e incomunicável com o mundo.
Por estar de sapatos seguros, pude passar 2 horas visitando todo o chão de fábrica, presenciei testes de velocidade e qualidade dos pneus e ainda acompanhei a inspeção das pick-ups prontas.
Resultado disso tudo: Dois dias parecendo um “menino”, rouca, uma venda muito boa fechada, contrato ampliado e um conhecimento maravilhoso sobre inspeção de fornecedores e parceiros da cadeia de negócios de uma multinacional automotiva.
Ah, ganhei ainda uma agenda e uma blusa pólo da grife.
Tirei o salto, mas valeu a pena, não acham?
Faria tudo de novo, mas dessa vez eu iria com uma calça mais curta, sapatilhas de couro baixinhas e bem delicadas e levaria prendedor de cabelos! Ah, e roupas extras, claro!