Amigos mantenenautas, segue um excelente artigo escrito por um conceituado profissional de planejamento da manutenção que trabalha na Braskem no Estado da Bahia. O nome dele é Ruy Knapp e já contribuiu nesse blog com um excelente artigo. Dessa vez ele aborda um assunto muito falado porém pouco praticado no dia-a-dia que é a formação de planejadores. Segue texto:
Certa feita, recém saído do Grupo Gerdau após quatro anos entre estágio e vida profissional, e em meio a uma inevitável crise que assolava o mercado do aço lá pelos idos de 1996, estava eu de frente a um Supervisor de Manutenção de outra usina siderúrgica tentando imaginar uma resposta para uma intrigante pergunta. Estava tentando uma vaga para Planejador e, durante a entrevista, meu interlocutor fez o seguinte questionamento: “- Quais os preparativos antes de se fazer uma preventiva em um painel elétrico?”. Antes de responder, me recordei da breve experiência que tive em meu emprego anterior e tudo aquilo que foi abordado nas aulas de elétrica na minha formação técnica em Mecânica Industrial. Após refletir, larguei a resposta do tipo “seja o que Deus quiser!”: – Bem, todo serviço precisa de uma PT e o técnico deve estar com todas as ferramentas em mãos. O Supervisor olhou diretamente para mim por alguns instantes, levantou-se, estendeu a mão e agradeceu minha presença. Até hoje não sei a resposta que ele queria ouvir, mas posso deduzir depois desses anos, que ele esperava uma resposta técnica bem mais elaborada que a que dei.
Pois bem, a vaga era para Planejador de Manutenção e, muito provavelmente, meu entrevistador buscava um profissional multidisciplinar, profundo conhecedor de todas as disciplinas. Embora minha formação fosse em Mecânica Industrial, ele esperava que eu tivesse domínio em Elétrica, Instrumentação e em Caldeiraria, conhecimentos técnicos que eu só iria adquirir em formações específicas ao longo do tempo. Muito improválvel encontrar alguém com esse perfil. Esse episódio, acredito, ainda se repete em indústrias Brasil afora. Mas onde estará o equívoco? Seria a formação técnica no Brasil insuficiente para atender a demanda do mercado ou, quem sabe, a falta de definição por parte da empresa de um perfil minimamente adequado à sua necessidade em conssonância com a mão de obra disponível? Ou mais especificamente, a falta de formação sistematizada para este profissional?
Acredito que a última possibilidade seja a que mais prevaleça, sem descartar as anteriores. De fato, não há uma preparação adequada para formar Planejadores. Os profissionais de planejamento que hoje estão no mercado, adquiriram conhecimento com sua vivência de planta, treinamentos isolados, trocas de experiências com outros Planejadores e muita intuição. Na maioria dos casos, a base da sua formação foi algum curso técnico, insuficiente para as necessidades da função. A consequência desta formação “amadora” é planejamentos equivocados que resultam em perdas materais, resserviços, alto custo, indicadores não confiáveis etc. Óbvio que existem os casos de sucesso, felizmente uma grande parte. Mas, mesmos nestes casos, ainda há carência em alguma formação mais específica. Então, de quem seria a responsabilidade para montar um plano de formação de Planejadores? Governo? Indústria? Instituições de Ensino? Creio que de todos. Talvez, regulamentar a função viabilize a formação de cursos técnicos com uma grade curricular voltada para as necessidades do mercado industrial. Enquanto essa iniciativa não passa do campo das idéias, entendo que a indústria poderia fomentar uma preparação específica para Planejadores, mais adequada às suas necessidades.
Este profissional é cada vez mais requisitado e é considerado fundamental na estratégia da função Manutenção dentro de uma empresa. Toda informação relativa à manutenção deve passar pelo Planejamento. É ele que gerencia e mantém o fluxo de informações entre todas as partes deste processo. Ter um conhecimento mais generalista sobre todas as disciplinas, associado as que são mais específicos a sua função, garantiria um planejamento mais assertivo e, consequentemente, indicadores confiáveis para importantes tomadas de decisão. O país vive uma fase de grandes insvestimentos e já respira os ares dos jogos olímpicos e da Copa do Mundo, que exigem obras de infraestrutura e, por sua vez, necessitam de profissionais cada vez mais capacitados. Penso que já estamos no momento de rever a capacitação deste profissional. É preciso formar para bem planejar.
1 Ruy Knapp é formado em Mecânica Industrial pela ETFBa – Escola Técnica Federal da Bahia, bacharel em Comunicação Social pela UCSAL – Universidade Católica do Salvador, MBA em Gestão da Manutenção pela UNIFACS, Pós-graduado em Habilidades Interpessoais pela FTE e graduando em Engenharia Mecânica pela UNIFACS. Atua como Planejador de Manutenção na Braskem S.A. E-mail: knappjr@ig.com.br.
2 Planejar é definir o uso otimizado dos recursos em intervalos e durações racionalizados.
Parabenizo Ruy Knapp pelo excelente artigo e aguardo os comentários.
Silas Oliveira


Excelente artigo! gostei das colocações, planejar é realmente fundamental.
Atenciosamente,
Vanda
Excelente abordagem!
Não mais pra continuar a mercê de profissionais desqualificados, sobretudo em áreas tão importantes e estratégicas como é a manutenção.
NÃO DÁ MAIS!!!
Excelente artigo.
Realmente os profissionais dessa área sem sobras de dúvidas estão sendo bastante requisitados. Infelizmente com a carência que temos em não ter uma curso específico para formação de planejadores o que resta à esses profissionais é buscar por treinamentos que possa auxiliar nas atividades rotineiras e o conhecimento na planta ao qual estejam inseridos. Devemos continuar nos capacitando e espero que um dia realmente passe de idéia para uma projeto consolidado que permita com isso “formar para bem planejar”.
Quero parabenizar ao Ruy, por ter sido muito feliz em abordar esse tema e agradecê-lo por ter contribuído também para essa minha formação.
Sucesso!
O planejador tem que construir uma ponte, onde nela encontra-se dois lado: um a técnica onde levamos em consideração alguns fatores:prioridade; material; composição, entre outras informação que são necessária, o outro lado é a Estratégica: determinação de quando será feito, recursos, custo X beneficio, viabilidade e outras implicações que fazem parte do gerenciamento, quando essa ponte estar pronta chamamos ela de planejamento.
Ruy,
Excelente artigo, muito bem escrito e também reflete uma necessidade que todos que já passaram pelo planejamento da manutenção já sentiram na pele.
Abraço,
David Wolfovitch
Ruy,
Gostei muito do texto. Parabéns.
Nunca tinha pensado em regulamentar a função. Você está correto!
Excelente.
Tarcio Checcucci Nery
Ruy gostei muito de sua colocação sobre a importância da formação e o status que essa função vem tendo devido a demanda. O planejador de manutenção tem um grande papel no resultado da manutenção e deve ter em mente essa multidisciplinariedade de sua função que é o seu grande diferencial, porque só assim consegue enxergar o que não está explicito e identifica situações de conflito em tarefas e nos jogos de interesses que permeiam todas as atividades humanas.
Ruy,
Bem pontuado o artigo em relação aos conflitos vivenciados pelo profissional do planejamento.
Além dos conhecimentos de outras disciplinas é muito importante o conhecimento do que se vai fazer, daí a importância de um perfil associativo ao invés de solitário.
Parabéns.
Antonio Tacidelli