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Milton Zen

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A Ética e a Legalidade

- 11/04/2010

“De tanto ver triunfar as NULIDADES, de tanto ver prosperar a DESONRA, de tanto ver crescer a INJUSTIÇA, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos DOS MAUS, o homem chega a RIR-SE da honra, DESANIMAR-SE da justiça, e TER VERGONHA de ser honesto!” (Ruy Barbosa – Senado Federal, 1914).

Um grande conflito é o que estamos vivendo nos dias de hoje, pois nem tudo que é legal é ético e nem tudo aquilo que é ético é legal. O conhecimento humano se desenvolve cotidianamente e da mesma maneira a moral e os costumes.

Quando do início da era humana, a escravidão era uma prática que existia, pois os povos conquistados tinham sua liderança simplesmente eliminada e a população ficava a mercê dos conquistadores. Tal situação se manteve até meados do século passado, tendo sido marcante até a segunda grande guerra. Hoje a escravidão é velada, e até em nosso país temos ouvido notícias de que ainda ocorre. Tal fato não só é ilegal, mas também imoral, apesar de que aqueles que a praticam não a consideram dessa maneira.

O mesmo princípio vale para o meio ambiente. Entendíamos até muito pouco tempo atrás que nossas árvores e florestas seriam eternas, que o oxigênio idem e que o petróleo era uma fonte de energia inesgotável. Pois bem, a situação mudou. Hoje sabemos que a fonte da vida, a água, precisa ser muito bem cuidada, que a poluição do ar cresce assustadoramente ano a ano. Com já dito, o conhecimento humano se desenvolve dia a dia. Hoje nossas leis têm com certo atraso acompanhado tal evolução. Infelizmente, o que deixou de evoluir foi o respeito humano. A ambição e a ganância têm provocado e continuarão a provocar, sabe-se lá até quando, a destruição do homem.

Guerras são empreendidas com a desculpa de implementar a democracia, florestas são simplesmente dizimadas com a alegação de que precisamos de pastos para a pecuária e para as grandes culturas, como a cana de açúcar, soja ou até mesmo café e trigo.

Hoje destruímos o meio ambiente, não apenas nos grandes centros, mas também no interior do Brasil, a exemplo do que ocorre no Pantanal e na Amazônia. Mesmo perto de nós esta situação ocorre. Riviera de São Lourenço, bairro de Bertioga de alto poder aquisitivo, localizada no litoral norte do estado de São Paulo é um exemplo vivo de tal conflito.

Apesar da legalidade de desmatamentos que têm ocorrido, me parece imoral derrubarem áreas inteiras de Mata Atlântica (nativa) maiores que o Maracanã, simplesmente para implantar mais um módulo composto de casas ou de prédios. Áreas antes intocadas foram ou são dizimadas em dez ou quinze dias, tudo à luz do dia ou na calada da noite, pois os trabalhos são ininterruptos e ouve-se moto-serra e tratores trabalhando até o início da noite, reiniciando os trabalhos à primeira hora de sol. Incrível é saber que empreendedores praticam e são certificados pela ISO 14000.

Como escrevi no início do texto, nem tudo que é legal é moral e ético. Isso se repete também no meio político, pois o que temos visto é uma pura falta de vergonha. Infelizmente a população tem memória curta e muitos serão reeleitos simplesmente por esquecimento dos atos falhos cometidos.

A justiça é lenta, para não dizer quase parada, já que milhões de processos circulam no judiciário, que não possui mão de obra suficiente para julgar em tempo hábil, além das milhares de possibilidades de recorrer-se de decisões anteriores.

No âmbito da justiça do trabalho o mesmo fato se repete, e como tudo é muito lento, o desrespeito para com a legislação permanece. Existem no momento até seminários para se discutir porque o passivo trabalhista e o contencioso têm crescido. Ouve-se a boca pequena, apesar de nomes de empresas nunca serem citados, que mesmo que vendam todos os seus ativos financeiros, ainda seria insuficiente para cobrir o passivo trabalhista.

Mas como poderíamos evitar situações como as até agora comentadas? Para muitos a resposta seria simplesmente, que em todas as esferas deveríamos possuir mão de obra técnica e humanamente preparada, incluso aqui uma fiscalização forte e rigorosa.

Isto sem dúvida ajudaria muito evitar ilegalidades e imoralidades. Entretanto, entendo que uma ação ainda maior ajudaria bem mais que a anterior. Sabe qual é?

Simplesmente sermos e praticarmos a honestidade e a lealdade em todos os meios e momentos que vivermos.

Permitam-me lembrar um fato. Jesus deseja que sejamos bons e honestos em todo nosso ser e não apenas da boca para fora. Parece-me que a decisão está novamente em nossas mãos. Meu caro leitor, o que você escolherá?

Milton A G Zen
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Publicado por: Milton Zen

1 Comentário


  1. Caio Marcelo Rocha Martins

    Recentemente minha namorada assistiu uma palestra com o Ricardo Antunes, um dos maiores especialistas em sociologia do Trabalho do Brasil, e ele disse nessa palestra que uma muitnacional do ramo alimenticio chegou a propor aos seus funcionários de sua filial em MG que trabalhassem com FRALDAS DESCARTAVÉIS, para diminuir o tempo perdido com a ida desses funcionários ao banheiro.

    Li um post antigo seu, dizendo que as empresas não eram justas, assim como o mundo não é, e concordo contigo nesse ponto.

    Mas nós como trabalhadores, e como cidadãos temos que ver o que queremos para o nosso futuro, e cabe também as empresas fazerem essas reflexões, é lógico que nenhuma organização é filantrópica e busca o lucro e o progresso material, mas tem que haver um limite para isso e é muito comum não só no nosso País, como no mundo inteiro, interesses privados se sobressairem sobre o interesse público.

    Bom post!