Como a manutenção pode apoiar a produção?
A resposta ao titulo questão deste post parece fácil, mas não é.
E costuma ser a primeira pergunta que me fazem os responsáveis por P&L (Profit and Loss, ou em bom português, lucro ou perda) das fábricas que visito.
Em qualquer lugar, o melhoramento contínuo das práticas de manutenções assim como a redução de seus custos são resultados da utilização do ciclo da Qualidade Total como base no processo de gerenciamento.
Melhorias significativas nos custos de manutenção e disponibilidade dos equipamentos vêm sendo atingidas, através da:
Absorção de algumas atividades pelas equipes de operação dos equipamentos;
Melhoria contínua do equipamento;
Educação e treinamento dos envolvidos na atividade de manutenção;
Coleta de informações, avaliação e atendimento às necessidades dos clientes;
Estabelecimento de prioridades adequadas aos serviços;
Avaliação de serviços necessários e desnecessários;
Análise adequada de relatórios e aplicação de soluções simples, porém estratégicas;
Planejamento da manutenção com “enfoque na estratégia de manutenção específica por tipo de equipamento”.
Cada vez mais e com maior intensidade no novo século, o sucesso de uma companhia é, em grande parte, devido à boa cooperação entre clientes e fornecedores, sejam internos ou externos. Os atritos criam custos e consomem tempo e energia. O gerenciamento dinâmico da manutenção envolve administração das interfaces com outras divisões corporativas.
A coordenação do planejamento da produção, da estratégia de manutenção, da aquisição de sobressalentes, da programação de serviços e do fluxo de informações entre estes subsistemas elimina o conflito de metas.
Altas disponibilidades e índices de utilização, aumento de confiabilidade, baixo custo de produção como resultado de manutenção otimizada, gestão de sobressalentes e alta qualidade de produtos, são metas que podem ser atingidas somente quando operação e manutenção trabalham juntas.
Em grandes empresas americanas foram revisadas mais de 15.000 ordens de serviço, onde se observou que 47% dos serviços poderiam deixar de serem executados, o que correspondia, nessas empresas, como gastos desnecessários mais de $ 8 milhões em mão de obra e material, de acordo com o artigo “Preven-table Maintenance Costs More Than Suspected” de Raymond J. Oliverson, divulgado pela revista Maintenance Techology em setembro de 1977.
De acordo com o artigo de Silvio Miranda “Manutenção por estratégia - Visão do futuro” publicado na Revista “Ensino de Engenharia” Nº 12 da ABENGE em Julho de 1995, atualmente observa-se que as empresas bem sucedidas têm adotado uma visão prospectiva de gerenciamento de oportunidades, usualmente suportada por:
Rotinas sistematizadas para economizar manutenção;
Sistemas de manutenção com auxílio de processamento eletrônico de dados;
Ferramentas e dispositivos de medição no “estado-da-arte”;
Consultorias competentes no reconhecimento do potencial de melhoria e im-plementação de soluções estratégicas.
Nas rotinas sistematizadas, se procura estabelecer as reais necessidades de intervenção e aplicar, o melhor possível, as tabelas que, além de compactar a informação, irão permitir padronizar os registros na pesquisa e filtros necessários a composição dos relatórios de histórico e apoio da análise de falhas, avaliação de disponibilidade e de custos.
A globalização não está betendo em nossa porta, ela já entrou em nossa casa e se instalou.
Abraços








2/06/08 às 10:13
Prof. Lorival Tavares,
Muito interessante seu artigo com relação a manutenção apoiar a produção.
Olhando por este aspecto, resolvi investir na atividades em que a operação do equipamento, pode estar ajudando a manutenção.
Para isto investi em alguns treinamentos de motores e lubrificação, ao qual foi passado para operação de uma forma simples e objetiva, para que a operação fique atenta a alguns sintoma do equipamento, que possam gerar uma manutenção corretiva ( ex. ruido, aquecimento,etc.)
O resultado tem sido positivo, pois a operação começa a ter uma sensibilidade maior com relação aos equipamentos.
abraço
20/02/09 às 11:48
Prof. Lorival Tavares,
me parece muito atual esse artigo, e compartilho com a idéia de que o setor de manutenção deve, obrigatoriamente, ser incluido nos projetos de Sistemas de Gerenciamento da Qualidade, perda zero e tantos outros. É interessante perceber a falta de visão que ainda reina em certos setores em não perceber a manutenção como uma fonte de lucros. Recentemente visitei uma empresa de transporte coletivo (onibus urbano) em Bogotá - Colombia. Fiquei encantado com a aplicação nesta empresa dos conceitos integrados de CBM - Manutenção Baseada em Condição, RCM - Manutenção Centrada na Confiabilidade, com projetos 5S e outros. Nesta empresa a manutenção é vista como fonte de lucro e disponibilidade de equipamento e naturamente seus resultados operacionais e financeiros refletem essa realidade num mercado tão competitivo.