Ainda um pouco alienado aos noticiários e retornando aos poucos à minha velocidade de cruzeiro em 2011 vi no twitter do Paulo Walter a notícia de que, ainda em 2010 e ao apagar das luzes no planalto, foi assinado o documento que legaliza a criação dos Conselhos Regionais e Federal de Arquitetura e Urbanismo, consolidando a cisão dos CREAs e do próprio CONFEA.
Enfim, sem conhecer bem os detalhes, vejo com bastante naturalidade e justiça esta decisão, haja vista que engenheiros e arquitetos possuem características e formações básicas diferenciadas (pela natureza de sua atividade) e que todos os anos nos quais ocuparam espaço em um mesmo Conselho de pouco serviram para que estas distâncias fossem reduzidas.
Desde ainda engenheirandos, os futuros profissionais ironizam a profissão de arquiteto, sem ainda terem colhido experiências de vida profissional neste sentido. Neste sentido, o convívio também nada ajudou ou modificou ao longo destes anos.
São duas profissões distintas e com grande importância para a humanidade, pois dependemos da criatividade e visão da arquitetura para que possamos melhorar as nossas edificações, no que tange ao uso de materiais adequados e sustentáveis, ao melhor posicionamento / direcionamento de fachadas, entre outros pontos importantes. A importância da arquitetura é enorme e concordo com o Professor Marcelo Romero, atual diretor da FAU-USP, quanto a necessidade de se melhorar a formação destes profissionais.
Do outro lado, falando agora de engenheiros, também precisamos evoluir em nossa formação, pois a atualidade nem sempre está presente nas grades escolares e perdemos com isto. Ao mesmo tempo em que ouço críticas aos arquitetos por projetarem edificações que não ajudam a manutenção futura, observo projetos de infra-estrutura elétrica, hidráulica e mecânica que seguem o mesmo caminho, ou seja, desconsideram necessidades e facilidades para a manutenção.
Na prática, isto significa que projetos em geral são muitas vezes desenvolvidos por profissionais que não vivenciaram a operação e manutenção em edificações. Como diria um profissional que trabalhou comigo há alguns anos, “isto daria uma discussão prá mais de metro…..”.
No fundo, quero apenas mostrar que ambos, arquitetos e engenheiros, têm algumas deficiências semelhantes, como por exemplo o desconhecimento da operação e manutenção.
Será que já não é o momento de se integrar esta “cadeira” em cursos superiores regulares? Não seria importante levar esta informação aos futuros arquitetos e engenheiros?
Eu acredito que sim e já tive a oportunidade de discutir este assunto com renomados acadêmicos que também compartilham nesta opinião. Este, por exemplo, é um ponto que ficou no tempo, sem nenhuma atuação ou interferência do ainda CREA ou CONFEA….
Espero que agora, ainda que separados futuramente, vislumbrem estas deficiências.
Um bom final de semana!


