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Manutenção de Alta Performance

- 29/09/2017

A manutenção surgiu há algumas décadas atrás com o objetivo de “manter” os equipamentos em um estado no qual possam desempenhar uma função, seja esta relacionada a uma máquina, a um processo ou até mesmo aos nossos meios de transporte.

Ao longo do tempo, com o avanço natural novas necessidades surgiram, a tecnologia evolui e a manutenção precisou se reinventar. O termo “manter” passa então a se distanciar cada vez mais, uma vez que o mesmo nos remete ao princípio de “não mudar” o que se tem. Surgem as manutenções preventivas, tanto sistemáticas quanto baseadas na condição, com as mais diversas técnicas de diagnóstico (vibração, temperatura, raio-x, ultrassom, partículas magnéticas, etc.). O foco já não é manter o ativo e sim buscar o seu melhor desempenho e eficiência.

Da mesma forma as equipes de manutenção também passaram por mudanças de paradigma. O homem de manutenção do passado sentia-se bem quando executava um bom reparo. O homem de manutenção do presente sente-se bem quando consegue evitar as falhas. E o homem do futuro? O homem do futuro sentir-se-a bem quando conseguir do equipamento a sua melhor performance.

E o quanto estamos distantes”deste futuro”?

Neste ponto você já deve estar fazendo uma breve reflexão sobre o texto acima e, possivelmente, já esteja visualizando uma nova forma de fazer manutenção. E este é o objetivo deste artigo, nos tirar da zona de conforto fazendo-nos refletir sobre a manutenção, seus objetivos e tendências. Como podemos ter uma Manutenção de Alta Performance?

1) A Manutenção de Alta Performance deve estar alinhada aos objetivos estratégicos da organização. O que a empresa vislumbra para o seu futuro? Onde ela quer chegar? Quais são os seus objetivos de curto, médio e longo prazos? Como a manutenção pode contribuir para o sucesso da organização?

2) Por trás da manutenção existe engenharia! Dentro do universo da engenharia, a engenharia de manutenção é uma especialidade multidisciplinar que requer conhecimentos mais específicos relacionados com a área de aplicação, como por exemplo os de mecânica, eletricidade e química. A engenharia de manutenção também requer conhecimentos gerais de higiene e segurança no trabalho, informática, gestão de recursos humanos, legislação, meio ambiente e contabilidade. A engenharia de manutenção otimiza a estrutura organizacional; busca a causa raiz dos problemas, por meio da aplicação de análises de falhas; busca novas alternativas para redução do custo de manutenção; faz avaliação das necessidades em termos de renovação de equipamentos; avalia as necessidades em termos de materiais e de mão de obra para uma manutenção eficaz; identifica e reporta os riscos associados à manutenção; define e monitora os indicadores.

3) Hoje podemos dizer que informação é tudo. A todo instante estamos recebendo informações e pelos mais variados meios de comunicação. O sucesso da manutenção depende de informações: não se abre uma ordem de serviço sem um motivo (seja para prevenir ou solucionar um problema), não se compra uma peça sem antes verificar se a mesma não está disponível no almoxarifado, não há indicadores se não houver registro dos serviços executados. Os pontos a seguir são de extrema importância para a performance da manutenção:

– possuir um bom sistema de gestão da manutenção, com todos os equipamentos, setores, oficinas, especialidades, recursos e planos de manutenção cadastrados (e atualizados);

– possuir uma biblioteca técnica acessível e atualizada, contendo diagramas, plantas, mapeamento de processos, projetos (mecânicos, elétricos, hidráulicos, pneumáticos, etc.), catálogos, manuais e outras informações que a equipe considere pertinentes;

– Nem todos os ativos possuem a mesma importância para os processos.

Desta forma, é preciso que esteja claro para todos quais são os equipamentos de maior criticidade e esta informação deverá estar contemplada nos planos de manutenção. Critérios bem definidos de criticidade contribuirão em muito para a consistência dos planos de manutenção, que poderão também utilizar ferramentas da qualidade para a elaboração de tarefas, como FMEA e Ishikawa, por exemplo. Ocorrências vão continuar existindo, e é preciso estabelecer critérios para atendimento. Uma boa opção aqui é utilizar a ferramenta GUT (Gravidade, Urgência e Tendência) para estabelecer as prioridades de atendimento.

A manutenção planejada representa 40 a 70% das tarefas realizadas, quando o indicador de classe mundial nos traz a faixa de 85 a 90%.

4) Uma Manutenção de Alta Performance busca o desempenho ótimo dos seus equipamentos e processos. Isso contribui para um menor custo e maior competitividade no mercado, além de entregar produtos de maior qualidade. Para se atingir o desempenho ótimo dos ativos é importante que as equipes estejam treinadas, motivadas e focadas em buscar soluções. É muito comum nas empresas as pessoas da manutenção focarem mais na rotina, em função dos problemas, do que gastar mais tempo em planejamento e melhorias. Tá certo, a fábrica tem que rodar! Porém, investir em planos de manutenção que agregam confiabilidade dos ativos, em análises de falhas, na busca pelas causas raízes, na implementação de planos de ação que objetivam melhorias e redução das falhas irá contribuir para o aumento da confiabilidade e da eficiência da organização, melhorando a sua competitividade e também a qualidade dos seus produtos no mercado. Hoje é fato que as perdas de produção por quebras representam de 5 a 10% do tempo disponível.

5) Gestão do conhecimento: além da imensa importância de um robusto planejamento da manutenção industrial, um pilar de extrema importância é a gestão do conhecimento das equipes, fator considerado fundamental para resultados positivos de confiabilidade industrial. Ferramentas de gestão do conhecimento precisam de atenção e devem integrar o repertório das lideranças. Reter e transmitir o conhecimento sobre processos e procedimentos deve ter a mesma importância que acessar e adotar novas tecnologias. Nesse sentido, pautada na literatura de gestão do conhecimento, uma das formas mais eficazes de perenizar e transmitir informações está na combinação do conhecimento explícito (encontrado em manuais, livros, registros diversos, dados, etc.) e tácito (relacionado ao indivíduo, seus valores e crenças pessoais; não visível e incorporado às suas vivências e suas experiências). O grande desafio é transformar o conhecimento tácito em explícito e o explícito em tácito.

6) Nunca o tema liderança esteve tão evidente na nossa sociedade. Todas as empresas buscam ter os melhores profissionais e investem em liderança. Podemos ter a melhor máquina, mas sem pessoas não teremos o melhor produto! Por este motivo, precisamos desenvolver a liderança para alcançar os objetivos da Manutenção de Alta Performance, na qual todos estão engajados e remando a todo vapor na mesma direção e na busca do mesmo objetivo!

Precisamos mudar o cenário mostrado na figura acima. Todos precisam estar juntos, como um time, para criar a cultura da confiabilidade sustentável.

Atributos considerados chaves para a liderança:

– CARISMA: 7%

– COMPETÊNCIA: 8%

– COMUNICAÇÃO: 21%

– ENCORAJAMENTO DE PESSOAS: 31%

– VISÃO: 33%

Lembre-se:

Dessa forma, precisamos buscar uma Manutenção de Alta Performance para que nossas organizações sejam mais confiáveis e competitivas. Pense nisso…

Me Alessandro Trombeta

MBA em Gerenciamento da Engenharia da Manutenção

Supervisor de Manutenção na Cocamar Cooperativa Agroindustrial

Professor de Engenharia e Gestão da Manutenção (UniCesumar e Uningá)

Publicado por: Alessandro Trombeta

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