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Crônicas do Chão de Fabrica

cronicas

 

A vida poética na Manutenção

A Manutenção a Dois

Oi meu Amor,

Você sabe, sou uma homem da Manutenção e escrever cartas não é meu ponto forte.

Escondido, quase sempre, no perímetro predial  da minha oficina , tenho facilidade com meus relatórios, mas devido as últimas ocorrencias em nosso relacionamento, e após uma análise de riscos que corro, resolvi não ignorar os  indicadores de que há  falhas neste ciclo de vida em que nos encontramosque cabe a mim fazer uma ação corretiva.

Desde o primeiro instante em que nos conhecemos o histórico desta relação tem sido de naturalidade, nada acontecendo com planejamento, embora a cada dia a melhoria contínua do tempo que passamos juntos mostre que temos uma química, pois ao longo das 52 semanas de cada ano juntos, temos tido uma energia crescente em nossa programação. Foram muitos encontros,  viagens, festas e baladas, tudo com muita vibração, sem defeito em momento algum, embora por instantes, por motivos vários, estivéssemos a beira de um risco de explosão.

Como a relação não é mecânica, sem clichês que levam a automação, corre entre nós aquela eletricidade, e muitas vezes em nosso intimidade é como se estivéssemos em regime de urgência para atendimento a nossa  missão de sermos felizes. A verdade é que nossos carinhos e desejos não seguem normas, nos levando por trabalhos em altura, galgando as escadas da paixão, sem cintos de segurança, ativos que somos, em nossos espaços confinados, tudo é disponibilidade, sem oportunidade ao descarte da doação mútua. Nesses instantes especiais, uma análise de óleos de nossos corpos comprovaria a presença de causas e efeitos da tal felicidade.

Todo mundo está sujeito a uma dificuldade de lubrificação aqui, um probleminha de TPM ali. Somos humanos e esses pequenos percalços  não colocam nossa relação num estágio de periculosidade, 

O tempo vivido em comum nos trouxe a visão de que só a confiabilidade recíproca afasta o marasmo e a ociosidade do nosso dia a dia, eliminando os perigos de uma rotina em que para tudo é preciso uma ordem ou permissão.

Então o que está errado? Se o que temos não é condicional, se a temperatura está boa, haveria algo a ser recondicionado?

Há um momento, na linha de vida de um homem, que é preciso atentar para a mudança necessária, como única alternativa às paradas inesperadas que podem acontecer a qualquer um, inclusive nós.

Não posso me calar pois não existe chave de boca apaixonada. Com você ao meu lado experimentei o alinhamento  de ideias e bem viver.

Te amo e quero me jogar na vida ao teu lado sem EPI, sem me ligar muito em causa e efeitos.

Simples assim.

28/11/2016
A vida poética na Manutenção" addthis:description="A Manutenção a Dois Oi meu Amor, Você sabe, sou uma homem da Manutenção e escrever cartas não é meu ponto forte. Escondido, quase sempre, no perímetro predial  da minha oficina , tenho facilidade com meus relatórios, mas devido as últimas ocorrencias em nosso relacionamento, e após uma análise de riscos que corro, resolvi não ignorar os  indicadores de que há  falhas neste ciclo de vida em […]">

Carta ao Papai Noel

Caro Papai Noel,

Olá, como vai? Com certeza muito atarefado, pois é a época do ano em que seu trabalho aparece.

Resolvi lhe escrever essa cartinha pois imaginei que sua caixa de e.mails deva estar abarrotada e seus DM pelo Twitter já nem sejam mais lidos, tantos chegam por segundo.

Vi que sua página no Facebook já passou das centenas de milhões de Likes e que você é a pessoa com mais acessos no Youtube além de pesquisas no Google. No Skype você está indisponível e não mais atende o MSN. Coisas de quem está atarefado, com certeza.
Foi por isso, por essa sua “indisponibilidade”, que resolvi usar esse meio primitivo de comunicação que é escrever uma carta. Carta registrada, pois assim você tem que assinar que recebeu.

Então … Eu sei que você conhece todo mundo neste planeta, pois todos um dia fomos crianças. E ao fim de cada ano, fazíamos (fazemos?) os nossos pedidos. Talvez você não lembre de mim, pois nunca fui muito de aparecer. Tive notas boas na escola, fui um bom menino sempre. Apenas cultivava aquela mania de consertar coisas. É bem verdade que em algumas poucas ocasiões, as tais coisas ainda não estavam quebradas, mas isso é detalhe.

O fato é que, como disse, estudei, cresci e me transformei num homem (não muito grande) e num profissional importante. Agora, assim, puxando pela memória, talvez você se recorde que lhe escrevo religiosamente (no melhor sentido) todo ano. Sempre com a devida antecedência, como deve ser para quem sabe o problemão que é deixar as coisas pra ultima hora. Ainda mais em se tratando de produção, logística, entrega, satisfação dos clientes, essas coisas.

Não fique surpreso, mas trabalho aqui na sua fábrica. Pode parecer estranho eu lhe escrever sendo seu colaborador, mas já explico os meus motivos.

Esse ano, antes de escrever, fui consultar os outros duendes da nossa organização. Falei com a duende do RH, com o duende da Qualidade, marquei hora com o duende do Financeiro mas ele tava ocupado com o orçamento estourado. Bati um longo papo com o duende da Segurança e a duende do Meio Ambiente. E, pela primeira vez, falei calmamente com o duende encarregado da Produção. Acho que ele tava tranquilo porque ainda era Fevereiro e foi com ele que falei primeiro. Conversei também com as duendes do Marketing e Vendas. Devo confessar que essas duas não me pareceram falar a mesma língua que eu. Igual ao duende da TI, que parece ser do Polo Sul. O duende de Compras disse que só falava comigo mediante uma requisição. Achei ele muito estressado.

Também não consegui falar com o duende responsável pela Comunicação, pois me disseram que esse cargo está vago na empresa faz tempo.

Bom, o que posso dizer é que nessa busca por informações, de duende em duende, aprendi muito, principalmente com as secretárias de duendes, que são um caso (duende) a parte.
Enfim, falei com quase todos os duendes de todas as áreas.
Devo confessar que o que eu queria saber deles é como estava a relação deles com a empresa, com a organização, a nossa fábrica. E, o principal, como chegar junto a você, nosso CEO, da melhor maneira possível.

Vou facilitar as coisas. Então, querido Papai Noel, se me permite chama-lo assim, sou o duende responsável pela Manutenção aqui da Fábrica de Presentes do Papai Noel.

Isso mesmo. Acho que deve se lembrar, já que uma vez, fazem 12 anos, você passou por aqui para ver a solda da fivela do seu cinto que tinha se rompido na hora de embarcar no trenó. Foi um bom trabalho aquele. Nem parecia que estava remendado.
Lembrou? Fico aqui no fundo da planta, depois dos almoxarifados, perto da ultima portaria, ao lado do deposito de óleo e do estábulo das renas.

Sou um duende verde, igualzinho aos outros, mas que trabalha muito. Não sei se viu os indicadores, mas a taxa de falhas dos equipamentos está muito boa. A confiabilidade está em alta, assim como a disponibilidade. O programa de analise se falhas vai indo bem e a preditiva melhorou com a contratação (terceirização) de uns duendes externos especializados em analise de vibração, termografia, analise de óleo.
Fiz um benchmarking com o pessoal da fábrica de chocolates do Coelho da Páscoa e não ficamos nada a dever. Estamos orgulhosos por aqui.

Esse ano foi legal. Com a implantação de planos, metas e objetivos, pudemos fazer o TPM avançar. Ajudou muito, com certeza, fazer o 5S acontecer com ajuda dos duendes da Qualidade, Segurança e Meio Ambiente e Produção.
Mas, caro Papai Noel, essa carta não é pra ser um relatório anual de atividades. Ela é, acredite, uma simples carta de pedidos ao Papai Noel.
Esse conversê todo foi pra chamar um pouco da sua atenção. Aqui vão os meus singelos pedidos:
– A turma que trabalha aqui na Oficina precisa de treinamento. Parece que a verba do RH para isso tem poucos metros de comprimento pois nunca chega aqui no fundo da Fábrica.
– Não sei se você sabe mas uso a cadeira que foi sua antes da Rainha Elizabeth da Inglaterra se casar. O filho dela já tem mais de sessenta anos e ainda não aprovaram a verba de moveis menos velhos pra gente aqui. Se puder “dar uma força” nesse assunto, agradecemos.
– Sabemos que a o trenó é o carro chefe da sua “imagem” e que deve estar sempre impecável. Cuidamos dele com muito carinho e atenção. Mas, para melhorar o rendimento e a confiabilidade do mesmo, gostaríamos de lhe pedir que ao opera-lo, cuidasse onde o estaciona.
– Na última avaliação de pesquisa de clima o setor de renas ficou com a melhor nota e nós aqui não fomos tão bem. Se puder dar uma motivada na turma, melhorar um pouquinho só o salário, ia ser legal.

E por fim, caro Papai Noel, pra não tomar muito seu tempo, o que queria dizer é que tenho muito orgulho de pertencer a sua organização.

Ajudar a quem cuida de levar felicidade para todo mundo não é para qualquer um. Conte comigo e toda a equipe da Manutenção.
Pedidos pessoais a parte, quero lhe desejar um Feliz Natal e um 2012 de muitas e muitas conquistas.

Do seu amigo e colaborador,

Duende da Manutenção

23/12/2013
Carta ao Papai Noel" addthis:description="Caro Papai Noel, Olá, como vai? Com certeza muito atarefado, pois é a época do ano em que seu trabalho aparece. Resolvi lhe escrever essa cartinha pois imaginei que sua caixa de e.mails deva estar abarrotada e seus DM pelo Twitter já nem sejam mais lidos, tantos chegam por segundo. Vi que sua página no […]">

Avisos de Aniversário

Andaime Plataforma

Andaime Plataforma

Como é de conhecimento de todos, pois deve estar em destaque nas folhinhas da cozinha, nos lembretes do celular e nas manchetes do Facebook, em poucos dias acontece o maior evento do ano: meu aniversário.

De forma a facilitar a todos que querem me presentear, abraçar e bajular, necessariamente nesta ordem, vão aqui alguns lembretes:

– No meu prédio é necessário programar o uso do elevador de serviços com antecedência mínima de 7 dias para casos de volumes especiais (acima de 100 kg). Portanto, para as lembrancinhas que se encaixem neste caso,  os amigos devem se comunicar com a administração do condomínio  onde moro.

– Embora tenha renovado meu passaporte no ano passado, ainda não fiz o mesmo com o visto para alguns países, devendo faze-lo em 30 dias, no máximo. Nos casos de mimos que se encaixem neste quesito informo que não há problema algum quanto a destinos como Caribe, Maldivas, Barbados, Ilhas Maurício e Bali.

– Sobre cestas de guloseimas, quero lembrar que tenho alergia a champanhe e similares populares ditos espumantes (eca!), mas segundo meu médico, não tenho problema algum quanto a marcas normais de champagne como Veuve Cliquot , Dom Perignón e Chandon.
Os patês franceses são aceitos, assim como chocolates suíços, embora prefira os belgas, obviamente.
Os pêssegos, se não forem espanhóis, podem ser argentinos. O doce de leite deverá ser uruguaio, sendo aceito o argentino para os casos de cestas mais, digamos, simples. Observo que embutidos que não sejam de origem bávara, deverão ser embalados com cuidado, de forma que eu possa repassa-los a algum conhecido com quem não tenha muita afinidade.
No caso do caviar, tanto pode ser o de salmão quanto o de esturjão, pois todos sabem que sou um sujeito simples e sem frescuras.

– Lembro que mandar flores a um homem não é uma atitude gay, desde que acompanhando algum relógio Ferrari, Bugatti ou Gucci ou ainda simples e populares como os Diesel e Harley Davidson.

– Os cheques de contribuição para minha Fundação, “O Brasil Cem Corruptos” , podem ser depositados nas mesmas contas nas Ilhas Seychelles e em Luxemburgo. Os valores em cash podem ser entregues no mesmo tipo de bolsa de feira ou cuecas de sempre, nos endereços manjados, com os mesmos três toques de campainha ou mensagem de celular.
Nossa programa de assistência moral, financeira e psicológica a políticos e empresários pegos com a boca na botija vai muito bem, com a abertura de novos centros de atendimento na Ilha de Comandatuba, Angra do Reis, Búzios, Paris e Miami. Faço saber a todos que, graças ao nosso trabalho, pessoas importantes para a nossa sociedade estão sendo bem tratadas e apoiadas em seus momentos mais difíceis: Renanzinho, Zézinho Dirceu, Demóstenes, Maluf e família, Marquinhos Valério, Zézinho Genoino.  Como atendemos somente aos cem mais conhecidos e importantes, já condenados ou sendo processados, a lista de fila de espera continua aberta. Peço paciência aos demais que estão aguardando sua vez. Como a longevidade dos assistidos é grande, estamos pensando em mudar o nome da Fundação para “O Brasil Mil Corruptos”, para assim ampliar os programas e que ninguém se sinta discriminado ou descriminalizado.

Em todo aniversário devemos dar graças por mais um ano de vida. E no meu caso não é diferente. Em todos os templos de nossa igreja (Igreja Universal da Bilblia Consagrada da Palavra Divina do Batismo Salvador dos Melhores Dias no Império de Deus), por sugestão do Bispo e Tesoureiro Sérgio Pokémon, serão feitas ações de arrecadação e louvor.  A programação poderá ser obtida em nossa página do Facebook, em nosso site, e ainda pelos avisos do Twitter, para que ninguém corra o risco de ir para o inferno por não ter atendido ao chamado divino. Seções similares estão programadas para acontecer em nossos Centros de Tradição Gaúcha, Africana, Islâmica, Hindu e Judaicas espalhados pelo país. A coleta apostólica romana deste ano está suspensa face aos probleminhas que tivemos com nosso estabelecimento bancário italiano.

Aviso importante: Este ano não haverá o tradicional jantar no Iate Clube. Os motivos são a depressão que acomete meu fornecedor de fogos de artifícios – a crise espanhola, sua origem, o afetou, a falta de lagostas adequadas por parte do buffet do Copacabana Palace, e ainda as licença maternidade de Beyoncé e Adele e  (o pior de todos) a doença do Chávez.

Sou aquariano e acredito num futuro de mudanças, num mundo melhor, onde as coisas materiais não chamarão tanta atenção, principalmente se bem guardadas num cofre de um bom banco suíço.

Feliz aniversário, simples assim.

04/02/2013
Avisos de Aniversário" addthis:description="Como é de conhecimento de todos, pois deve estar em destaque nas folhinhas da cozinha, nos lembretes do celular e nas manchetes do Facebook, em poucos dias acontece o maior evento do ano: meu aniversário. De forma a facilitar a todos que querem me presentear, abraçar e bajular, necessariamente nesta ordem, vão aqui alguns lembretes: […]">

Encontro histórico no elevador

Numa dessas tardes de verão, quentes, abafadas, comuns ao Brasil, numa dessas empresas típicas que a gente encontra país afora,  o cara da Manutenção entrou correndo esbaforido no elevador. Cumprimentou com um educado “boa tarde” aos que já estavam dentro da cabine, apertou o botão do sete do andar da diretoria, que já estava marcado, e aguardou as portas fecharem e o equipamento começar a subir.

De repente, ali pelo quarto andar talvez, a máquina estancou e a luz interna se apagou. A luz de emergência funcionou, iluminando tenuemente as figuras dentro daquela pequena prisão momentânea  O cara da Manutenção, que estava de frente para o painel, virou-se e começou a tranquilizar seus companheiros de infortúnio: – Fiquem calmos, não há motivos para …

O cara da Manutenção era experiente. Achava que já tinha visto e passado por tudo naqueles mais de vinte anos de empresa, sempre cuidando da Manutenção. Mas, ali na sua frente, dentro e presos no mesmo elevador, não podia acreditar, estavam simplesmente o Saci Perere, o Papai Noel e o Boi da Cara Preta. Esfregou os olhos e olhou de novo. Forçou a vista um pouco mais. E eles continuavam lá.

Com sua natural característica dedutiva, o cara da Manutenção, sem tirar os olhos arregalados dos três,  começou a alinhar pensamentos num velocidade extrema, como demandava a situação. Algo do almoço? O remédio da homeopatia? Alucinação a posteriori depois de entrar na subestação? Algum produto químico da limpeza do elevador?  Um baile a fantasia no horário de expediente? Algum programa novo de integração de minorias? Seriam acionistas? Fiscais? Auditores? Venderam a empresa? Uma pegadinha? A roupa do Papai Noel tá apertada. O saci tava fumando numa área não permitida. O boi tinha a cara preta mas não era assustadora, como sempre imaginara…

Meio que saindo do choque inicial, o nosso herói da Manutenção, sentiu um arrepio quando o Saci perguntou, sem tirar o cachimbo da boca: – E agora, como nois sai dessa enrasqueira?

a continuar …

05/10/2012
Encontro histórico no elevador" addthis:description="Numa dessas tardes de verão, quentes, abafadas, comuns ao Brasil, numa dessas empresas típicas que a gente encontra país afora,  o cara da Manutenção entrou correndo esbaforido no elevador. Cumprimentou com um educado “boa tarde” aos que já estavam dentro da cabine, apertou o botão do sete do andar da diretoria, que já estava marcado, […]">

Bons tempos…

O tempo é professor. O melhor de todos.
E, antigo, sou do tempo em que trabalhar na manutenção era coisa pra macho. A gente pegava pesado, não tinha medo de nada. Encarava os problemas e fazia as máquinas trabalharem, custasse o que custasse. Subia em qualquer estrutura, telhado ou máquina. Nenhum receio em atacar na mão livre a falha exposta ou escondida. Total confiança, total dedicação.
As vezes chegavamos a exaustão, mas nada de desistir, pois afinal, havia uma missão a cumprir. Certo?
Errado. Completamente errado.
Soldar sem máscara. Trabalhar em altura sem cinto e ancoragem. Nada de proteção auricular. Óculos e luvas? Pra que?
Tempos de heroísmo. Tempos de ignorancia.
Não existe espaço para heróis na empresa moderna. São dispensáveis e até, arriscaria, são nefastos.
Precisamos de profissionais que saibam o que fazer sem colocar suas vidas e de seus companheiros em risco.
Dentre as metas e objetivos não se inserem menos dedos decepados, menos surdez, menos mortes. Nesses indicadores o mínimo é o máximo. Zero acidentes.
Se a empresa bate palmas para quem faz da vida profissional um circo de aventuras e horrores, desconfie. Mais dia menos dia é caixão. Um elogio ao pé da cova e babau.
Super-homem, Batman, Homem-Aranha, só no cinema. E olhe lá.

Abraços

Paulo Walter

14/09/2012
Bons tempos…" addthis:description="O tempo é professor. O melhor de todos. E, antigo, sou do tempo em que trabalhar na manutenção era coisa pra macho. A gente pegava pesado, não tinha medo de nada. Encarava os problemas e fazia as máquinas trabalharem, custasse o que custasse. Subia em qualquer estrutura, telhado ou máquina. Nenhum receio em atacar na […]">

Diplomas e gravatas

Dia de formatura é dia para ficar na memória. Diploma de engenheiro, setes anos de faculdade paga, sacrifícios sociais, gente que ajudou, gente que atrapalhou. Depois de vinte um anos, do primário a colação, muita ralação. Histórias de dúvidas e decisões, de coincidências, pequenas derrotas e vitórias, amizades, dedicação, desanimo, reinvenção. Graduar-se é um investimento e tanto, com diversas participações.
A formatura é um marco, que enseja guardar a folhinha do calendário, com o santo e a oração do dia. Dia de festa. E o dia todo na função. Cabelos arrumados, banho mais elaborado, perfume especial, camisa engomada e até sapato engraxado, como se fosse obra de exposição.
O terno, escolhido na melhor relação caimento x crediário, simboliza a peça de embalagem do mais novo doutor da praça.
Enfiado em meias finas, compradas para a ocasião, o novíssimo diplomado se sentia o cara, o alpinista no topo da montanha, o maratonista no pódio, pronto para ser reconhecido e festejado como herói de filme de ação.
Tudo pronto e ensaiado para um momento de júbilo de uma pequena parte do proletariado. Não era pra menos, pois a babilaca de engenheiro assumia ares de carta de alforria. Promessa de ascensão profissional, financeira, social.
Do alto de todo aquele conhecimento adquirido, de tanta sabedoria acumulada, nada lhe assustava. Ainda mais bem vestido assim.
Mas a vida, destrambelhada, segue os rumos do destino, que enlaça, entrelaça e faz desvios, apresenta, logo neste dia, um grande desafio. Um verdadeiro nó na situação. O nó da gravata.
Não faltava nada, nadinha mesmo. Tudo programado, com tempo cronometrado. E agora, essa insolúvel questão. A quem pedir socorro, a minutos do momento de glória, para dar fim a essa medíocre situação?
Por sorte, muita sorte, a benção da ajuda, mora bem ao lado. Uma batida contida, mas algo desesperada, traz a porta o vizinho, o peixeiro aposentado.
Nem boa noite, nem nada, direto ao ponto, coisa de quem está muito apressado.
– Seu Felisberto, o senhor sabe dar nó em gravata?
Um sorriso condescendente alivia o semblante do formando desgravatado.
Com três movimentos de mão, ao redor do pescoço e na ponta dos dedos calejados, está pronto, na medida, o nó tão desejado.
A solenidade foi uma beleza. Com discursos, juramentos e distribuição de canudos, tudo na maior distinção. A família emocionada, como manda o figurino, comemorou seu filho enfim graduado. Uma noite de orgulho, muito bem marcada.
Passados muitos anos, me recordo de pedaços daquela ocasião.
Cada vez que me arrumo para a solenidade do trabalho a cada dia, fazendo no espelho o ritual, ao dançar com a gravata na mão, repito intimamente:
– Terno, sapato e camisa de formatura: R$ 1800,00 (em 10 vezes no cheque pré-datado)
– Gravata italiana de seda: R$ 220,00 (emprestada pelo chefe)
– Ter o Felisberto por perto para dar o nó na gravata, não tem preço.
Existem coisas que o dinheiro não compra, nem mesmo com um bom diploma.
Paulo Walter
Twitter @paulowalter

21/04/2012
Diplomas e gravatas" addthis:description="Dia de formatura é dia para ficar na memória. Diploma de engenheiro, setes anos de faculdade paga, sacrifícios sociais, gente que ajudou, gente que atrapalhou. Depois de vinte um anos, do primário a colação, muita ralação. Histórias de dúvidas e decisões, de coincidências, pequenas derrotas e vitórias, amizades, dedicação, desanimo, reinvenção. Graduar-se é um investimento […]">

Carta ao Papai Noel

Caro Papai Noel,
Olá, como vai? Com certeza muito atarefado, pois é a época do ano em que seu trabalho aparece.
Resolvi lhe escrever essa cartinha pois imaginei que sua caixa de e.mails deva estar abarrotada e seus DM pelo Twitter já nem sejam mais lidos, tantos chegam por segundo.
Vi que sua página no Facebook já passou das centenas de milhões de Likes e que você é a pessoa com mais acessos no Youtube além de pesquisas no Google. No Skype você está indisponível e não mais atende o MSN. Coisas de quem está atarefado, com certeza.
Foi por isso, por essa sua “indisponibilidade”, que resolvi usar esse meio primitivo de comunicação que é escrever uma carta. Carta registrada, pois assim você tem que assinar que recebeu.
Então … Eu sei que você conhece todo mundo neste planeta, pois todos um dia fomos crianças. E ao fim de cada ano, fazíamos (fazemos?) os nossos pedidos. Talvez você não lembre de mim, pois nunca fui muito de aparecer. Tive notas boas na escola, fui um bom menino sempre. Apenas cultivava aquela mania de consertar coisas. É bem verdade que em algumas poucas ocasiões, as tais coisas ainda não estavam quebradas, mas isso é detalhe.
O fato é que, como disse, estudei, cresci e me transformei num homem (não muito grande) e num profissional importante. Agora, assim, puxando pela memória, talvez você se recorde que lhe escrevo religiosamente (no melhor sentido) todo ano. Sempre com a devida antecedência, como deve ser para quem sabe o problemão que é deixar as coisas pra ultima hora. Ainda mais em se tratando de produção, logística, entrega, satisfação dos clientes, essas coisas.
Não fique surpreso, mas trabalho aqui na sua fábrica. Pode parecer estranho eu lhe escrever sendo seu colaborador, mas já explico os meus motivos.
Esse ano, antes de escrever, fui consultar os outros duendes da nossa organização. Falei com a duende do RH, com o duende da Qualidade, marquei hora com o duende do Financeiro mas ele tava ocupado com o orçamento estourado. Bati um longo papo com o duende da Segurança e a duende do Meio Ambiente. E, pela primeira vez, falei calmamente com o duende encarregado da Produção. Acho que ele tava tranquilo porque ainda era Fevereiro e foi com ele que falei primeiro. Conversei também com as duendes do Marketing e Vendas. Devo confessar que essas duas não me pareceram falar a mesma língua que eu. Igual ao duende da TI, que parece ser do Polo Sul. O duende de Compras disse que só falava comigo mediante uma requisição. Achei ele muito estressado.
Também não consegui falar com o duende responsável pela Comunicação, pois me disseram que esse cargo está vago na empresa faz tempo.
Bom, o que posso dizer é que nessa busca por informações, de duende em duende, aprendi muito, principalmente com as secretárias de duendes, que são um caso (duende) a parte.
Enfim, falei com quase todos os duendes de todas as áreas.
Devo confessar que o que eu queria saber deles é como estava a relação deles com a empresa, com a organização, a nossa fábrica. E, o principal, como chegar junto a você, nosso CEO, da melhor maneira possível.
Vou facilitar as coisas. Então, querido Papai Noel, se me permite chama-lo assim, sou o duende responsável pela Manutenção aqui da Fábrica de Presentes do Papai Noel.
Isso mesmo. Acho que deve se lembrar, já que uma vez, fazem 12 anos, você passou por aqui para ver a solda da fivela do seu cinto que tinha se rompido na hora de embarcar no trenó. Foi um bom trabalho aquele. Nem parecia que estava remendado.
Lembrou? Fico aqui no fundo da planta, depois dos almoxarifados, perto da ultima portaria, ao lado do deposito de óleo e do estábulo das renas.
Sou um duende verde, igualzinho aos outros, mas que trabalha muito. Não sei se viu os indicadores, mas a taxa de falhas dos equipamentos está muito boa. A confiabilidade está em alta, assim como a disponibilidade. O programa de analise se falhas vai indo bem e a preditiva melhorou com a contratação (terceirização) de uns duendes externos especializados em analise de vibração, termografia, analise de óleo.
Fiz um benchmarking com o pessoal da fábrica de chocolates do Coelho da Páscoa e não ficamos nada a dever. Estamos orgulhosos por aqui.
Esse ano foi legal. Com a implantação de planos, metas e objetivos, pudemos fazer o TPM avançar. Ajudou muito, com certeza, fazer o 5S acontecer com ajuda dos duendes da Qualidade, Segurança e Meio Ambiente e Produção.
Mas, caro Papai Noel, essa carta não é pra ser um relatório anual de atividades. Ela é, acredite, uma simples carta de pedidos ao Papai Noel.
Esse conversê todo foi pra chamar um pouco da sua atenção. Aqui vão os meus singelos pedidos:
– A turma que trabalha aqui na Oficina precisa de treinamento. Parece que a verba do RH para isso tem poucos metros de comprimento pois nunca chega aqui no fundo da Fábrica.
– Não sei se você sabe mas uso a cadeira que foi sua antes da Rainha Elizabeth da Inglaterra se casar. O filho dela já tem mais de sessenta anos e ainda não aprovaram a verba de moveis menos velhos pra gente aqui. Se puder “dar uma força” nesse assunto, agradecemos.
– Sabemos que a o trenó é o carro chefe da sua “imagem” e que deve estar sempre impecável. Cuidamos dele com muito carinho e atenção. Mas, para melhorar o rendimento e a confiabilidade do mesmo, gostaríamos de lhe pedir que ao opera-lo, cuidasse onde o estaciona.
– Na última avaliação de pesquisa de clima o setor de renas ficou com a melhor nota e nós aqui não fomos tão bem. Se puder dar uma motivada na turma, melhorar um pouquinho só o salário, ia ser legal.
E por fim, caro Papai Noel, pra não tomar muito seu tempo, o que queria dizer é que tenho muito orgulho de pertencer a sua organização.
Ajudar a quem cuida de levar felicidade para todo mundo não é para qualquer um. Conte comigo e toda a equipe da Manutenção.
Pedidos pessoais a parte, quero lhe desejar um Feliz Natal e um 2012 de muitas e muitas conquistas.
Do seu amigo e colaborador,
Duende da Manutenção

21/12/2011
Carta ao Papai Noel" addthis:description="Caro Papai Noel, Olá, como vai? Com certeza muito atarefado, pois é a época do ano em que seu trabalho aparece. Resolvi lhe escrever essa cartinha pois imaginei que sua caixa de e.mails deva estar abarrotada e seus DM pelo Twitter já nem sejam mais lidos, tantos chegam por segundo. Vi que sua página no […]">

Alo? Manutenção?

Alo?
Você ligou para a Manutenção. Aguarde um momento, por favor. Não desligue. Sua ligação é muito importante para nós.
Estamos usando um novo sistema de gestão na manutenção predial, que visa dar mais conforto e rapidez aos usuários de nossos serviços.
Para facilitar seu atendimento, escolha uma das opções:
Tecle um para atendimento normal.
Tecle dois para atendimento urgente.
Tecle três para atendimento em emergência.
Tecle quatro para atendimento imediato.
Se não puder esperar deixe seu recado após o bip, mas, por favor, só descreva sua solicitação. Palavrões e xingamentos não vão apressar a resolução de eventuais problemas.

Você teclou quatro, como todo mundo faz quando liga pra Manutenção.

Para agilizar seu atendimento e melhor utilizar os recursos da Manutenção, antes de fazer sua solicitação de serviços, por favor, verifique se o equipamento está ligado na tomada ou se a falta de energia ou sinal da internet não é na empresa inteira.

Queremos fazer o melhor possível para sua satisfação. Por favor, escolha uma das opções:

Tecle um para instalação de tomada nova na sua mesa.
Tecle dois para mudança da instalação de tomada que foi feita ontem e tem que ser mudada hoje porque a mesa mudou de lugar.
Tecle três para trocar lâmpadas muito fortes ou muito fracas ou os dois casos ao mesmo tempo.
Tecle quatro para alguém ir logo regular a porcaria do ar condicionado que congela as mulheres e faz suar os homens.
Tecle cinco para serviços de desentupimento e correção de vazamentos em geral.
Tecle seis se os entupimentos e vazamentos forem no banheiro das mulheres para que o profissional leve ferramentas e desentupidores mais potentes e dose extra de paciência para trabalhos em TPM.
Tecle sete se você perdeu a chave, quebrou a chave, esqueceu a chave, trocou a chave, nunca teve chave, prendeu a chave, entortou a chave, trancou a mesa com a chave dentro, atirou a chave pela janela ou precisa de uma chave para abrir uma gaveta que não é sua.
Tecle oito se a chave foi roubada ou precisa arrebentar um cadeado. Mas, lembre-se que nessa opção será necessário fazer um B.O. junto com a Ordem de Serviço.
Tecle nove se precisa de alguém para carregar moveis e mudar estantes e arquivos de lugar, embora esta não seja uma das funções da Manutenção.
Tecle zero se você quer consertar algum item particular seu tal como radio de pilha, secador de cabelo, controle remoto de garagem, chapinha, micro-ondas, ferro de passar roupa, cafeteira e relógio de pulso.
Se mesmo depois de tantas opções, o motivo pelo qual você ligou para a Manutenção não se encaixa em nenhuma das possibilidades anteriores, aguarde na linha para ser atendido por um de nossos profissionais do PCM.
O tempo de espera para ser atendido é de…
– Alo? Manutenção. Zenildo falando. Em que posso lhe ser util?

13/09/2011
Alo? Manutenção?" addthis:description="Alo? Você ligou para a Manutenção. Aguarde um momento, por favor. Não desligue. Sua ligação é muito importante para nós. Estamos usando um novo sistema de gestão na manutenção predial, que visa dar mais conforto e rapidez aos usuários de nossos serviços. Para facilitar seu atendimento, escolha uma das opções: Tecle um para atendimento normal. […]">

A VIDA NA MANUTENÇÃO É UMA NOVELA

Outro dia, num desses momentos de reflexão, entre um comercial e outro da novela das nove, comecei a pensar, lembrar, porque cargas d’agua fui parar na área de Manutenção. E pior, porque permaneci nela. Apesar das chuvas e trovoadas, tempestades mesmo, porque ainda estou por aqui.
Nesse olhar para mim mesmo, na história pessoal, fui lembrando detalhes e a primeira conclusão foi que isso que aconteceu é obra da “Senhora do Destino”, não foi bem uma escolha, algo relacionado a um “Sétimo Sentido”. Ainda estagiário fui lá pro fundo da fábrica, era na época um cara “Rebelde”, e disposto a muita “Malhação”, sem fazer “Caras e Bocas” para enfrentar os desafios de uma área que parecia um “Pantanal” tantas eram as mazelas.
O Chefe da Manutenção era uma “Celebridade” e não era um homem de “Duas Caras”. Com ele aprendi muito, uma oportunidade “Belíssima” de dar mais colorido às “Páginas da Vida” profissional.
A Manutenção, todos sabemos, em nenhum lugar, é um “Paraíso Tropical”, um lugar para “Viver a Vida” como se fosse a sonhada “América”. Não, De Jeito algum. Nas empresas a turma do trabalho duro, pesado, sabe que aquela área nunca é “A Favorita”. Pelo contrário, está mais para “O Fim do Mundo” ou como diz a turma da Operação quando as coisas não vão bem, a “Torre de Babel” da empresa, um “Deus no Acuda”.
A vida profisisonal, por mais que se tente palnejar, acontece ao sabor dos acontecimentos, do “Jogo da Vida”, sem muitas “Plumas e Paêtes”, exigindo jogo de cintura para lidar com cada “Bambolê” que nos apareça “Sassaricando” provocando “Hipertensão”.
Mas quem trabalha no chão de fábrica sabe que essa escolha é quase um “Suave Veneno”, que nos envolve “Por Amor”, apesar de saber que nunca seremos tratados como algum “Rei do Gado”.
A Manutenção pode resolver, ou evitar, 99% dos problemas mas será sempre a “Próxima Vitima” quando a falha, aquela falha maledita, acontecer na “Terra Nossa”. Aí, neste momento de interrupção da produção, não há “Laços de Familia” com o resto da empresa e nos vemos sozinhos com nossa “Mandala”, enfrentando a “Roda de Fogo”, seguindo a saga de ser o “Salvador da Pátria”. Nessa hora dá vontade de largar tudo e deixar pra tráz a “Rainha da Sucata”, mas nunca, nunca mesmo deixaríamos duvidas sobre nossa dedicação de “Corpo e Alma” para fazer as coisas voltarem ao normal e tudo “Renascer”.
Parei de prestar atenção na novela e aprofundei a reflexão, sobre a Manutenção ser meu “Meu bem, Meu mal”. Me vi subitamente perplexo sobre como a vida fez disto a “Pátria Minha”, onde pude crescer, chorar, rir, me emocionar, progredir e me decepcionar com o “Vale Tudo” que esse trabalho proporciona.
Vi então, claramente, que se, com o tempo, me tornei “O outro” que sabia não ser “O Dono do Mundo”, tinha tido a oportunidadee de aprender com grandes profissionais, que me diziam “Irmão Coragem”, para respirar fundo a cada dificuldade e dar conta da “Escalada” que a tecnologia ia nos impondo nestes anos velozes.
Nessa recuperação da memória, vi que a trajetória foi um verdadeiro “Caminho das Indias”, que agora me vinha a mente como um “Cordel Encantado”, que sempre “Vale a Pena Ver de Novo”. Não sei se estava “Escrito nas Estrelas” e se na Manutenção era mesmo onde devia “Viver a Vida”, com toda a “Passione”, de um trabalho que “Morde e Assopra”. Isso agora é parte do aprendizado.
Muitas vezes, certo do bom trabalho realizado, me senti como se fosse “O astro” ou “O Semideus”, mas procurei evitar o “Pecado Capital” de achar que era uma espécie de “Pai Herói” nessa “Selva de Pedra” dos feitos efêmeros.
Hoje, depois de tantos anos, feita esta reflexão, sei que a Manutenção é “O Casarão” onde vivemos uma de nossas “Duas vidas”, mas todo profissional devia olhar para seu “Espelho Mágico” interior e ter consciência que o profissional da área não é “O homem que deve morrer” de tanto trabalhar e que é responsável pelo “Fogo sobre Terra” que enfrentamos todos os dias.
É preciso equilíbrio, usar esse “Louco Amor” profissional, que nos faz lidar num “Corpo a Corpo” com a engenharia como se fossemos o “Porto dos Milagres”, para também pensar na felicidade pessoal, da família e das nossas “Mulheres Apaixonadas” que nos esperam em casa. Sim, pois sempre há uma “Tieta” no lar, a “Alma Gêmea” que não nos trocaria por ninguém, mesmo que fosse uma cópia, “O Clone” com mais tempo disponível.
Afinal se a cada dia que fazemos um bom trabalho, e aí há “A indomada” vontade de dizer com orgulho “Explode Coração”, devemos lembrar que não vivemos para trabalhar, mas trabalhamos para viver, fazendo da existência os “Dancing Days” que alegram nosso “Insensato Coração”.

A Manutenção, definitivamente, não é para “Vira-Lata” mas para “Gente Fina”, não para aqueles que “Por força de um Desejo”, decidam tudo na base do “Cara e Coroa”.
Capítulo a capítulo desta caminhada revista, a conclusão que chego é que nós da Manutenção somos especiais. Pela vida folhetinesca que vivemos, do que encaramos e damos conta, fazendo com que nos olhem sempre com admiração pelo nosso trabalho, mas principalmente pela nossa “Fina Estampa”.

Paulo Walter
paulo.walter@manutencao.net

17/08/2011
A VIDA NA MANUTENÇÃO É UMA NOVELA" addthis:description="Outro dia, num desses momentos de reflexão, entre um comercial e outro da novela das nove, comecei a pensar, lembrar, porque cargas d’agua fui parar na área de Manutenção. E pior, porque permaneci nela. Apesar das chuvas e trovoadas, tempestades mesmo, porque ainda estou por aqui. Nesse olhar para mim mesmo, na história pessoal, fui […]">

Amanhã…

Sou um escritor tardio. Depois de seguir, por anos, pelas vias técnicas e da administração nas empresas por onde passei, resolvi me dedicar às letras por puro prazer. Não sei de onde, mas acho que tenho muito pra contar e também para inventar.
Sendo mais preciso, sou um escritor tardio e inédito.
É que tenho um livro semiacabado. Na realidade semicomeçado. Não passou ainda da terceira página escrita. Está inteiro na minha cabeça, mas no papel (no caso, no arquivo), ainda nem chegou ao fim da introdução do caso, dessa história semivivida que resolvi revelar.
O problema de planos adiados, como esse livro aprisionado em minha mente, é que os efeitos, os resultados, os finalmentes, ficam ali pululando a sua frente, sem nunca se materializar. Será que faria sucesso? As pessoas entenderiam a mensagem? Aquela personagem especial seria percebida em quem inspirada? E o final, seria suficientemente surpreendente para manter o clima buscado em toda a trama?
Assim segue a vida. Todo dia me pergunto o que falta, afinal de contas, para contar o que na cabeça autora está completo, com cores, sons e ambientes? Falta o que para dar sequencia ao projeto iniciado mas nunca terminado? De tanto tempo parado, hoje literalmente arquivado.
É a angústia da imobilidade, do não fazer.
Passa o tempo e nada de realizar. Mas, amanhã…

O pior desses adiamentos é que o final muda. Muda todo dia. Como se trata de um livro, em grande parte, autobiográfico, o que há pra escrever hoje é diferente do que foi ontem.
A intenção é mostrar, num clima de suspense e romance, quem foi quem na vida de um personagem atônito com seus erros e acertos. As escolhas feitas conscientes e as que a vida lhe impôs. Sabe, essas coisas de trato intimo, particular, do que foi feito e o que nunca chegou a acontecer. Associado a pessoas, com a cara de então.
Esse é o problema.
À medida que as coisas acontecem, a vida que passa, personagens que entram e saem de cena e do livro, fatos perdem importância ou ao menos mudam de cor, valor, interesse.

Sair da inércia nos sonhos é o movimento que exige mais energia. Seja um livro, a casa, a viagem, um amor. Querer só é poder, depois que entrar na pauta o fazer.

Preciso voltar à estória e faze-la acontecer. Senão, a vida me atropela e nem as três páginas já escritas vão me adiantar. Nada haverá a contar.

Amanhã…

03/07/2011
Amanhã…" addthis:description="Sou um escritor tardio. Depois de seguir, por anos, pelas vias técnicas e da administração nas empresas por onde passei, resolvi me dedicar às letras por puro prazer. Não sei de onde, mas acho que tenho muito pra contar e também para inventar. Sendo mais preciso, sou um escritor tardio e inédito. É que tenho […]">

Os Super-Herois do Chão de Fábrica

Qual seu personagem favorito?
Quem trabalha em empresa, qualquer empresa, sabe do que estou falando.

Me refiro aos super-herois e os super-vilôes que as estórias em quadrinhos nos oferecem, e que não sabemos se sairam da ficção para a realidade, ou o inverso, nas diversas “performances” com que convivemos no dia a dia da empresa.

A turma da Manutenção conhece de perto algumas figurinhas carimbadas, que sempre fazem parte do “quadro social, gerencial, profissional, presencial”:

– Hi-Man – Esse cara grita muito, mostra sempre a borduna e acha que só ele tem a força. Gerente de uma ferramenta só, sofre alucinações por mudança constante de personalidade.
– Homem-Aranha. Se acha, mas vive em depressão. É chegado a subir pelas paredes por qualquer coisa, mas na realidade vive comendo mosca.
– Popeye – Esse é das antigas. Quando tudo parece perdido, lá vem ele espinafrando tudo, pois acredita que na causa de qualquer problema sempre há um Brutus.
– MacGyver – Magaiver, para os intimos, é aquele que não usa manual para consertar nada. Tem um cipoal proprio de soluções mirabolantes para sair das enrascadas que vive se metendo. E metendo os outros também.
– Gasparzinho – Esse é camarada. De todos. Ninguem sabe, ninguem viu, mas se o resultado foi bom, foi ele, o fantasminha legal. E se deu pau, é coisa do além.
– Homem Morcego – Não é batman não. É homem morcego mesmo. Vive vendo as coisas de cabeça pra baixo. Seu cenário preferido é escuro, umido, cavernoso. Tem preferencia estranha por chupar o sangue alheio.
– Fantasma – Está na profissão porque seu pai, seu avô, seu bisavô, sua arvore genealogica inteira usou o mesmo uniforme, o mesmo EPI, a mesma bancada, a mesma caixa de ferramentas, etc.
– Super-Homem – Voa, voa muito. Como criou fama de que trabalha mais que os outros e resolve qualquer parada, se acha superior a todos. Na realidade, como usa a cueca para fora da calça, é conhecido como o figurino mais ultrapassado da área.

Em toda oficina tem sempre um personagem interessante.  E aí, perto de voce?
Escreva pra gente. Conte-nos que figuras fazem parte da sua história. Vamos dar “holofotes” para nossos personagens mais queridos.

Abraços

Paulo Walter

25/11/2010
Os Super-Herois do Chão de Fábrica" addthis:description="Qual seu personagem favorito? Quem trabalha em empresa, qualquer empresa, sabe do que estou falando. Me refiro aos super-herois e os super-vilôes que as estórias em quadrinhos nos oferecem, e que não sabemos se sairam da ficção para a realidade, ou o inverso, nas diversas “performances” com que convivemos no dia a dia da empresa. […]">

Quem viu o Comandante Aramis?

Reza a lenda de que em boca fechada, não entra mosca.
Uma certa vez, quando o navio atracou em Tubarão, na periferia de Vitória, no Espirito Santo, o Oficial Praticante (Pratica para os intimos da área) estava ansioso para saber qual a programação dos veteranos quando todos recebessem suas “diarias” atrasadas. (mais…)

20/08/2010
Quem viu o Comandante Aramis?" addthis:description="Reza a lenda de que em boca fechada, não entra mosca. Uma certa vez, quando o navio atracou em Tubarão, na periferia de Vitória, no Espirito Santo, o Oficial Praticante (Pratica para os intimos da área) estava ansioso para saber qual a programação dos veteranos quando todos recebessem suas “diarias” atrasadas.">

O futuro e as reflexões de Zé Bode e Maynard Keynes

José de Ribamar era o Zé Bode. O mecanico mais antigo da equipe de manutenção. Bom profissional, desconhecia o que vem ser metrologia, mas se dava bem com as polegadas – as medidas de seus polegares, com que escolhia (e acertava) todas as chaves, parafusos, peças e tipos de ferramentas que manuseava em seu trabalho. (mais…)

27/07/2010
O futuro e as reflexões de Zé Bode e Maynard Keynes" addthis:description="José de Ribamar era o Zé Bode. O mecanico mais antigo da equipe de manutenção. Bom profissional, desconhecia o que vem ser metrologia, mas se dava bem com as polegadas – as medidas de seus polegares, com que escolhia (e acertava) todas as chaves, parafusos, peças e tipos de ferramentas que manuseava em seu trabalho.">

Gerentes e Diretores – A diferença entre quem faz e quem diz o que deve ser feito

Aquele salão enorme do Hotel Meridien, no Rio de Janeiro, com carpete e cadeiras vermelhas, parecia imponente o suficiente para a reunião anual do grupo de gestão daquela grande empresa de engenharia. A manhã inaugural foi um desfile de palestras de economistas renomados, consultores internacionais, todos dizendo o que aconteceria no futuro proximo. Cenários de negocios foram apresentados com o Lula ganhando do Collor ou o contrario.
(mais…)

26/04/2010
Gerentes e Diretores – A diferença entre quem faz e quem diz o que deve ser feito" addthis:description="Aquele salão enorme do Hotel Meridien, no Rio de Janeiro, com carpete e cadeiras vermelhas, parecia imponente o suficiente para a reunião anual do grupo de gestão daquela grande empresa de engenharia. A manhã inaugural foi um desfile de palestras de economistas renomados, consultores internacionais, todos dizendo o que aconteceria no futuro proximo. Cenários de […]">

Lições do Banho de Rio ou Pato novo não dá mergulho fundo

Se beber não dirija. Nem tome banho de rio.
No verão, no interior, a garotada se esbalda. E de mergulho em mergulho, de braçada em braçada a gente vai aprendendo um monte. Os banhos no Rio Pomba, lá em Guarani, na Zona da Mata de Minas Gerais, em tempos de férias escolares, são daquelas memórias indeleveis que fazem a vida ter um sabor de pão doce com mortadela.

(mais…)

27/03/2010
Lições do Banho de Rio ou Pato novo não dá mergulho fundo" addthis:description="Se beber não dirija. Nem tome banho de rio. No verão, no interior, a garotada se esbalda. E de mergulho em mergulho, de braçada em braçada a gente vai aprendendo um monte. Os banhos no Rio Pomba, lá em Guarani, na Zona da Mata de Minas Gerais, em tempos de férias escolares, são daquelas memórias indeleveis […]">

O almoxarifado sumiu?

Cheguei na obra e não pude deixar de me impressionar. Um vai e vem continuo de caminhões e camionetes levantando poeira grossa, um mar de gente com uniformes de diversas cores e capacetes imundos, e equipamento de tamanhos os mais diversos. O caos pintado de vermelho. (mais…)

15/03/2010
O almoxarifado sumiu?" addthis:description="Cheguei na obra e não pude deixar de me impressionar. Um vai e vem continuo de caminhões e camionetes levantando poeira grossa, um mar de gente com uniformes de diversas cores e capacetes imundos, e equipamento de tamanhos os mais diversos. O caos pintado de vermelho.">

O motorista do Juca

Nessa longa estrada da vida profissional já fiz de tudo um pouco. Soldei, cortei, dobrei, juntei, serrei, lubrifiquei, troquei pneu de empilhadeira e limpei trocador de calor. Saquei rolamentos em servo-motor pequeninho e também anel de segmento e fogo de 1,25 m de diâmetro em pistão de motor de navio.  A lista é longa. (mais…)

28/02/2010
O motorista do Juca" addthis:description="Nessa longa estrada da vida profissional já fiz de tudo um pouco. Soldei, cortei, dobrei, juntei, serrei, lubrifiquei, troquei pneu de empilhadeira e limpei trocador de calor. Saquei rolamentos em servo-motor pequeninho e também anel de segmento e fogo de 1,25 m de diâmetro em pistão de motor de navio.  A lista é longa.">

As malas e o viajante.

O ano não lembro direito, mais foi ali por meados da década de 1990.
Assunto? Implantação de um contrato de prestação de serviços de manutenção em mais de 400 pequenos poços de exploração de petróleo.
Local? Interior da Bahia.
Porque? Uai, porque é preciso trabalhar, crescer, melhorar, avançar.     (mais…)

28/01/2010
As malas e o viajante." addthis:description="O ano não lembro direito, mais foi ali por meados da década de 1990. Assunto? Implantação de um contrato de prestação de serviços de manutenção em mais de 400 pequenos poços de exploração de petróleo. Local? Interior da Bahia. Porque? Uai, porque é preciso trabalhar, crescer, melhorar, avançar.    ">

O ultimo dia ninguem esquece

A noite veio negra e rapida demais. Pleno inverno, fim de Junho, naquela unidade industrial de Triagem, bairro no suburbio do Rio de janeiro, a luz dos postes passava tenue entre as frondosas mangueiras e outras arvores imponentes. Em silencio, em duas viagens, foram baixadas caixas, livros, portaretratos e outros restos do escritorio esvaziado. Era hora de ir embora. (mais…)

15/01/2010
O ultimo dia ninguem esquece" addthis:description="A noite veio negra e rapida demais. Pleno inverno, fim de Junho, naquela unidade industrial de Triagem, bairro no suburbio do Rio de janeiro, a luz dos postes passava tenue entre as frondosas mangueiras e outras arvores imponentes. Em silencio, em duas viagens, foram baixadas caixas, livros, portaretratos e outros restos do escritorio esvaziado. Era hora de ir embora.">

Lei Número 2 da Carreira ou Lei da Adequação ou ainda Lei de Jesus, o motoboy

Jesus era motoboy na minha pequena empresa, nos idos tempos de inicio da decada de 90, em Curitiba. Levava documentos, trazia pequenas peças, ia ao cartório e a prefeitura. Ia e vinha. O dia inteiro, o tempo todo.
O rapaz adorava esse negócio de andar em duas rodas, livre, ao sol ou na chuva. Pra cima e pra baixo, sem quase parar.
A moto era da empresa e ele um empregado registrado em carteira, com plano de saúde e benefícios de praxe. Mas Jesus não estava feliz, percebia-se que não estava satisfeito. Algo não ia bem debaixo daquele capacete. (mais…)

11/09/2009
Lei Número 2 da Carreira ou Lei da Adequação ou ainda Lei de Jesus, o motoboy" addthis:description="Jesus era motoboy na minha pequena empresa, nos idos tempos de inicio da decada de 90, em Curitiba. Levava documentos, trazia pequenas peças, ia ao cartório e a prefeitura. Ia e vinha. O dia inteiro, o tempo todo. O rapaz adorava esse negócio de andar em duas rodas, livre, ao sol ou na chuva. Pra cima […]">

Sobre Farois, chocolates e lagostas.

A primeira viagem de trator a gente nunca esquece. Pela areia da praia, nove quilometros para leste, saíramos por volta das sete da manha de Touros, no Rio Grande do Norte, rumo ao farol que levava o nome da Cidade. Éramos 11 pessoas a bordo aboletados naquela imensa máquina, passeando por uma paisagem exuberante. Areia e mar e céu. Um dia lindo para não esquecer nunca. (mais…)

23/06/2009
Sobre Farois, chocolates e lagostas." addthis:description="A primeira viagem de trator a gente nunca esquece. Pela areia da praia, nove quilometros para leste, saíramos por volta das sete da manha de Touros, no Rio Grande do Norte, rumo ao farol que levava o nome da Cidade. Éramos 11 pessoas a bordo aboletados naquela imensa máquina, passeando por uma paisagem exuberante. Areia […]">
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