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Crônicas do Chão de Fabrica

cronicas

 

Amanhã…

- 03/07/2011

Sou um escritor tardio. Depois de seguir, por anos, pelas vias técnicas e da administração nas empresas por onde passei, resolvi me dedicar às letras por puro prazer. Não sei de onde, mas acho que tenho muito pra contar e também para inventar.
Sendo mais preciso, sou um escritor tardio e inédito.
É que tenho um livro semiacabado. Na realidade semicomeçado. Não passou ainda da terceira página escrita. Está inteiro na minha cabeça, mas no papel (no caso, no arquivo), ainda nem chegou ao fim da introdução do caso, dessa história semivivida que resolvi revelar.
O problema de planos adiados, como esse livro aprisionado em minha mente, é que os efeitos, os resultados, os finalmentes, ficam ali pululando a sua frente, sem nunca se materializar. Será que faria sucesso? As pessoas entenderiam a mensagem? Aquela personagem especial seria percebida em quem inspirada? E o final, seria suficientemente surpreendente para manter o clima buscado em toda a trama?
Assim segue a vida. Todo dia me pergunto o que falta, afinal de contas, para contar o que na cabeça autora está completo, com cores, sons e ambientes? Falta o que para dar sequencia ao projeto iniciado mas nunca terminado? De tanto tempo parado, hoje literalmente arquivado.
É a angústia da imobilidade, do não fazer.
Passa o tempo e nada de realizar. Mas, amanhã…

O pior desses adiamentos é que o final muda. Muda todo dia. Como se trata de um livro, em grande parte, autobiográfico, o que há pra escrever hoje é diferente do que foi ontem.
A intenção é mostrar, num clima de suspense e romance, quem foi quem na vida de um personagem atônito com seus erros e acertos. As escolhas feitas conscientes e as que a vida lhe impôs. Sabe, essas coisas de trato intimo, particular, do que foi feito e o que nunca chegou a acontecer. Associado a pessoas, com a cara de então.
Esse é o problema.
À medida que as coisas acontecem, a vida que passa, personagens que entram e saem de cena e do livro, fatos perdem importância ou ao menos mudam de cor, valor, interesse.

Sair da inércia nos sonhos é o movimento que exige mais energia. Seja um livro, a casa, a viagem, um amor. Querer só é poder, depois que entrar na pauta o fazer.

Preciso voltar à estória e faze-la acontecer. Senão, a vida me atropela e nem as três páginas já escritas vão me adiantar. Nada haverá a contar.

Amanhã…

Publicado por: cronicas

2 Comentários


  1. Leandro José Soares

    Paulo, realmente às vezes é difícil “tirarmos” dos sonhos nossos planos, muitas vezes também “sofro” deste problema…..mas te peço que faça um esforço para colocar em suas “ações” diárias escrever este seu livro, tenho certeza que você irá contribuir e ajudar muitas pessoas com suas estórias e histórias de vida maravilhosas….serei um dos primeiros a comprar o livro….pode ter certeza!!!

  2. Rubens

    Paulo
    Somos 2 …
    As ideias vem, as memorias estão vivas e deixamos nos atropelar pelos dias.

    Creio no legado , na historia e no exemplo.
    Vamos em frente