GRAXAS – Uma arte à procura de definições

14/11/2008
Por

Por Gustavo  Eduardo Zamboni

 

 A fabricação de graxas ainda é mais uma arte do que propriamente uma técnica. Diferentemente do óleo lubrificante, que tem uma fabricação relativamente simples, pois se trata de uma mistura de óleo básico com aditivos, a graxa lubrificante envolve reação química e requer um modus operandi específico para cada tipo. Dessa forma, fabricar uma graxa é um processo mais elaborado e necessita de maior controle para a qualidade do produto final.

 

Existem três processos básicos de fabricação:

a) Tachos

São equipamentos cilíndricos, abertos e encamisados, dotados de um conjunto de moto-redutores, agitadores e moto-bombas. Todos os tipos de graxa podem ser produzidos nesses equipamentos.

b) Tacho e Reator

Nesse processo, utiliza-se um reator fechado, onde sob pressão e agitação vigorosa, acelera-se o processo de reação química. Nesse equipamento são realizadas as duas primeiras fases de fabricação da graxa, a saponificação e a formação de fibras.

c) Contínuo

Existe ainda o processo contínuo de fabricação de graxas espessadas por sabão, onde as fases de fabricação do sabão (saponificação), homogeneização, mistura com óleo e aditivação ocorrem de forma seqüencial e contínua, controladas por instrumentos.

Na verdade, o agente lubrificante continua a ser o óleo com seus aditivos, pois uma graxa nada mais é do que um óleo básico engrossado com um espessante adequado, além dos aditivos utilizados para fins específicos. Esses espessantes dão a definição do tipo de graxa fabricada. Como exemplo, temos os sabões de Cálcio e Lítio, os sabões complexos e os espessantes do tipo inorgânico, argilas, sílica etc.

O tipo do sabão utilizado confere à graxa características importantes, como a resistência à água e à temperatura. Os espessantes inorgânicos são geralmente utilizados para aplicações em condições extremas, em que também devem ser utilizados óleos básicos do tipo sintético.

 

 

A viscosidade do óleo básico utilizado é fundamental para o tipo de aplicação da graxa. De acordo com o livro Lubrificantes e Lubrificação Industrial, de Belmiro e Carreteiro, “quanto aos fluidos, podemos considerar que, na maioria dos casos, são óleos minerais lubrificantes de viscosidade superior a 22 cSt a 40ºC, podendo mesmo ser maior que 460 cSt a 40ºC. Asfaltos, petrolatos ou ceras minerais também são utilizados como fluidos para a fabricação de certos tipos de graxas. Para aplicações especiais, as graxas são formuladas com óleos básicos de alto desempenho, como os exóticos PTFE, silicone, fluorsilicone, os poliol ésteres, polialquilenoglicóis, diésteres e as polialfaolefinas. Graxas utilizadas na indústria alimentícia deverão ser fabricadas de modo especial, utilizando-se óleo branco, ésteres ou polialfaolefina de grau alimentício.”

 

A grande vantagem das graxas em relação aos óleos é que elas não escorrem por si do lugar onde foram colocadas. Têm ainda uma função adicional, a de vedação contra o ingresso de impureza ou água. O fato de permanecer no lugar, sem escorrer, contribui também para a redução do custo da lubrificação, dispensando inclusive o uso de selos e vedações.

 

Outro ponto muito importante na composição de uma graxa é a aditivação utilizada, que dependerá diretamente do tipo de função que o produto final irá executar. Os aditivos são compostos químicos que adicionados ao produto reforçam algumas de suas qualidades ou lhe cedem novas ou eliminam as propriedades indesejáveis. Os principais aditivos utilizados na fabricação de uma graxa são os antioxidantes, inibidores de ferrugem e corrosão, agentes antidesgaste e agentes de Extrema Pressão (EP).

 

 

Sob condições de velocidade reduzida e carga deslizante elevada, alguns lubrificantes sólidos são utilizados para evitar o contato metal com metal. Os mais usados são o Grafite em pó, o Bissulfeto de Molibdênio e o Óxido de Zinco. Para casos específicos de algumas roscas metálicas, são utilizados alguns pós metálicos para evitar o grimpamento das superfícies. Entre esses pós, encontramos principalmente o Cobre e o Zinco.

 

Além do tipo de sabão, da viscosidade do óleo básico e dos aditivos utilizados, é muito importante conhecer a consistência de uma graxa, o que permite a ela permanecer em contato com as partes que estão sendo lubrificadas, e também sua capacidade de ser bombeada. Essa consistência é dada pelas proporções de óleo lubrificante e espessante utilizadas. O NLGI (National Lubricating Grease Institute) classifica as graxas por uma graduação de consistência, utilizando o teste de penetração definido pelo método ASTM D-217, onde é medida, em décimos de milímetro, a penetração de um cone metálico em uma amostra de graxa já trabalhada 60 vezes em um aparelho próprio. Quanto maior o número do grau NLGI, mais consistente é a graxa.

  

Em média, o óleo básico representa 90% da graxa lubrificante, mas as proporções de óleo básico e de sabão podem variar conforme a consistência desejada no produto final. Por exemplo, uma graxa de lítio grau NLGI 2 pode conter  de 7 a 9% de sabão e 90 a 92% de óleo básico, enquanto a mesma graxa com grau NLGI 1 pode conter de 5 a 7% de sabão e 92 a 94% de óleo básico. 

 

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15 Responses to GRAXAS – Uma arte à procura de definições

  1. Gabriel on 19/11/2008 at 19:06

    Como posso definir qual é o melhor grau NLGI que deve aplicar na lubrificação de meus equipamentos. Existe uma regra?

  2. fabiano on 8/12/2008 at 10:06

    Prezado Gabriel,
    Em atenção à sua pergunta sobre o melhor grau NLGI para a graxa a ser utilizada, trazemos abaixo, os comentários do nosso especialista em graxas, o consultor técnico Sr. Manoel Honorato.
    Esperamos que atenda suas expectativas.
    Atenciosamente,
    Pedro Nelson Belmiro
    Revista Lubes em Foco

    “Normalmente existe uma recomendação técnica do fabricante do equipamento. Nesse caso, é sempre mais apropriado que se siga esta recomendação, porém, quando isto não é possível devido ao equipamento já ter sofrido algum tipo de reforma e este perdeu suas características de projeto, deve-se observar a forma construtiva do equipamento e os locais onde se deve lubrificar com graxa. Quando existe um reservatório onde a graxa será armazenada e posteriormente bombeada automaticamente até os pontos de lubrificação, chamada lubrificação automática ou semi automática, normalmente usa-se um grau NLGI baixo, ou seja grau NLGI 1 / 0 ou em alguns casos até 00. Não se deve adotar uma regra para todos os equipamentos, pois existem muitas particularidades que devemos sempre levar em consideração. O ideal seria manter contato com o departamento técnico das empresas fabricantes dos equipamentos e também com o departamento técnico das empresas fabricantes de graxas.
    Quando temos sistema de lubrificação manual pode se usar graxa grau NLGI 2 seguindo os intervalos de relubrificação recomendado pelo fabricante do equipamento.
    Quando possível, pode passar dados de seu equipamento para o departamento técnico das empresas fabricantes de graxas que elas com algumas informações sobre o equipamento podem sugerir o produto com a consistência (grau NLGI) mais adequada.”

  3. ethelmiro gajardoni on 17/01/2009 at 17:15

    procuro por maquinas para produçao de graxa a partir do sebo bovino

  4. Alex Barreto on 20/01/2009 at 19:00

    Amigo estou procurando algo sobre graxas betuminosas e graxas a base de argila .
    aplicação,vantagens e desvantagens coisas desse tipo
    se vc tiver algo a respeito por favor me passe esse material
    obrigado

  5. Pedro Nelson Belmiro on 16/02/2009 at 14:35

    Prezado Alex,
    Apesar de alguma demora, aí vai os comentários do especialista em graxas, o consultor José Claudio J. Monteiro, com muitos anos de experiência no ramo de graxas da Petrobras.
    ” Graxas de Argilas >>
    São graxas cujo espessante é inorganico. O óleo básico normalmente é mineral parafinico. Possuem um ponto gota elevado > 250ºC sendo indicadas para temepraturas de aplicação ate 300ºC.
    Quando usadas acima de 200ºC há necessidade de uma relubrificação mais frequente.O motivo é que a argila em alta temperatura se torna sólida aparentando areia o que pode causar desgaste.
    Normalmente é disponibilizada pelos fabricantes nos graus NLGI 1 e 2. A viscosidade do óleo básico usualmente encontra-se na faixa de 80 a 100 cSt a 40ºC. Este tipo de graxa possui boa bombealbilidade e boa resistência à água. Para melhorar suas propriedades os fabricantes colocam em sua formulação os aditivos:
    – Antioxidante com a finalidade de aumentar a resistência a temperatura e a vida do produto,
    – Extrema pressão para melhorar as características de resistência a carga.

    Graxas Batuminosas >>
    São lubrificantes produzidos pela diluição de asfalto com óleo mineral geralmente parafinico.
    Não são propriamente graxas com espessante como conhecemos, todavia apresentam um aparência pastosa semelhante às graxas, daí sua denominação de graxa betuminosa. Elas variam sua textura de pastosa a semi-fluida. São usadas em engrenagems expostas, cabo de aço, correntes. Sua principal caracteristica é alta adesividade proporcionada pelo asfalto.
    Hoje por razões ambientas este tipo de lubrificante esta sendo proibido. Muito fabricantes não mais produzem.
    Os usuarios por sua vez e por necessidade do selo verde para exportação de seus produtos tambem estão deixando de utilizá-las.”

    Abraços
    Pedro Nelson

  6. Airton Bertaglia on 18/05/2009 at 17:10

    Gostaria de conhecer o processo de fabricação de graxa de poliuréa

  7. Maria Alice Pereira on 29/06/2009 at 13:05

    Prezado, disponho de 3 reatores, sendo um de 50 m³, circuito fechado com injeção direta para reação química e o outro de 38 m³ usado na homogeneização de misturas. Gostaria de saber se posso adaptá-los para produzir graxa branca alimentícia.

    Grato,

    Maria Alice Pereira

  8. Adriano on 29/08/2009 at 21:48

    Prezados, gostaria de saber se há algum tipo de graxa ou outro lubrificante mais adequado para que possa aplicar ao eixo de uma bomba para que deslize mais facilmente o anel de grafite do sêlo mecânico, no momento da instalacao do mesmo? Meu chefe colocou sabão líquido, pois ele me falou que qualquer óleo ou graxa iria agredir o anel de grafite, mas, tenho minhas dúvidas. E esse sabão líquido (detergente de lavar pratos) também não agrediria este sêlo de grafite?
    Obrigado pela atencão.

  9. cleber roberto da silva on 30/04/2010 at 11:01

    gostaria de saber como e fabricado a graxa branca q e utilizada nas transmição de moto pois gostaria de saber os igredientes e as maquinas q são ultilizadas para a fabricação pois tenho enorme enterese em monta uma pequena fabrica de graxa branca para as motos se poderem me achudar ficarei muito grato. ficarei esperando por respostas desdes de ja agradeço a atenção e colaboração de todos muito obrigado.atenciozamente binho DF MOTO PEÇAS.

  10. Frederico Padilha on 3/06/2010 at 19:51

    Encontrei importantes esclarecimentos, muito útil.

  11. Pedro Nelson on 7/06/2010 at 0:02

    Cleber.
    A fabricação de graxas implica em reações químicas e, portanto, é necessária uma estrutura industrial razoável. O processo mais comum é: Primeiro faz-se uma saponificação e depois vai adicionando óleo até atingir a especificação desejada. Ainda existem os aditivos que dependem do uso da graxa. Nesse caso, precisa-se de um pequeno laboratório para acompanhar a fabricação.
    Também é necessário um registro de fabricante junto a ANP (Agencia Nacional de Petroleo, Gas Natural e Biocombustíveis), o que atualmente não tem sido muito simples.

  12. douglas on 7/04/2011 at 13:18

    Boa tarde,gortaria de aprender a fabricar graxa,vcs poderiam me ajudar?Desde ja muito obrigado!

  13. Eduardo Sedda on 16/09/2011 at 11:50

    olá bom dia, estou precisando saber qual tipo de graxa e ultilizada na fabricação dos rolamentos blindados. preciso saber todo tipo de informação desse tipo de graxa, agrado um email com a resposta. eduardosedda@hotmail.com

  14. Lucas Oliveira on 30/01/2013 at 20:02

    Olá gostaria de saber a respeito da graxa de cálcio. Como a produção do espessante (sabão de calcio) é produzido a partir do hidróxido de cálcio Ca(OH)2 , visto que o mesmo é bastante insolúvel na água, e essa é muito importante no processo de saponificação. E sem o sabão não teriamos o espessante, assim precisamos do sabão para adicionar o óleo básico.

    atenciosamente

    Lucas Oliveira.

  15. Lucas Oliveira on 30/01/2013 at 20:06

    Olá gostaria de saber a respeito da graxa de cálcio. Como a produção do espessante (sabão de calcio) é produzido a partir do hidróxido de cálcio Ca(OH)2 , visto que o mesmo é bastante insolúvel na água, e essa é muito importante no processo de saponificação. E sem o sabão não teriamos o espessante, assim precisamos do sabão para adicionar o óleo básico.

    atenciosamente

    Lucas Oliveira.

    lukasog@hotmail.com

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