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Thiago Dutra

Engenharia de Manutenção no Brasil

Thiago Dutra

 

Mercado de trabalho e a função Manutenção em tempos difíceis – Parte 1

- 24/02/2015

Olá amigos e leitores do blog Engenharia de Manutenção no Brasil no site Manutenção.Net, passado o carnaval, podemos dizer que finalmente “começamos o ano”. Não posso nem me excluir dessa, pois aproveitei este tempinho para tratar da saúde.

Antes de iniciarmos nossos artigos técnicos, me sinto na obrigação de falar um pouquinho a respeito do mercado de trabalho e do comportamento dos gestores de manutenção em tempos difíceis no país. Recebi muitos e-mails pedindo para tratar do assunto, então aproveitarei este espaço para discorrer a respeito.

Peço, antes de tudo, que não entendam este artigo como de esquerda, direita ou centro politico, qualquer que seja o lado haverá problemas, tentarei apenas focar no “nosso problema”, Como defender a manutenção!

 

Gostaria de começar citando um caso ocorrido a alguns anos e que tive a oportunidade de acompanhar, a visão da empresa de ônibus “X”.

Trata-se de uma empresa de médio porte que em determinado momento de aperto financeiro decidiu contratar um novo “Administrador Geral”, ou simplesmente “AdG”, para seu pátio de veículos, a fim de solucionar todos os entraves que a impediam de aumentar seus lucros, em um momento de economia fraca.

Este “AdG” contratou uma consultoria contábil para fazer uma verdadeira devassa nos contratos e contas da empresa, buscando maneiras de suavizar os problemas fiscais. Em paralelo, resolveu conhecer as áreas e seu efetivo para identificar oportunidades de redução de quadro.

Ao chegar à Manutenção, observou uma equipe descontraída, que naquele exato momento, se dividia em jogar ping-pong ou navegar na internet.

Descontente com a cena esbravejou:

– Quem é o Gerente aqui?

Rapidamente duas pessoas indicaram o Gerente, que sentado em seu computador estava dentro de uma sala montada na área de trabalho.

Então o “AdG” chegou ao seu lado e disse:

– Este é um dos motivos pelo qual a empresa perde dinheiro. Chego na área e observo uma equipe inteira “brincando” ao invés de trabalhar. Isso só quer dizer que a equipe está superdimensionada e que poderei cortar parte do efetivo daqui.

Ao ouvir tal argumento, prontamente o Gerente da Manutenção se levanta e questiona:

– Por acaso o senhor já olhou ao seu redor em todo o pátio? Percebeu que não há nenhum carro na garagem em manutenção? Notou a limpeza do ambiente e a organização das ferramentas? Já visitou nosso estoque e conferiu se nossas peças críticas estão em falta?

Ao virar-se, o AdG não viu um ônibus sequer estacionado, nenhuma poça de óleo ou graxa, as ferramentas nas maletas e em prateleiras identificadas. Então o Gerente da Manutenção completou:

– Esta equipe se esforçou muito para que tudo isso estivesse em ordem e que todos os ônibus estivessem na rua, pois compreendem que “ônibus parado é caixa arruinado!”, então antes de questionar o quantitativo do meu efetivo, observe o diferencial que ele representa nas contas da empresa, a economia que ele proporciona e o lucro que ele permite a empresa obter com a sua frota 100% ativa, e somente após esta avaliação, se você não identificar nada que o justifique, conversamos sobre efetivo.

O tal AdG entendeu a mensagem e foi tratar de outros problemas.

 

Paro por aqui esta história pois chegamos ao ponto de interesse, a postura do Gestor de Manutenção! Maiores detalhes não vêm ao caso neste momento.

Em tempos difíceis da economia nacional, para as empresas, uma das maneiras mais simples de se “reduzir custos” é cortar postos de trabalho. Isso acontece muito devido à necessidade de mostrar resultado rápido, à cobrança da diretoria e/ou acionistas, se for o caso.

Particularmente, esta é a pior maneira de se reduzir custos. Acredito que a pergunta não deva ser “Quantos há no seu setor?”, mas sim “Qual o impacto destas atividades no balanço da empresa?”, e sejamos sinceros, nós colaboradores de manutenção, poucas vezes ouvimos a segunda pergunta.

Este é um paradigma daqueles que tomam as decisões nas empresas. Nossa atividade só é percebida quando há o caos, se tudo corre bem ninguém se lembra da manutenção. Infelizmente a visão destes Diretores, Presidentes, Acionistas, enfim, de uma maioria considerável, ainda é que Manutenção gera somente gastos, custos. E isto, é MUITO errado!!!

O que observamos na história que citei é exatamente a defesa do patrimônio “Manutenção” pelo seu Gestor.

Imagine se aquele Gerente não estivesse com sua mesa na área, observando os problemas de perto, ou ainda, que houvesse ônibus no pátio ou que a área estivesse suja, desorganizada, e seus comandados, em pleno horário de atividade, se divertindo. Certamente não haveria defesa! O mais importante é que o Gestor compreende a importância que sua equipe tem para o resultado da empresa, deixando isso claro na explanação realizada ao AdG, cobrando inclusive uma avaliação comprobatória mostrando o impacto da perda que um posto de trabalho da manutenção traria a empresa, e ainda que ele demonstra uma postura de reconhecimento e valorização ao esforço da sua equipe.

 

Muito desta responsabilidade e culpa da visão deturpada dos Administradores é NOSSA, pois não sabemos fazer o “marketing” das oportunidades de ganho de nossa atividade.

 

Não realizamos, por exemplo, um evento, uma palestra ou uma simples apresentação de rotina, mostrando que “O controle efetivo das nossas manutenções preventivas evitou um percentual X de paradas, proporcionando a empresa uma aumento da capacidade produtiva em N%”, ou ainda, “a implantação da metodologia de RCM, nos permitiu o controle de sobressalentes, reduzindo nossos estoques e focando no que realmente é crítico”, como estas, pequenas ações que, para os quem decidem, faz toda a diferença.

Nos falta compreender que as Cifras determinam o que é interessante ou não dentro da empresa. Isso porque somos formados com uma cultura da simples solução de problemas e que o quanto menos aparecer melhor.

 

Convoco você a pensar diferente! Fazer com que sejamos notados pelos resultados positivos que proporcionamos à empresa. Precisamos mudar a cabeça doa nossos Administradores, mas para isso, precisamos mudar a NOSSA primeiro.

 

Na próxima publicação procuraremos falar um pouco mais especificamente sobre o mercado de trabalho da manutenção e Engenharia de Manutenção.

Continue nos acompanhando. Compartilhe, Curta, até a próxima.

Publicado por: Thiago Dutra

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