Como está o seu armazenamento de lubrificantes?
Por Antonio Traverso
Quando a lubrificação é planejada e sistematizada, uma série de atividades, ações e escolhas precisam ser incorporadas ao processo. No que tange aos lubrificantes propriamente ditos, isto é, os lubrificantes selecionados, há um grande foco na qualidade intrínseca, ou seja, no desempenho do produto. Para tanto, escolhas e consultas são feitas aos manuais das máquinas, aos fabricantes dos equipamentos, a especialistas e a fornecedores para garantir uma lubrificação adequada. Entretanto, muitas vezes, a qualidade dos lubrificantes escolhidos ou recomendados tal e qual saem das fábricas e chegam ao destino de uso ou consumo não é mantida por tempo suficiente até o real momento de utilização. A que se deve isso? Isso se deve à manipulação e ao armazenamento deficientes. O armazém, salas ou depósitos de lubrificantes são os locais onde a confiabilidade dos equipamentos a serem lubrificados pode ser aumentada ou a vida desses mesmos equipamentos pode ser reduzida. Da atenção aos aspectos relevantes no armazenamento e na manipulação de lubrificantes na planta industrial, podemos inferir em que estágio a manutenção e a lubrificação se encontram.
Em um ambiente industrial típico, existem centenas de milhares de partículas sólidas suspensas em cada metro cúbico de ar e, o que é pior, são partículas invisíveis a olho nu. Essas partículas são insidiosas e na maioria das vezes muito duras. Muitas delas chegam ao nível 9 na escala de Mohs, e, para se ter uma idéia do que isso significa, o diamante está no nível 10 dessa escala. Alguns finos de catalizador de processo petroquímico são um exemplo de material particulado extremamente perigoso para o lubrificante armazenado.
Precisamos ter em mente que o olho humano enxerga bem partículas de até 40 microns, isto é, qualquer partícula de dimensão abaixo disto é praticamente impossível de ser detectada a olho nu. A partir dessa constatação, é preciso entender que todas as partículas sólidas menores ou iguais às folgas internas das partes “molhadas” pelos lubrificantes estão sujeitas a desgastes excessivos, se esses equipamentos forem abastecidos com lubrificantes contaminados. Esses desgastes que podem ser lentos e silenciosos ou drásticos e barulhentos, levam os equipamentos lentamente ou rapidamente a falhas catastróficas.
Na organização criteriosa da função lubrificação, está o caminho do “estado da arte” da ciência lubrificação, e no armazenamento esmerado do lubrificante, antes e durante o uso, está uma parte essencial desse processo.
Para a avaliação do estágio em que se encontram o armazenamento e a manipulação dos lubrificantes de uma indústria, trazemos para esse número da Lubes em Foco um questionário que, ao ser respondido, poderá auxiliar o profissional ou o gestor da lubrificação a aferir em que estágio a sua planta se encontra e o que pode ser feito para transformar esses aspectos em vetores para a confiabilidade e a continuidade operacional dos equipamentos lubrificados, assim como poderá conferir à função lubrificação a importância que ela merece na manutenção industrial. As perguntas encontram-se nos anexos desta edição e os resultados podem ser comparados na tabela abaixo.
Antonio Traverso é coordenador técnico de lubrificantes da Gerência de Grandes Consumidores da Petrobrás Distribuidora.









