Flores e aplausos, hoje é o nosso dia!

8/03/10

Eu sempre me perguntei por que não existe o dia do homem.

Depois de alguns anos já comecei a indagar por que existe um dia específico pra comemorar a vida e trajetória da mulher neste mundo.

Dia da mulher deveria ser todos os dias. (leia mais…)

Sorte deles e parabéns à elas!

3/03/10

Desta vez fui dirigindo. Saí cedo de Joinville e depois de 5 horas e 10 minutos de BR cheguei em uma indústria cerâmica no sul do estado de SC.

Nas reuniões com áreas de tecnologia, estou bem acostumada a encontrar homens, na faixa de 27 à 40 anos. Alguns mais simpáticos, outros mais fechados, mas todos muito práticos, objetivos e diretos.

Desta vez, a responsável pela area de Tecnologia da empresa tinha cabelos compridos, uma maquiagem muito discreta, salto alto e era dona de uma simpatia fora do comum. (leia mais…)

Single sim, competente também!

21/02/10

Aos 19 anos fui para campo vender softwares gerenciais para o setor público.

Jovem, com cabelos cumpridos, aparência apresentável e uma pele que entregava a pouca experiência, tive que partir para recursos suspeitos.

Aliança dourada na mão esquerda e roupas escuras e clássicas foram alguns dos recursos que usei e abusei pra ter a confiança dos potenciais clientes e parceiros. (leia mais…)

Saí do salto mas não perdi a pose!

9/02/10

 Buenas tardes muchachos!

Da mesma forma que artistas teatrais agradecem o público pela atenção e presença fazendo reverência, faço o mesmo gesto aqui virtualmente agradecendo todas as visitas e comentários na inauguração do blog.

Escrever sempre foi um hobby, menor apenas do que o de ler, e o blog é uma forma ótima de expor e trocar experiências, opiniões e contar histórias. Obrigada mais uma vez à todos!

Queria contar uma aqui, um tantinho engraçada.

Fazia calor no centro oeste do Brasil. Período de seca, nariz sangrento, pele rachada e garganta arranhando. Uma indústria automotiva do interior de Goiás, já cliente de um projeto pequeninho e pouco rentável, pediu uma visita de relacionamento de uma tarde e que outras soluções em software da suite que eu vendia fossem apresentadas para uma equipe.

Assim, com medo de dirigir de noite em estradas desconhecidas, por 400 km, optei pelo velho e bom ônibus interestadual.

5 horas de viagem, em umas estradas bem ruins, e eu vestindo roupa de malha bem confortável, levava uma malinha quase que uma frasqueira nas mãos, com a roupa do dia seguinte. Os planos eram de voltar no dia seguinte para o lar na capital federal.

A indústria começava as atividades às 07 da manhã, e pra quem começava a trabalhar entre 8:30 e 9 horas, já foi um pouco perturbador.

Sapato de salto alto, calça e terninho preto, cabelo solto e brincos grandes. Tudo porque eu esperava entrar em uma salinha pequena e fazer uma apresentação extremamente técnica para a equipe de tecnologia da informação.

Ah, como eu estava enganada!

Nada disso adiantou… Na portaria:

- Senhora, sapatos de salto são proibidos na fábrica.

- Vou andar descalço então?

- Não senhora. Vista esses sapatos de segurança, por favor.

Gente, tenho 1,65 de altura, a calça do terninho foi feita pra usar com salto! Imaginem uma pessoa baixinha, com um tanto de calça social dobrada nas canelas.

- Senhora. Por medida de segurança, pedimos que prenda os cabelos.

- Senhor, desculpe, não tenho prendedor.

De nada adiantou a escova bem feita, tive que prender (e quebrar) os cabelos com elástico de dinheiro! Perguntem para suas esposas como é ruim prender o cabelo com essas borrachinhas! Elas vão concordar comigo, tenho certeza absoluta.

- Senhora. Os brincos grandes podem ser perigosos caso necessite de ajuda em alguma situação de emergência.

Ok, eu sem brincos, sem relógios e sem anel não sou eu! Mas o que a gente não faz por um cliente né?

- Senhora, celular deve ficar na recepção por medida de segurança das informações. Máquina fotográfica e qualquer captador de imagem e comunicação com meio externo também.

Tenho complexo de turista e ando sempre com máquinas fotográficas. Deixei metade da minha bolsa na recepção!

Uma vendedora incomunicável o dia todo não me parecia uma boa idéia. Depois de registrar o serial do notebook, RG, CPF, endereço e de praticamente me despir de todas as coisas delicadas e femininas, entrei na fábrica.

Sala de reunião e o que era pra ser uma pequena equipe de TI, virou 23 pessoas de todas as áreas possíveis e imagináveis. Sorte que trabalho em uma empresa que desenvolve sistemas gerenciais pra todas as áreas de negócios de uma empresa de grande porte. Show, foi o que eu tentei proporcionar ali. Acho que deu certo, me pediram pra ficar mais 1 dia realizando esses workshops em cada área da indústria.

Em uma cidade com 30 mil habitantes, alguém acha que havia loja de calcinha, sutien e roupas depois das 18 horas? Sorte do tempo seco que em uma noite secou tudo o que precisava! Sem amaciante foi uma experiência única, acreditem!

Mais um dia falando, falando e vendendo sonhos. Mais um dia inteirinho analisando planilhas, relatórios e informações.  Mais um dia sem brincos, com barra da calça dobrada, com sapato de homem e incomunicável com o mundo.

Por estar de sapatos seguros, pude passar 2 horas visitando todo o chão de fábrica, presenciei testes de velocidade e qualidade dos pneus e ainda acompanhei a inspeção das pick-ups prontas.

Resultado disso tudo: Dois dias parecendo um “menino”, rouca, uma venda muito boa fechada, contrato ampliado e um conhecimento maravilhoso sobre inspeção de fornecedores e parceiros da cadeia de negócios de uma multinacional automotiva.

Ah, ganhei ainda uma agenda e uma blusa pólo da grife.

Tirei o salto, mas valeu a pena, não acham?

Faria tudo de novo, mas dessa vez eu iria com uma calça mais curta, sapatilhas de couro baixinhas e bem delicadas e levaria prendedor de cabelos! Ah, e roupas extras, claro!

Entre sapatos, óleos e ferramentas, um salto alto!

3/02/10

Por alguns minutos o cheiro de óleo e de graxa é interrompido por um aroma de algum perfume feminino de bom gosto. Aquele sapato preto, grosso, de couro, EPI básico de segurança é substituído por um bom scarpin salto 15 cm.

Calma meninos, moços e senhores, não precisam chamar ninguém do departamento de segurança do trabalho, sou eu andando no meio desse chão de fábrica virtual!

Acompanho o portal desde os seus primeiros meses. Na época, era estudante do curso Técnico em Mecânica Industrial aqui em Joinville. Meu trabalho de conclusão de curso foi sobre MCC/RCM e como sonhadora que sou, obstinada e sim, hiperativa, bati de porta em porta de todas essas indústrias de Joinville e região atrás de uma vaga de estágio na área de manutenção industrial.

Propus contratarem uma moça de 18 anos, com cabelo comprido, cheio de mechas loiras, unhas longas e delicadamente pintadas, falante e dinâmica. O resultado? Não preciso nem entrar em detalhes, né? Nem a total fluência no inglês, nem o alemão técnico, nem as boas notas no curso técnico, nem a boa dicção e jeito “nerd” de ser, foram suficientes!

Fiz todos os testes possíveis e imagináveis. (imagináveis para os indivíduos de imaginação não tão fértil, ok?) Montei peça em bloco de isopor (EPS), desenhei arvores, casas, pessoas, fiz cálculos, programei em CNCs e tantas outras coisas. Na grande maioria tirei notas ótimas, mas todos, sem exceção, percebiam esse meu jeito falante, questionador e inquieto não seria muito bem aceito pelos companheiros de trabalho no chão de fábrica de uma indústria típica e tradicional qualquer. E, obviamente, o fato de ser mulher, ainda moça, dificultou mais ainda.

Já que estava paralelamente ao técnico (matutino), cursando a faculdade de administração (noturno), sonhava em ser uma assistente de algum bom analista, coordenador, gerente da área de manutenção. Queria aprender sobre custos, planejamento, orçamentos, compras, estoques, etc e tal! Acreditava que existiria alguém em Joinville que quisesse por um valor significativo (bolsa estágio), por 4 horas/dia, a ajuda de uma mocinha transbordando vontade de aprender.

Encurtando a novela, depois que vi o tênis acabado de tanto pegar ônibus atrás de estágio e o cartucho da impressora seco de tanto imprimir currículos, aceitei ser assistente técnica de uma revenda de CAD, CAM e CAE aqui na cidade. 5 anos depois, cá estou como executiva de vendas de softwares de gestão organizacional.

Foi-se MCC, MTBF, MTBR, CPk, KPIs, TPMs, KANBAM, e chegaram PMBOK, ISO, ITIL, COBIT, SOX, FDA, …
Mas ficou uma paixão absurda pelo cheiro e barulho de um chão de fábrica.

Nessa jornada, pude fazer negócios com diferentes organizações, desde tribunais e ministérios, até indústrias do agronegócio, farmacêuticas e automotivas. E de algum jeito, mesmo de unhas pintadas, cabelos soltos, perfume, jeitinho mais delicado, salto alto e maquiagem nos olhos, dou uma escapada para espiar as máquinas, os desenhos técnicos, as planilhas de controle dos ciclos de manutenção preventiva de meus clientes e parceiros.

E agora, resolvi espiar ainda mais de perto o que vocês, homens de negócios, técnicos, engenheiros, administradores falam, pensam e fazem!

Cá estou pra dividir com vocês o que nós mulheres, mães, esposas e profissionais, falamos e como agimos! Vamos dividir experiências, vitórias, dificuldades, desafios e multiplicar aprendizado e conhecimento.

Sou a favor de um mercado de trabalho mais igualitário, sem diferenças entre homens e mulheres. Mas, vem e venhamos “muchachos”, nós mulheres temos um jeitinho todo especial de fazer o que nos é delegado, é ou não é!?

Brincadeiras a parte, estou chegando para dividir com vocês como é caminhar nesse mundo corporativo de salto alto!

Sejam bem vindos e obrigado por mais essa oportunidade!

Alô, Alô mantenautas, aquele abraço!

Por Jamile da Rosa Gomes
Nascida em Tubarão, sul de Santa Catarina. Técnica em Mecânica Industrial pela Escola Técnica Tupy, bacharelanda em Administração de Empresas pela Unisul. Executiva de vendas na indústria de soluções em TI para o mercado catarinense.
Possui experiência de 4 anos na venda e implantação de sistemas gerenciais em órgãos públicos, indústrias automotivas, farmacêuticas, energia elétrica e agronegócio.