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50 Tons para a Manutenção Classe Mundial

- 26/06/2017

Nos últimos 15 anos a manutenção passou por uma grande evolução, talvez mais do que qualquer outra disciplina de gerenciamento. Esta evolução pode ser relacionada a um grande aumento no número e diversidade de itens físicos (instalações, equipamentos e construções) que precisam ser mantidos, em todo o mundo. Além disso, os projetos tornaram-se cada vez mais complexos, a automação ganhou uma grande importância dentro das plantas, novas técnicas de manutenção surgiram e novos enfoques passaram a ter importância nas empresas, aumentando cada vez mais a responsabilidade da manutenção. Desde os anos 30 a evolução da manutenção pode ser dividida em 4 gerações, como mostra a Figura a seguir.

A denominação Engenharia de Manutenção apareceu entre os anos de 1950 e 1960 e os programas de qualidade, junto com a globalização, trouxeram a função para o mercado atual. A globalização dos mercados, a necessidade de conter custos e aumentar a capacidade de resposta levaram a manutenção a adotar uma perspectiva global (em termos de desempenho, qualidade, custo e serviço). Essa nova perspectiva levou a uma crescente conscientização do quanto uma falha de equipamentos afeta a segurança e o meio ambiente, maior conscientização da relação entre manutenção e qualidade do produto e maior pressão para se atingir alta disponibilidade da instalação, ao mesmo tempo em que se contêm os custos.

Mesmo assim ainda vemos que as atividades de manutenção tendem a ser retratadas como atividades que não acrescentam valor, dado não estarem diretamente envolvidas na fabricação ou na prestação de serviço. Este é um grande erro, pois o departamento de manutenção tem importância vital no funcionamento de uma empresa ou organização. De pouco adianta ao gestor de operações procurar ganhos de produtividade se os equipamentos não dispõem de manutenção adequada. À manutenção cabe zelar pela condição dos bens físicos, devendo antecipar-se aos problemas por meio de um contínuo serviço de monitoramento dos bens a serem mantidos. O planejamento criterioso da manutenção e a execução rigorosa do plano permitem o fornecimento estável dos produtos e serviços, graças ao trabalho contínuo dos equipamentos e sistemas, reduzindo ao mínimo as paradas não programadas.

A evolução das plantas e processos, junto com a globalização, estão colocando à prova atitudes e habilidades das pessoas em todos os segmentos da indústria. E o processo de manutenção, desde o engenheiro até o gerente, necessita adotar formas totalmente novas de pensar e agir. Ao mesmo tempo, tornam-se mais evidentes as limitações dos sistemas de manutenção, apesar do uso da computação.

Em vista desta avalanche de alterações, gerentes de manutenção em todas as partes estão buscando um novo método. Desejam evitar equívocos sobre prazo de início e fim, que sempre acompanham grandes transformações. Buscam um esquema de trabalho estratégico que sintetize os novos avanços, em um modelo coerente, de modo que possam avaliá-los racionalmente e aplicar os que têm mais valor para eles como gestores e suas empresas.

Dentro deste contexto, saber como anda a manutenção é de extrema importância para os gestores. A partir de um diagnóstico objetivo cabe ao gestor trabalhar nas ações necessárias para elevar o nível da manutenção, garantindo a máxima performance dos equipamentos a um custo adequado.

Você deve estar se perguntando aqui: mas por onde posso começar?

Para responder a esta questão, a tabela a seguir relaciona alguns direcionadores estratégicos importantes que devem ser levados em consideração para uma boa gestão da manutenção.

Com base nos direcionadores estratégicos apresentados na tabela acima, podemos montar uma avaliação da manutenção, cuja base é mostrada abaixo e cada empresa pode utilizá-la, podendo também personalizá-la de acordo com seus processos.

  • Política e Estratégia

Política e estratégia consistem em dois itens essenciais para a manutenção. A Política deve definir as diretrizes e os rumos da manutenção, enquanto a estratégia se encarrega de dizer o “como” atingir esses objetivos.  Vale lembrar que a estratégia de uma unidade de produção, aquela que permite obter resultados esperados, deve traduzir-se numa estratégia de manutenção.

 

  • PCM

Considerado o coração da Manutenção, o PCM possui uma grande importância para uma boa gestão, visto que é responsável pelas informações das plantas, equipamentos e instalações; pela definição da importância/criticidade dos ativos; pelas especialidades de manutenção; pelas informações técnicas; pelo histórico da manutenção e, não menos importante que os demais itens, pelos planos de manutenção.

 

  • Indicadores

Os objetivos do processo de manutenção precisam ser quantificados, caso contrário, não serão mensuráveis e o seu controle provavelmente irá carecer de objetividade. Já abordamos este tema aqui no LinkedIn diversas vezes, dada a sua importância para a manutenção.

  • Gestão dos Maus Autores

Nem todos os equipamentos apresentam o mesmo desempenho. É dever do gestor de manutenção identificar equipamentos de baixo desempenho e que mais geram perdas aos processos para que as causas sejam diagnosticadas e tratadas, contribuindo para a melhoria do desempenho.

  • Competências

As competências do pessoal de manutenção devem evoluir permanentemente, sejam técnicas ou comportamentais e de gestão.

A partir destes 50 pontos, é possível avaliar a Manutenção e estabelecer as metas e planos de ação para implementação de melhorias. Se a sua nota final for inferior a 60% o resultado mostra que ações imediatas devem ser tomadas.

Faça diferente, seja você o protagonista da mudança!

 

Me Alessandro Trombeta

MBA em Gerenciamento da Engenharia da Manutenção

Supervisor de Manutenção na Cocamar Cooperativa Agroindustrial

Professor de Engenharia e Gestão da Manutenção

 

REFERÊNCIAS

CUIGNET, RENAUD. Gestão da Manutenção. Lisboa: Ed. Lidel, 2006.

MORTELARI, DENIS; SIQUEIRA, KLEBER; PIZZATI, NEI. O RCM na quarta geração da manutenção. São Paulo: RG Editores, 2011.

PEREIRA, MÁRIO JORGE. Engenharia de Manutenção – Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Ed. Ciência Moderna Ltda., 2009.

PINTO, JOÃO PAULO. Manutenção Lean. Lisboa: Ed. Lidel, 2013.

 

 

Publicado por: Alessandro Trombeta

1 Comentário


  1. Valdomiro de Souza Melo Junior

    Excelente material, parabéns… Passo a passo para a Gestão dos Ativos.