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As dificuldades em treinar pessoas

Gestão - 26/10/2012

Há décadas empresas, governos, professores e consultores discutem sobre a melhor forma de treinar as pessoas. Diversos especialistas e pesquisadores defendem teses criativas das mais diversas formas procurando encontrar um caminho atrativo para as empresas treinarem sua mão de obra, considerando que o Brasil é carente de qualificação e as empresas pouco treinam sua mão de obra operacional. Mesmo com as diversas certificações conseguidas, a prática de contratar profissionais em períodos sazonais, sem treinamento e por tempo determinado, ainda existe, prejudicando em muito todo o processo e os custos operacionais.

Na década de 90 um empresário de São Leopoldo – RS chegou a escrever sobre o assunto, pois estava sendo penalizado pelo governo porque pagava parte ou integralmente os cursos universitários de seus funcionários e a fiscalização do Ministério do Trabalho queria incorporar esse investimento ao salário, encargos e impostos. A solução encontrada foi deixar de financiar a qualificação de seus colaboradores. Infelizmente os funcionários foram os prejudicados pela fome do governo em arrecadar mais dinheiro no lugar de criar incentivos em treinamentos.

Algumas sugestões foram dadas para que os sindicatos das diversas categorias incorporassem na pauta de negociação com as empresas, um percentual do faturamento ou lucro direcionado à qualificação da mão de obra. Com isso, as empresas deixariam de reduzir os investimentos ou até de cancelar seus treinamentos, pois estariam incorporados no faturamento como outros indicadores e todos os funcionários teriam esse direito conquistado anualmente, podendo ser fiscalizados e treinados pelas empresas.

Durante o período que atuei como gerente de empresas, procurei alternativas de qualificação de pessoal com baixo investimento ou custo zero que pudesse facilmente ser incorporada ao orçamento anual da empresa. Uma das alternativas foi conseguir palestras e cursos na área de manutenção.

Entre as oportunidades surgidas, procurei aprovar uma parte das reduções de custo conseguidas nos trabalhos de manutenção, conservação de energia, melhorias operacionais e eliminação de perdas, realizados pela Manutenção, considerando uma forma de incentivar e motivar a todos.

Quando aprovava algum treinamento, congresso ou fórum para um colaborador, ele tinha o objetivo de repassar aos demais o que tinha aprendido e com isso também forçava a presença, evitando como é muito comum, que faltasse algum dia por motivo fútil.

“Temo o dia em que a tecnologia se sobreponha à nossa humanidade. O mundo terá então uma geração de IDIOTAS.” Albert Einstein:

Desde 1994, sou consultor da MC Consultores, especializado em Gestão da Manutenção, implantação de Programas Piloto de TPM, Gerenciamento de Projetos e tenho realizado muitos treinamentos, sempre focado na melhoria dos resultados operacionais, pois a experiência que adquiri nas áreas de Manutenção, Produção, Engenharia de Projetos, Engenharia Industrial, Compras e Segurança Industrial, me proporcionaram uma visão global de toda a cadeia produtiva e a importância do Gerenciamento da Rotina para se atingir a excelência.

Participei de diversos projetos e programas que ao longo dos anos foram mudando de nome, mas a metodologia, conteúdo e as ferramentas continuam imutáveis: Kanban, CCQ, Just in Time, Análise de Valor, Gerenciamento de Projetos, Zero Time, Avaliação de Objetivos, Formação de Instrutores e outros muitos. Hoje em dia muitos viraram LEAN!

Mas que pretensão a minha, achar que tudo isso seria suficiente para convencer às empresas a investir mais no treinamento de seus funcionários.

Alguns discursos são ouvidos em palestras, congressos, reuniões e admito que muitos dirigentes colocam em prática esse investimento em treinamento, outros tantos não. Considerando que a pesquisa do Ministério do Trabalho chegou a conclusão de que a cada 3 ou 4 anos toda a mão de obra de uma empresa é trocada, muitos dirigentes, principalmente os que são estrangeiros, preferem não investir em treinamento e explorar ao máximo a mão de obra disponível para que seja promovido e mude de filial, deixando um rastro de pessoas desqualificadas para o próximo que assumir. Afinal, a grande maioria assume por tempo determinado e prefere resultados imediatos e treinar demora muito.

Faz tempo que venho acompanhando a redução das turmas de treinamento oferecidas às empresa quando realizadas em regime aberto, e atualmente poucas são as consultorias que conseguem fechar uma turma ou deixam participantes de fora por falta de vagas. Os investimentos tem sido reduzidos significativamente pelas empresas devido às crises que tem passado o mundo. Mas se não treinarem, não estarão preparados para o aquecimento do mercado e isso acaba sendo uma bola de neve, sem solução aparente.

Outro fator que está prejudicando ou dificultando a realização de treinamentos abertos é o sistema informatizado utilizado pelas empresas, sistema esse criado para controlar financeiramente os estoques, compras e fornecimento regular de serviços, que ao fixarem prazos de pagamento de forma genérica, esquecem que alguns serviços são realizados apenas uma vez e com os prazos dilatados de pagamento obrigam as empresas que realizam treinamentos a aumentar seus valores para compensar o recolhimento de impostos, juros bancários e outras despesas, prejudicando os funcionários que deixam de participar dos treinamentos devido ao custo.

Tem sido extremamente difícil conseguir entendimento sobre esse ponto porque o “Sistema” é fechado e ninguém quer se desgastar procurando uma brecha para facilitar a realização dos treinamentos. A área de RH a cada dia perde a sua atuação porque fica presa ao sistema e as verbas aprovadas a cada ano ficam mais reduzidas, dificultando seu trabalho. Olha a bola de neve de novo aparecendo!

Como podem pagar um treinamento com prazo de 30 ou 45 dias depois enquanto o aluguel de sala, fornecimento de lanche, divulgação, impressão de material didático, gravação de CD´s, passagem, hospedagem refeição e transporte são cobrados à vista das empresas que ministram os treinamentos?

Evidente que as consultorias passarão a compensar esse fluxo de caixa negativo, aumentando o valor da matrícula e reduzindo o número de participantes porque as empresas não possuem orçamento para treinamento. Sempre estão em fase de redução de custos e o treinamento é cortado em quase todas as empresas.

Por exemplo: Uma coisa é o contrato de fornecimento diário de comida no restaurante da empresa contratante, cujo custo já estará prevendo tudo isso e a outra situação é a empresa reunir um grupo de funcionários para almoçar em um restaurante externo, apenas uma vez para comemorar.

O primeiro poderá receber após 30 ou 45 dias porque estava previsto no contrato, mas o segundo, se deixar para receber no mesmo prazo, com o mesmo tratamento do sistema informatizado, ficará com sua lucratividade comprometida ou terá que aumentar o preço da refeição, perdendo mercado.

Será que ninguém está percebendo isso?

Reflitam sobre esse problema e em favor da mão de obra necessitada de treinamento, encontrem uma solução que facilite a realização dos cursos e não prejudique a ninguém.

Nas áreas de manutenção, em 99% das empresas que visito percebo que os profissionais são desqualificados, não recebem treinamento há anos e não se atualizam técnicamente, apesar da tecnologia dos equipamentos avançar significativamente.

Como conseguir a excelência dessa forma?

Como garantir as diversas certificações ISO com funcionários despreparados e contratados apenas temporariamente, sem receber treinamento?

Não existe MÁGICA!

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Sobre o Autor:
Marcio Cotrim

Sócio-Gerente da MC CONSULTORES LTDA, Coordenador Regional no RJ do COPIMAN ? Comitê Panamericano de Ingeniería de Mantenimiento, Engenheiro Mecânico, Físico e Pós – Graduado em Engenharia de Segurança. Mais de 30 anos de experiência profissional como Gerente de Manutenção e Engenharia de Projetos em grandes empresas como Westinghouse, Gillette do Brasil, Atlantic de Petróleo, Laboratórios B.Braun e Cruzeiro do Sul.
Recebeu o Prêmio “Westinghouse Signature Award for Manufacturing Excellence” em 1983.
Como Consultor desde 1993, implantou diversos projetos nas áreas de Manutenção Industrial e Programas de TPM em grandes empresas como Honda, Recofarma (Coca-Cola), Abbott, Glaxo Wellcome, SmithKline Beecham, Multibrás, Metalfino, RJR Refrescos, WEG Motores, Jornal do Brasil, Cisper, Rimisa, Grupo Simões, PST, Wartsila e ministrou mais de 80 seminários de TPM com mais de 2000 pessoas treinadas no Brasil e exterior. 

Publicado por: Administrador

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