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Luiz Verri

LUIZ

 

Estrutura Analitica do Projeto – EAP – Uma abordagem objetiva

- 17/12/2013

ESTRUTURA ANALÍTICA DO PROJETO – EAP

Uma abordagem objetiva

 

  1. Introdução

 

Temos visto que os profissionais da área, que elaboram as EAPs, também conhecidas pela sigla em inglês WBS (Work Breakdown Structure), muitas vezes utilizam critérios muito subjetivos para atribuir pesos aos diversos itens que compõem a EAP, o que, ao final, trás um grande problema quanto ao grau de incerteza na fase de acompanhamento do Projeto.

Propomos então uma distribuição de pesos que traga a maior objetividade possível, porém sem tirar a oportunidade de se considerar o intangível, expresso pela experiência do engenheiro ou gerente que elabora a EAP.

 

  1. Estrutura do método

 

Vamos imaginar um pequeno Projeto, que é a construção de uma passarela para pedestres em uma estrada de rodagem.

A Estrutura Analítica do Projeto poderá ser a da tabela 1, abaixo.

 

Na tabela, notamos o seguinte:

a)    Para cada item de EAP, onde possível se coloca o valor do item e/ou os Hxh (Homens x hora) previstos para aquela tarefa.

b)    Existem itens que são subcontratados por valores fixos e alguns que têm material e um quantitativo de Hxh (Homens x hora) previstos para o item.

c)     Existem itens onde não se tem o valor fixado, nem Hxh. Tipicamente, os itens de “Verificação final”. A colocação desses itens, após cada etapa importante, é fundamental para o sucesso do Projeto, saindo-se daquela situação na qual se tem 99% de avanço, mas nada está de fato concluído.

 

 

 

 

Item

Descrição

Valor

Prazo(dias)

1

Execução da Topografia – Subcontratado – Fixo

5.000,00

5

2

Execução da sondagem – Subcontratado – Fixo

5.000,00

10

3

Execução do Projeto de Arquitetura – Subcont. – Fixo

10.000,00

15

4

Verificação do Projeto de Arquitetura

???

1

5

Execução do Projeto de Fundações

10.000,00

12

6

Verificação do Projeto de Fundações

???

1

7

Execução do Projeto de Estrutura

10.000,00

14

8

Verificação do Projeto de Estrutura

???

1

9

Fundações Estacas Material & Máquinas

85.000,00

32

Mão de obra (Hxh)

1.250

10

Execução dos Blocos Material & Máquinas

30.000,00

35

Mão de obra (Hxh)

625

11

Reaterro – Subcontratado – Fixo

20.000,00

10

12

Execução da Mesoestrutura  Máquinas

60.000,00

18

Mão de obra  (Hxh)

1.250

13

Materiais para Superestrutura

200.000,00

19

14

Fabricação da Superestrutura Material & Máquinas

150.000,00

41

Mão de obra (Hxh)

7.500

15

Entrega da Superestrutura na Obra – Valor Fixo

50.000,00

6

16

Montagem da Superestrutura Material & Máquinas

100.000,00

11

Mão de obra (Hxh)

2.500

17

Verificação das Fundações, Estacas, Blocos, Meso, Aterro e Super   Estrutura

???

6

18

Acabamentos – Mão de Obra – Hxh

1.000

28

19

Verificação Final

???

2

Tabela 1 – EAP com os valores iniciais

 

Estabelecendo um peso para essas verificações, estaremos forçando que toda a organização, inclusive os contratados, trabalhe no sentido de eliminar as pendências, a fim de “ganhar” os avanços respectivos.

 

 

Vamos agora percorrer os passos necessários para estabelecer o nosso método:

 

a)    Passo 1: Estabelecer um valor fictício para os itens “Verificação final”

Tira-se de cada item anterior ao item “Verificação final” algum valor financeiro. Por exemplo, o item 4 – Verificação do Projeto de Arquitetura “ganha” R$ 1.000,00 do valor do item 3 – Execução do Projeto de Arquitetura, que passa a “valer” R$ 9.000,00. O percentual de “ganho”, neste caso, de 10% fica à critério do gerente ou engenheiro responsável pela EAP, levando-se em conta sua experiência, a dificuldade específica  local e outras variáveis. 10% me parece um bom percentual nesse caso.

Notem ainda, que para compor o item 17 – Verificação das Fundações, Estacas, Blocos, Meso, Aterro e Superestrutura, que ficou em R$ 92.000,00 , foram “tirados” valores dos itens 9, 12, 13, 14 e 16.

 

b)    Passo 2: Colocar valor monetário nos itens onde foram estimados Hxhs

Onde temos quantitativos de Hxh, transformamos em valores monetários. Neste exemplo, vamos considerar:

b1 – O valor do salário médio seja R$ 2.165,40.

b2 – Encargos sociais = 100%

b3 – Número de horas trabalhadas no mês = 170

b4 – BDI (lucro + despesas indiretas) = 30%

 

O valor médio da Hxh será = (2.165,40 x 2 x 1,3)/170

Valor do Hxh = R$ 40,00.

 

Então, multiplicamos cada quantitativo de Hxh pelos R$ 40,00. Por exemplo, o valor de mão de obra do item 9 – Fundação das estacas será R$ 1.250 (Hxh) x R$ 40,00 (valor do Hxh) = 50.000,00. E o valor total do item 9 passa a ser 85.000,00 (material) + R$ 50.000,00 (mão de obra) = R$ 135.000,00.

Na tabela 2, abaixo, temos mesma EAP, já com as correções, tanto as explicadas no item “a” (valores para “Verificação final”) como para o item “b” (com valores monetários para os itens de Hxh).

Tabela 2 – EAP com os valores corrigidos (na página seguinte)

 


Item  

Descrição

Valor

Tempo

Valor   total inicial

Valor   ITEM

CORRIGIDO

1

Execução da Topografia – Subcontratado – Fixo  

5.000,00

5

5.000,00

5.000,00

5.000,00

2

Execução da sondagem – Subcontratado – Fixo  

5.000,00

10

5.000,00

5.000,00

5.000,00

3

Execução do Projeto de Arquitetura – Subcont. – Fixo  

10.000,00

15

10.000,00

10.000,00

9.000,00

4

Verificação do Projeto de Arquitetura  

1

1.000,00

5

Execução do Projeto de Fundações  

10.000,00

12

10.000,00

10.000,00

9.000,00

6

Verificação do Projeto de Fundações  

???

1

 

1.000,00

7

Execução do Projeto de Estrutura  

10.000,00

14

10.000,00

10.000,00

9.000,00

8

Verificação do Projeto de Estrutura  

???

1

 

1.000,00

9

Fundações Estacas Material & Máquinas

85.000,00

32

85.000,00

 

  Mão de obra (Hxh)

1.250

50.000,00

135.000,00

123.000,00

10

Execução dos Blocos Material & Máquinas

30.000,00

35

30.000,00

 

    Mão de obra (Hxh)

625

25.000,00

55.000,00

55.000,00

11

Reaterro – Subcontratado – Fixo  

20.000,00

10

20.000,00

20.000,00

20.000,00

12

Execução da Mesoestrutura  Máquinas

60.000,00

18

60.000,00

 

  Mão de obra  (Hxh)

1.250

50.000,00

110.000,00

99.000,00

13

Materiais para Superestrutura  

200.000,00

19

200.000,00

200.000,00

181.000,00

14

Fabricação da Superestrutura Material & Máquinas

150.000,00

41

150.000,00

 

  Mão de obra (Hxh)

7.500

300.000,00

450.000,00

420.000,00

15

Entrega da Superestrutura na Obra – Valor Fixo  

50.000,00

6

50.000,00

50.000,00

50.000,00

16

Montagem da Superestrutura Material & Máquinas

100.000,00

11

100.000,00

  Mão de obra (Hxh)

2.500

100.000,00

200.000,00

180.000,00

17

Verificação das Fundações, Estacas, Blocos, Meso, Aterro e Super   Estrutura  

???

6

 

92.000,00

18

Acabamentos – Mão de Obra – Hxh  

1.000

28

40.000,00

40.000,00

37.000,00

19

Verificação Final

???

2

 

3.000,00

  VALOR TOTAL    

1.300.000,00

1.300.000,00

1.300.000,00

 

 

c)     Passo 3: Escolher um divisor

Como os valores monetários são normalmente números grandes, mais trabalhosos de se manejar, dividimos o valor por um número adequado de nossa escolha. Essa escolha é individual e pode, matematicamente, ser qualquer número. Em nosso caso, escolhemos o divisor 1.000.

Teremos então, na tabela 3, abaixo (onde retiramos a descrição de cada item apenas para ficar uma tabela menor), como exemplos:

– O peso objetivo do “item 1” fica com o valor 5.

– O peso objetivo do “Item 14” fica com o valor 240.

 

 

Tabela 3 – Pesos: objetivo, subjetivo, da tarefa, e percentual da tarefa.

 

d)    Passo 4: Estabelecer um balanceamento objetivo x subjetivo

Trata-se de determinar, por experiência ou “feeling”, qual será a relação entre o peso objetivo e o peso subjetivo.

No meu caso, gosto de estabelecer 70% para o peso objetivo e 30% para o peso subjetivo.

Vamos então multiplicar o peso objetivo por 7 (sete) e o subjetivo por 3 (três).

Exemplificando, vemos na tabela 3 acima que a multiplicação dos pesos objetivos dos itens exemplo ficaram:

Item 1 = 5 x 7 = 35

Item 14 =  420 x 7 = 2940

 

e)    Passo 5: Atribuir o peso subjetivo

Aqui está um dos pontos mais importantes do método. É onde vai entrar mais a experiência e o “feeling” do engenheiro ou gestor.

Gosto de fazer isso, escolhendo o peso subjetivo pelo aumento ou diminuição em relação ao número referente ao que ficou para peso objetivo, para não perdermos a ordem de grandeza.

Em nossos itens exemplo, teremos:

“Item 1” – Executar a topografia: embora tenha um valor monetário baixo, é um item que considero intrinsecamente mais importante. Assim, atribuímos o valor 8, maior que o valor objetivo, que é 5.

“Item 14” – Fabricação da Estrutura: é bem importante. Mas será que o grau de dificuldade é compatível com o peso objetivo tão alto (420)? Achamos que não, então atribuímos o peso 350, menor do que o objetivo, que é 420.

 

f)      Passo 6: Verificar a soma total dos pesos atribuídos

Para que seja verdadeiro o critério 70–30% para Peso objetivo-Peso subjetivo, é necessário que as somas dos pesos atribuídos sejam similares (não precisa ser igual, afinal existem grandes componentes subjetivas na questão).

No nosso exemplo, temos:

Soma dos Pesos objetivos = 1.300

Soma dos Pesos subjetivos = 1.299

Normalmente não ficam assim tão próximos de primeira. Nesses casos, vamos alterando os pesos subjetivos atribuídos em cada item para que as somas dos dois valores fiquem similares.

 

g)    Passo 7: Aplicar a fórmula

Ainda na planilha da tabela 3, verificamos que para se chegar ao peso de cada  tarefa foi aplicada a fórmula:

PT = POB x 7 + PSB x 3

 

Chegamos à Pesos Totais cuja soma deu, em nosso exemplo, 12.997. Este número vai ser o denominador dos cálculos do Passo 8.

 

h)    Passo 8: Calcular os pesos percentuais (pp)

Finalmente chegamos aos pesos percentuais de cada tarefa, pelo cálculo em porcentagem, % = Pitem/ Ptotal.

Assim, para nossos itens exemplo, teremos:

“Item 1” = (59 / 12.997)% = 0,5%

“Item 14” = (3.990 / 12.997)% = 30,7%

 

Esses serão os valores utilizados para a curva “S”, para o acompanhamento do avanço físico e, preferencialmente para pagamento da(s) contratada(s). É claro que a soma total deve ser 100%. Bom Projeto para você!!

 

 

LUIZ ALBERTO VERRI – Dezembro/2013

Publicado por: LUIZ

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